Um artista representante do Coletivo Lumiar, grupo de teatro de Juazeiro, no norte da Bahia, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para relatar problemas no projeto de apresentações teatrais que seria realizado em escolas da rede municipal ao longo deste ano. De acordo com o representante do grupo, após meses de negociações, preparação do espetáculo e espera pela definição do cronograma, a Secretaria de Educação de Juazeiro cancelou as apresentações neste ano.
“O projeto foi confirmado para a gente, nós nos preparamos, ensaiamos, fizemos figurino, cenário e toda a estrutura. Ficamos meses esperando a agenda das apresentações e agora, em agosto, fomos informados de que não vai mais acontecer porque não tem orçamento”, relatou o artista.
O espetáculo apresentado pelo grupo é chamado “Planeta Água” e, segundo o representante, foi pensado para trabalhar a temática ambiental.
“O nosso projeto era para começar em março, justamente por ser o mês da água. A ideia era levar o espetáculo para as escolas durante o ano inteiro. Mas não aconteceu. Até agora, tivemos uma única apresentação.”
O representante explica que as tratativas começaram em Janeiro deste ano. Durante as negociações, a proposta inicial precisou ser modificada. O grupo havia apresentado um projeto com um número determinado de apresentações, formato que, de acordo com ele, já havia sido utilizado anteriormente.
“Disseram que o formato tinha mudado. Não seria mais por apresentação. Seria por aluno, com duas apresentações por semana, em duas escolas por semana, até atingir todas as escolas do município, tanto da sede quanto do interior. Então nós refizemos todo o projeto do jeito que foi solicitado”, afirmou.
Após a reformulação, e a confirmação do projeto, o grupo teria recebido a orientação de aguardar apenas a organização da agenda com as escolas.
“Disseram que estava tudo certo e que faltava apenas a agenda. Só que essa agenda nunca aconteceu como deveria. Desde março, que era quando o projeto deveria ter começado, nós só tivemos uma apresentação, em maio”, relatou.
O artista afirma que passou os meses seguintes tentando conseguir novas datas. Segundo ele, a responsável pela agenda alegava estar envolvida com outras demandas e, depois, foram apresentadas outras justificativas.
“Eu ficava pedindo a agenda. Primeiro diziam que estavam com outras demandas. Depois chegaram as férias e disseram que não dava para marcar as escolas. Quando acabaram as férias, veio a Juá Literária e disseram que as escolas estavam envolvidas e não poderia ser naquele momento. E a gente foi esperando, porque acreditava que o projeto estava confirmado”, disse.
Segundo ele, diante da dificuldade, o grupo chegou a sugerir uma alternativa para tentar acelerar a organização das apresentações.
“Eu cheguei a sugerir que entrassem em contato diretamente com as escolas e já deixassem algumas apresentações marcadas. Se eram oito ou dez escolas por mês, era só organizar com elas. A gente estava pronto para apresentar. O problema era conseguir a agenda”, afirmou.
Enquanto aguardava as datas, o Coletivo Lumiar afirma que continuou mantendo a estrutura necessária para o espetáculo. Segundo o representante, foram cerca de dois meses de ensaios, além de investimentos em figurino, cenário e outros elementos da produção.
“Nós temos pessoas que moram em Petrolina, no Juazeiro oito e outros bairros distantes, mas que se deslocavam para os ensaios. Foram meses de preparação, fizemos cenário, figurino e tudo o que era necessário porque a proposta era que o espetáculo rodasse durante o ano inteiro”, relatou.
O artista afirma que dois atores deixaram de aceitar outra oportunidade de trabalho porque haviam assumido o compromisso com o Coletivo Lumiar.
“Eles foram convidados para outro espetáculo, mas disseram que não participariam porque estavam com a gente. No final, não participaram nem do outro projeto nem do nosso, porque as apresentações não aconteceram”, contou.
Depois de meses aguardando a continuidade do projeto, o representante afirma que recebeu nesta semana a informação de que as apresentações não serão mais realizadas em 2026 por falta de orçamento.
“É isso que está deixando a gente indignado. Se não havia orçamento, por que confirmaram o projeto? Por que pediram para a gente reformular, preparar o espetáculo, ensaiar, fazer figurino e cenário e ficar esperando a agenda durante meses? Se tivessem dito desde o começo que não iria acontecer, a gente teria se organizado de outra forma”, declarou.
Encaminhamos o relato para a Secretaria de Educação de Juazeiro e aguardamos uma resposta.
Redação PNB



