A última semana de eleição chegou, é um tempo de urgência e lucidez. Tudo o que parecia distante se condensa. Cada gesto, cada palavra, cada voto ganha mais peso. Não se decide apenas quem ocupará cargos; decide-se que país, que sociedade, que futuro queremos construir. O porvir não está escrito. Ele é aberto, mas não indiferente às nossas escolhas.
O voto é o gesto mínimo, mas fundamental. Não é tudo, mas sem ele a voz popular se enfraquece e junto com ela, as possibilidades de evolução. Votar é assumir responsabilidade. Não se deve votar apenas por interesse imediato, por favor recebido, por promessa de vantagem pessoal. Isso reduz a política a mercado. Voto não deve ser mercadoria. Cidadão não é cliente. Democracia não é balcão de negócios.
Por isso, deve-se votar em quem tem projeto. Projeto não é promessa vazia nem plano de poder pessoal. Projeto é visão de sociedade, compromisso público, prioridades claras, respeito às instituições, disposição para dialogar e para prestar contas. Quem reduz a política à compra de voto e a projetos pessoais de poder não governa para todos; governa para si, para seu grupo, para a perpetuação de privilégios. Isso corrói a democracia por dentro.
Mas há algo mais elevado. O papel último do político não é obra física, não é infraestrutura. Estradas, pontes, hospitais, escolas são necessários, mas não são a finalidade última. São meios. A função mais elevada do político é criar um ambiente de independência, onde as pessoas possam se desenvolver com liberdade, pensamento próprio e genuíno. Um povo dependente de favores, de chefes, de padrinhos, não é livre, mesmo que tenha asfalto e viaduto. A obra que não liberta pode virar monumento ao poder.
Criar independência não é abandonar o povo à própria sorte. É garantir condições para que cada um possa pensar, escolher, criar, dissentir. É fortalecer educação, cultura, instituições, leis justas, espaço público, oportunidades. É formar cidadãos que não precisem pedir licença para existir. O político que faz isso aceita não ser o centro. Seu sucesso é tornar-se menos necessário, porque a liberdade não depende de sua pessoa. Essa é a função mais alta: não criar súditos agradecidos, mas cidadãos livres.
Na última semana, o tempo aperta. A decisão do porvir está em nossas mãos. Não há garantia, mas há responsabilidade. Que o voto não seja preço de consciência, mas afirmação de um projeto coletivo. Que escolhamos quem entende que a política não é compra de voto, nem projeto pessoal de poder, mas construção de um ambiente de independência.
Depois da eleição, a democracia continua: vigiar, participar, cobrar. O voto é começo, não fim. Mais uma vez: a função mais elevada do político é criar um mundo onde as pessoas possam se desenvolver com independência, liberdade, pensamento próprio e genuíno. É isso que está em jogo.
Pablo Bandeira, juazeirense, Advogado, formado em Direito pela FACAPE, com atuação em Direito Penal e Cível, produtor de textos sobre filosofia e ciência política



