“Muriçocas em Juazeiro: Problema que atravessa gerações e a esperança com a obra do Novo PAC”, por Sibelle Fonseca

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Registros históricos mostram que a presença das muriçocas em Juazeiro, norte da Bahia, está longe de ser um problema recente. Reclamações publicadas desde a década de 1970 na imprensa local revelam a indignação de moradores com o incômodo e, a associação da  infestação dos mosquitos, a questões de saneamento, saúde pública e condições ambientais.

Bem antes das redes sociais, dos grupos de WhatsApp e das reclamações de agora, as muriçocas já ocupavam espaço nas páginas dos jornais de Juazeiro.

Documentos reunidos pelo Acervo Maria Franca Pires revelam que a presença dos insetos faz parte da história urbana da cidade há pelo menos cinco décadas. O problema aparece, ao longo dos anos, e com ele à eterna cobrança por providências do poder público.

Em 1973, o jornal Rivale publicou uma reclamação cobrando a atuação das chamadas “autoridades competentes” diante da presença das muriçocas. Onze anos depois, em 1984, a revista Hoje estampou uma manchete que traduzia a revolta da população diante da infestação: “Juazeiro não consegue dormir”.

A questão continuou atravessando as décadas e, ainda assim, nenhuma gestão tratou o problema como questão de saúde pública e nem se preocupou em resolvê-lo.

“Eu era menina quando via meu avô colocando fogo em esterco para afugentar as muriçocas. Dormíamos embaixo de mosquiteiros, um item obrigatório nas residências. Lembro de um espiral chamado ‘Sentinela’ que tinha um cheiro forte e era muito usado também. Ou seja, décadas depois, as muriçocas continuam infernizando os juazeirenses. Entra e sai prefeito e nenhuma medida foi tomada para enfrentar de vez o problema”, relembrou a professora aposentada Noelma Cristina.

O ano é de 2026 e o “fenômeno” das muriçocas continua fazendo parte do cotidiano dos moradores da cidade e ocupa às páginas da imprensa. Desde o ano de 2016, quando foi fundado, e pelos anos que se seguem, o Preto no Branco tem colecionado inúmeras reportagens denunciado a presença das muriçocas, ouvindo o desabafo da população e cobrando medidas eficazes para o combate aos insetos.

De tão acostumada a conviver com o incômodo histórico, a população vale-se até do humor e as muriçocas, frequentemente, são temas de piadas. Quem não lembra da muriçoca gigante que, em 2019, ganhou as ruas da cidade? O protesto do morador, que confeccionou a peça, gerou uma reação da prefeitura que apreendeu a criação.

De lá pra cá, o problema só tem aumentado. De novidade, somente o popular “pau da muriçoca” e a “raquete”, estratégias encontradas pelos moradores para lidar com o incômodo.

As muriçocas continuam aparecendo nas manchetes. São moradores que reclamam dos impactos na rotina, no sono e na qualidade de vida, e, insistentemente, cobram ações efetivas de combate.

A retrospectiva histórica do Acervo Maria Franca Pires permite perceber que o flagelo das muriçocas não é uma questão exclusivamente do presente. Os registros mostram também o quanto as gestões foram alheias ao clamor da população e ineficazes na busca por uma solução.

Mas há uma esperança real.

Em setembro passado, a gestão Andrei Gonçalves anunciou o que pode se tornar uma das maiores conquistas da história da cidade. O município foi contemplada no Novo PAC Seleções 2025, do Governo Lula, com investimentos superiores a R$ 110 milhões em obras de macrodrenagem, que vão enfrentar de forma definitiva problemas crônicos da cidade. Além dos alagamentos em diversos bairros, a ação, fruto de uma articulação política com os governos federal e estadual, também vai reduzir o incômodo das muriçocas e a poluição do rio São Francisco.

Além da drenagem, haverá pavimentação, urbanização e construção de lagoas de retenção, beneficiando bairros inteiros e reassentando famílias que vivem em áreas de risco. Já em processo de licitação, o prazo de execução das obras é de 18 e 36 meses.

Um sonho dos juazeirenses cansados de paliativos, de promessas, e de engolirem a velha chacota de que Juazeiro é a “terra das MURIÇOCAS”.

Que esses recursos sejam garantidos pondo um fim no pesadelo histórico que atravessa gerações.

Redação PNB, por Sibelle Fonseca

Informações e fotos Acervo Maria Franca Pires/ Laís Lino    

https://www.instagram.com/p/DeMteXakT-8/?img_index=4&stkn=eDFmMGt6djFmZmV4

 

 

 

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