Gilmar Santos questiona autodeclaração de candidata do PL/PE: “Mesmo com pele clara e olhos verdes, se autodeclarou negra em seu registro do TSE”

0

O vereador de Petrolina, Gilmar Santos (PT), candidato a deputado estadual, criticou a também candidata à assembleia legislativa de Pernambuco, Lara Cavalcanti (PL), por sua autodeclaração racial. junto à Justiça Eleitoral.

Segundo o parlamentar, a jornalista se autodeclarou parda, categoria que, ao lado da população preta, compõe oficialmente a população negra brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Gilmar Santos afirmou ainda que quando Lara Ribeiro Cavalcanti disputou a Prefeitura de Petrolina, em 2024, também informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser uma mulher negra.

Militante do movimento negro há mais de 30 anos e autor de mais de cinco leis antirracistas aprovadas em Petrolina, entre elas está o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 3.330/2020, o vereador questionou a identidade da candidata.

“O questionamento colocado pelo movimento vai além da aparência: se Lara Cavalcanti se reconhece como uma mulher parda e, consequentemente, negra, como essa identidade se manifesta em sua trajetória pública e política?”

Em uma nota enviada à nossa redação, a assessoria de Gilmar ressaltou que o “caso reacende uma discussão que ganhou força após a criação de mecanismos para ampliar o financiamento de candidaturas negras. A política é uma conquista histórica do movimento negro e teve na deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) uma das principais protagonistas. A medida busca enfrentar uma desigualdade histórica: apesar da forte presença de pessoas pretas e pardas entre as candidaturas, a população negra permanece sub-representada nos espaços de poder”.

A nota acrescenta ainda que “casos de candidatos socialmente percebidos como brancos que se registram como pardos têm provocado questionamentos sobre o acesso às políticas afirmativas destinadas às candidaturas negras” e citou o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, que se autodeclarou pardo em um pleito eleitoral.

“Um dos episódios mais conhecidos aconteceu na Bahia. Em 2022, a autodeclaração como pardo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto gerou grande repercussão e virou motivo de sátira nas redes sociais, onde passou a ser chamado por adversários de “ACM Negro”.

A assessoria finaliza a nota acrescentando: “Em Petrolina, integrantes do movimento negro também questionam a trajetória política de Lara. Embora se declare parda, e, portanto, pertencente à população negra segundo a classificação utilizada pelo IBGE, sua atuação pública não é associada à defesa das principais pautas históricas do movimento negro, como cotas raciais, políticas antirracistas e defesa das comunidades tradicionais de terreiro. O contraste também é apontado em relação às referências políticas da candidata. Lara integra o Partido Liberal (PL) e tem Jair Bolsonaro como liderança política. Em 2025, o ex-presidente foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos em razão de declarações racistas, entre elas a comparação do cabelo de um homem negro a um “criatório de baratas”. Diante da repercussão, setores do movimento negro de Petrolina estão se articulando para levar o caso ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), para que a Justiça Eleitoral analise a autodeclaração e seus eventuais efeitos sobre políticas destinadas às candidaturas negras”.

O espaço segue aberto para a manifestação da candidata Lara Cavalcanti.

Redação PNB, com informações Ascom/Gilmar Santos

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome