Inflação oficial de agosto fecha em -0,32%, menor taxa em quatro anos

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O Bônus de Itaipu e a queda de preço dos alimentos e dos transportes fizeram a inflação oficial de agosto fechar em -0,32%, a menor taxa desde agosto de 2022, quando o índica alcançou -0,36%. Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi 0,07%. Em agosto de 2025, -0,11%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todo, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços). Os valores são apurados em dez regiões metropolitanas, sendo elas Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre; além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Segundo a Agência Brasil, a variação negativa de agosto fez o índice acumular 4,22% em 12 meses – menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma estava em 4,44%.

O IPCA do mês passado veio abaixo da estimativa do mercado. O Boletim Focus da última terça-feira (8), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projetou a inflação de agosto em -0,23%. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.

A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto.

Alimentação e bebidas: -0,34% (impacto de -0,07 ponto percentual);
Habitação: -1,87% (-0,29 p.p.);
Artigos de residência: 0,64% (0,02 p.p.);
Vestuário: 0,12% (0,00 p.p.);
Transportes: -0,86% (-0,17 p.p.);
Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.);
Despesas pessoais: 1,30% (0,13 p.p.);
Educação: 0,47% (0,03 p.p.);
Comunicação: -0,09% (0,00 p.p.).

O grupo habitação teve a deflação mais profunda desde o início do Plano Real, em 1994.

A explicação está no Bônus de Itaipu, desconto que os consumidores receberam na conta de luz do mês, que caiu, em média 7,63%. O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia.

A queda de preços em alimentação e bebidas foi a terceira seguida. Em julho, havia recuado 0,67%; em junho, 0,24%. Os alimentos são o grupo de maior peso do IPCA, representando 21,5% da cesta mensal de consumo dos brasileiros. As principais quedas no grupo foram:

batata-inglesa: -19,89%;
cenoura: -11,22%;
cebola: -11,07%;
tomate: -10,94%;
ovo de galinha: -4,15%;
café moído: -1,86%.
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