Denúncia aponta uso de contas de terceiros para movimentar fundo eleitoral de Manuella Tyler (PSB); há registros de transferências ao pai e à mãe da candidata

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Candidata do PSB recebeu R$ 300 mil do Fundo Eleitoral em duas parcelas, mas declarou apenas R$ 190 na prestação de contas parcial; documentos mostram movimentação do fundo através de contas de funcionários e transferências ao pai e à mãe

A campanha de Manuella Tyler, candidata a deputada federal pelo PSB na Bahia, movimentou recursos do Fundo Eleitoral por meio de conta bancária pessoal de um terceiro contratado para trabalhar na campanha, segundo documentos obtidos pela reportagem do Preto no Branco. Entre os destinatários dos valores movimentados estão Manoel Freitas Medrado e Graciele Araujo Silva, pai e mãe da candidata, que receberam, respectivamente, R$ 3.595,70 e R$ 1.366,54.

Os documentos analisados mostram que R$ 13 mil saíram diretamente da conta eleitoral da campanha de Manuella e foram transferidos para a conta pessoal de uma pessoa ligada à campanha. A partir dessa conta, os recursos foram pulverizados em dezenas de operações entre 1º e 17 de setembro.

O levantamento identificou 92 operações de saída, que totalizam R$ 16.625,91. Do total, R$ 13.239,56, ou 79,63%, correspondem a transferências para pessoas físicas.

A movimentação ocorre em um contexto que chama a atenção na prestação de contas da candidata. Manuella recebeu R$ 300 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado Fundo Eleitoral, em duas parcelas: R$ 120 mil em 27 de agosto e R$ 180 mil em 4 de setembro.

Apesar disso, na prestação de contas parcial apresentada à Justiça Eleitoral, a candidata declarou ter recebido apenas R$ 190 em recursos do Fundo Eleitoral. O documento foi enviado pelo sistema de prestação de contas em 13 de setembro de 2026, às 12h48.

Os dados da prestação parcial foram posteriormente disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral no DivulgaCandContas. O TSE informa que a prestação parcial das eleições de 2026 reúne a movimentação financeira e os recursos estimáveis registrados até 8 de setembro.

Fluxo do dinheiro

Os comprovantes bancários obtidos pela reportagem mostram três operações que totalizam R$ 13 mil saindo da conta identificada como “Eleição M T A M D Federal” para a conta pessoal de um terceiro ligado à campanha.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a pessoa era contratada para atuar na campanha de Manuella. A partir da conta pessoal, os recursos foram utilizados em uma série de pagamentos e transferências.

O TSE estabelece que qualquer recurso utilizado em campanha deve transitar por contas bancárias específicas abertas para a campanha eleitoral. A regra alcança recursos do Fundo Partidário, do FEFC, doações de pessoas físicas e recursos próprios das candidaturas.

O próprio TSE determina que a movimentação financeira da campanha seja registrada e possa ser fiscalizada pela Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2026, candidatos e partidos devem informar receitas, despesas e movimentações por meio dos sistemas oficiais de prestação de contas.

Assim, a utilização de uma conta pessoal para receber e posteriormente distribuir recursos que saíram da conta eleitoral da candidatura deverá ser explicada pela campanha e submetida à análise da Justiça Eleitoral.

Pai e mãe receberam recursos

Entre os beneficiários das transferências realizadas a partir da conta pessoal estão Manoel Freitas Medrado, pai de Manuella Tyler, e Graciele Araujo Silva, mãe da candidata. Manoel recebeu R$ 3.595,70 em uma única operação e Graciele recebeu R$ 1.366,54. Somados, os dois receberam R$ 4.962,24.

Os documentos analisados pela reportagem não identificam, nos comprovantes, a finalidade específica dessas transferências.

Também aparecem entre os destinatários Christtian Cafe Silva, com R$ 2.873 em sete operações; Diego Victor Carvalho Rego, com R$ 1.553,36; Dione Santos de Santana, com R$ 1.061,92 em duas transferências; Naildson Rego Ferreira, com R$ 920; e Aimee Eleanor dos Santos Ferreira Campos, com R$ 761,13.

Segundo informações obtidas pela reportagem, os demais destinatários também teriam vínculo profissional ou de colaboração com a campanha.

A assessoria da candidata, procurada pelo PNB, afirmou que “Manuella Tyler, candidata deputada federal no pleito de 2026 pela Bahia, destinou todos os recursos de sua campanha dentro dos ditames legais da legislação eleitoral, não havendo qualquer tipo de inconsistências e ilegalidade em suas contas, que ainda serão julgadas pela Justiça Eleitoral, como ocorre com todos os candidatos e partidos”.

Redação PNB  

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