A rotina de estudantes e trabalhadores que moram no povoado de Alfavaca, no Junco/Salitre, em Juazeiro, na região norte da Bahia, vem sendo afetada pela interdição da ponte que liga a comunidade a demais localidades, provocando aumento no tempo de deslocamento e dificuldades para quem necessita fazer o trajeto diariamente. Entre os afetados está Arthur Miguel, estudante da Escola João Dias Ferreira.
Diante da situação, Arthur decidiu escrever uma carta para chamar a atenção das autoridades para as dificuldades enfrentadas por ele e pelos colegas. No relato, o estudante afirma que a mudança na rota deixou as crianças mais cansadas e preocupadas com os horários do transporte.
“Hoje vim desabafar sobre o que eu e meus coleguinhas estamos passando. Este ano de 2026 está sendo difícil para nós devido a esta ponte que foi interditada. Nosso percurso e nossa rotina complicaram por causa desta ponte. Estamos cansados, estressados e até mesmo doentes. Infelizmente, esta está sendo horrível”, relatou a criança.
Arthur destaca ainda que alguns alunos precisam acordar por volta das 5h para se organizar e não perder o transporte escolar.
“Não temos tempo de brincar e estudar porque estamos parecendo adultos com muitas responsabilidades, e muito preocupados para não perder o ônibus. Tem coleguinhas bem pequenininhos que estão acordando às 5 horas da manhã para se organizar e não perder o ônibus. Além de ter outros que não dá tempo de fazer as refeições”, contou.
Devido à mudança na rotina, Arthur decidiu se manifestar e pedir uma solução para o poder público.
“Eu resolvi fazer essa cartinha para manifestar o sofrimento de todos os alunos. Eu não quero um manifesto que vejo na TV, não quero um manifesto com pneu, com fogo, com violências, com xingamentos. Quero um manifesto com respeito e amor. Peço ajuda às autoridades, peço socorro”, disse o menino.
A ponte é uma importante ligação entre comunidades do Salitre e é utilizada por ônibus coletivos, transporte escolar, vans e trabalhadores. Com a interdição, veículos não podem realizar a travessia e precisam utilizar rotas alternativas.
Segundo uma moradora que conversou com o PNB, embora o transporte escolar continue atendendo as comunidades, o percurso ficou mais demorado.
“O ônibus escolar está passando nas comunidades, só que o percurso fica longo demais para eles. Eles chegam na escola cansados e chegam em casa supercansados”, afirmou.
Ela também relatou que algumas crianças passam horas dentro do transporte por causa da mudança na rota.
“Tem criança que sai de casa às 5h da manhã e chega em casa às 7h da noite. O ônibus acaba tendo que sair mais cedo para conseguir colocar outros alunos no transporte e atender às comunidades”, contou.
De acordo com a moradora, a situação também interfere no tempo que os estudantes permanecem na escola.
“Se o aluno poderia passar cinco horas ou quatro horas em sala de aula, acaba reduzindo o máximo possível, porque o transporte precisa sair mais cedo”, explicou.
Além dos alunos, trabalhadores que dependem do transporte também enfrentam dificuldades. Segundo ela, alguns precisam atravessar o trecho a pé para conseguir chegar até os veículos que fazem o transporte do outro lado.
“Os trabalhadores estão tendo que ir a pé para pegar os transportes do outro lado, porque os carros grandes não conseguem passar pela ponte. Isso fica muito mais longe para eles. A empresa de energia solar, por exemplo, não pode passar com os carros por ali. É proibido por causa da situação da ponte. Todo mundo está sendo prejudicado, sem poder circular normalmente”, fosse. .
De acordo com a moradora, o problema da ponte é antigo e teria começado ainda no final de 2020, durante a gestão do ex-prefeito Paulo Bomfim, quando a estrutura começou a apresentar sinais de comprometimento. Ela afirma que cobranças foram feitas ao longo dos anos por uma intervenção.
“Essa ponte começou a apresentar problemas ainda durante gestões anteriores. Desde a gestão da ex-prefeitura Suzana Ramos estamos implorando por uma atitude do poder público, mas nada foi feito”, afirmou a moradora.
Encaminhamos os relatos para a Prefeitura de Juazeiro e aguardamos uma resposta.
Redação PNB



