Profissionais de saúde que prestam serviços à MedLar Soluções em Saúde/Home Care, empresa que atua na assistência domiciliar de pacientes em Juazeiro, no norte da Bahia, e em Petrolina, no sertão de Pernambuco, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar atrasos recorrentes nos salários. Segundo eles, o pagamento vem sendo recorrentemente atrasado, e há trabalhadores que ainda aguardam valores referentes a maio, junho e julho de 2026.
“Estamos em agosto e tem gente que ainda não recebeu sequer o mês de maio. A gente trabalha, se desloca até a casa dos pacientes, arca com combustível e outros custos e, mesmo assim, não tem uma previsão segura para receber”, relataram.
De acordo com os profissionais, as datas previstas para os pagamentos foram alteradas diversas vezes.
“Já foram dadas várias datas diferentes para o pagamento. Primeiro falaram em dia 30, depois dia 10, quinto dia útil, dia 15 e dia 20. No dia 21 de julho, recebemos um comunicado informando que os pagamentos referentes às competências até maio seriam feitos ‘impreterivelmente’ até o dia 31 de julho. O prazo passou e não recebemos. Depois, no dia 4 de agosto, informaram uma nova previsão, para o dia 10 de agosto. Ontem chegou o dia 10 e, mais uma vez, o pagamento não foi realizado. A gente continua esperando por valores de meses que já trabalhamos. É muito desgastante porque a cada vez aparece uma nova data. A gente se organiza contando com aquele dinheiro, mas chega o dia e não recebe. Depois precisamos esperar novamente por outra previsão, sem nenhuma garantia de que ela será cumprida”, afirmaram os trabalhadores.
Além dos atrasos, eles também relatam dificuldades para conseguir informações sobre a situação.
“A gente não aguenta mais entrar em contato com o RH, o financeiro, o Departamento Pessoal e a coordenação, seja por e-mail ou WhatsApp, porque é quase impossível conseguir um retorno. Quando a gente consegue uma resposta, um setor manda procurar o outro. A coordenação diz que é com o financeiro, o financeiro não dá uma previsão concreta e o trabalhador continua esperando. O que a gente quer é uma resposta clara”, relataram.
Eles também afirmam que a falta de informações aumenta a insegurança entre os profissionais.
“Não estamos pedindo favor. É o pagamento por um serviço que já foi realizado. O mínimo que esperamos é transparência e uma previsão que realmente seja cumprida”, declarou.
Os funcionários também destacam que o trabalho de assistência domiciliar envolve despesas que precisam ser custeadas pelos próprios profissionais.
“Não é simplesmente chegar em um local de trabalho. A gente precisa pegar o carro, colocar combustível, enfrentar trânsito e ir até a residência do paciente. Tudo isso gera custo. Mesmo com todas essas despesas, continuamos atendendo porque sabemos que o paciente não tem culpa”, disseram.
Eles também relatam desgaste emocional entre os profissionais, devido a incerteza dos pagamentos.
“Tem gente com conta para pagar, aluguel, financiamento, alimentação e família para sustentar. A pessoa trabalha e não sabe quando vai receber. Isso gera ansiedade, insônia e uma preocupação constante”, relataram.
Os trabalhadores também demonstram preocupação com possíveis impactos da situação na assistência aos pacientes atendidos pelo sistema de Home Care.
“Os pacientes não têm culpa e a gente continua fazendo o nosso trabalho da melhor maneira possível. Mas é difícil separar completamente a preocupação financeira do atendimento. Existe um desgaste muito grande”, afirmaram.
Os denunciantes ressaltam que não pretendem responsabilizar os pacientes nem fazer acusações de irregularidades financeiras sem apuração. O objetivo, segundo eles, é chamar atenção para os atrasos e buscar esclarecimentos da empresa.
“Existe uma pergunta que a gente faz: quem está cuidando da vida de quem cuida dos pacientes? Por trás de cada atendimento existe um profissional, uma pessoa que também tem família, contas e responsabilidades”, afirmaram.
Encaminhamos os relatos para a MedLar Soluções em Saúde/Home Care em busca de esclarecimentos e aguardamos uma resposta.
Imagem Ilustrativa
Redação PNB


