Juazeiro completa um ano sem registro de feminicídio; DEAM e PM destacam ao PNB atuação da rede de proteção

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Brasília (DF), 17/02/2023 - Fotografia para ilustrar matéria sobre violência infantil, na foto uma criança é vista em silhueta através de uma porta. Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil

O município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, completa nesta sexta-feira (2) um ano sem registro de feminicídio. O último caso ocorreu em 2 de outubro de 2025.

Em entrevista ao Portal Preto no Branco (PNB), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), declarou que “considerando os últimos quatro anos, este é o maior período sem registro do crime no município. Recebemos esse resultado com esperança, mas também com responsabilidade para que o trabalho continue”.

Questionada pelo PNB sobre os fatores que podem ter contribuído para a redução dos casos de feminicídio, a DEAM apontou o aumento das denúncias como um dos principais elementos.

“Um dos principais fatores é o aumento das denúncias. As mulheres estão procurando mais a Polícia e rompendo o silêncio. Quando há denúncia, a Polícia Civil pode conhecer a situação e agir, inclusive com investigação, solicitação de medidas protetivas e outras providências necessárias”, informou a unidade ao PNB.

A delegacia também destacou a implantação do plantão ininterrupto de 24 horas na DEAM como outro avanço no atendimento às mulheres.

“Outro avanço importante foi a implantação do plantão ininterrupto de 24 horas na DEAM, que ampliou o acesso das mulheres ao atendimento especializado e possibilitou uma resposta mais rápida às situações de violência. Também destacamos o trabalho integrado de toda a rede de proteção às mulheres”.

Questionada se houve redução nos demais tipos de violência, a DEAM informou que “tem observado redução em alguns indicadores, especialmente no período mais recente. Mas é importante destacar que o aumento das denúncias também pode ser positivo, pois significa que mais mulheres estão procurando ajuda. O registro permite que o Estado conheça a situação e possa agir”, destacou.

Atualmente, conforme a DEAM, a ameaça está entre as ocorrências mais frequentes atendidas pela unidade, seguida por casos de lesão corporal decorrente de violência doméstica e familiar.

“A ameaça está entre as ocorrências mais frequentes atendidas pela DEAM, seguida por casos de lesão corporal decorrente de violência doméstica e familiar. Precisamos continuar fortalecendo a prevenção, a denúncia e toda a rede de proteção. É fundamental que a mulher procure ajuda já nos primeiros sinais de violência e que a sociedade também esteja atenta e incentive a denúncia”, afirmou a DEAM.

A unidade também defendeu a manutenção do atendimento 24 horas, do trabalho investigativo e de respostas rápidas para situações de risco.

“Esses 12 meses sem feminicídio são um resultado muito importante para Juazeiro, mas não significam que podemos nos acomodar. Ao contrário, reforçam a responsabilidade de continuar trabalhando para proteger as mulheres e reduzir todas as formas de violência”, concluiu a DEAM ao PNB.

Também em entrevista ao Portal Preto no Branco, a Polícia Militar avaliou que o trabalho conjunto das instituições que integram a rede de proteção às mulheres tem sido fundamental para o município chegar a um ano sem registro de feminicídio.

“O trabalho integrado entre as instituições que compõem a Rede de proteção a mulher fez e faz toda a diferença ( desenvolvimento do fluxo de atendimento, fácil acesso das pessoas às instituições e serviços da Rede de proteção, ações preventivas que tem sido desenvolvidas tanto nos períodos oficiais de campanha educativa como também durante todo o ano)”, afirmou a PM ao PNB.

A PM, no entanto, faz uma ressalva em relação aos demais tipos de violência.

“A Ronda Maria da Penha (RMP) tem somente o recorte das mulheres que possuem medida protetiva de urgência (MPU) e geralmente as mulheres atendidas pela RMP tem histórico de violência física e principalmente, psicológica. Para nós não houve redução. Embora estejamos sem registro de violência letal (feminicídio) os números dos outros tipos de violência não tem reduzido e os números de denuncias têm aumentado. A ação da Rede de Proteção nos casos iniciais denunciados tem evitado que a situação se agrave (rompimento do ciclo da violência)”.

A corporação, entretanto, ressalta que os chamados policiais não representam necessariamente o tipo de violência mais frequente.

“Ameaça e Violência Física é o tipo de ocorrência que mais é acionado a viatura policial pelo CICOM, no entanto isso não representa que é o tipo de violência que mais acontece. Quando se chega a violência física, geralmente já ocorreu violência moral ou psicológica.”, explicou.

Por fim, para manter os avanços e reduzir os demais casos de violência contra a mulher, a Polícia Militar defende o fortalecimento das instituições que integram a rede de proteção.

“Apesar de já termos diversas instituições no município comprometidas com a proteção das mulheres, ainda é necessário mais investimento e fortalecimento dessas instituições, além de adesão de outros seguimentos (escolas, associação de bairro, igrejas etc). A prevenção sempre será o melhor caminho, e isso se conquista com a transmissão da informação, conhecimento da lei e dos canais de denúncia”, concluiu a corporação em entrevista ao Portal Preto no Branco.

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