Internautas de Juazeiro denunciam: Meta AI está barrando pedidos com o nome de Lula e atende os de Flávio Bolsonaro: “Resta alguma dúvida?”

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Nesta quarta-feira (14), a 11 dias para o segundo turno das eleições 2026, internautas e jornalista de Juazeiro denunciaram tratamento desigual no assistente do WhatsApp quando solicitaram imagens referentes as campanhas dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O pedido é o mesmo, muda só o nome. Num caso, a inteligência artificial da Meta entrega a imagem. No outro, diz que não consegue… é o que mostram dois vídeos que circulam nas redes. Num deles, o usuário Ramon Raniere Braz pede ao assistente do WhatsApp uma imagem com a frase “Mulheres com Lula” e recebe uma recusa. Troca por “Mulheres com Flávio”, e a imagem sai. Pede “Juventude com Flávio” em verde e amarelo, e recebe um cartaz de campanha pronto. Tenta o equivalente para Lula, e a ferramenta recusa de novo, alegando limitações do gerador de imagens.

O jornalista Pablo Vasconcelos fez o mesmo teste. O card “Lula 13” em verde e amarelo deu erro. O “Flávio 22” saiu. Ele pediu então um card de Lula em vermelho, e deu erro. Insistiu, e a ferramenta voltou a bloquear.

“Resta alguma dúvida?”, provocou o jornalista no vídeo, convidando o público a repetir o teste.

Não é um caso isolado

Os vídeos chegam depois de uma sequência de episódios que a campanha do presidente já levou ao Tribunal Superior Eleitoral. A campanha lista a derrubada da conta de anúncios, interrupções no registro de visualizações e a impossibilidade de impulsionar conteúdos no Instagram, o que atingiu pautas como o fim das apostas online e a escala 6×1. Segundo a campanha, antes do primeiro turno os perfis de Lula e de outras lideranças de esquerda sumiram da busca do Instagram. Um levantamento da Secretaria de Comunicação do PT diz que a página de Flávio teve em média 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.

Para a campanha, a sucessão de problemas técnicos não explicados levanta forte suspeita de interferência em benefício de Flávio Bolsonaro, e a falta de transparência da empresa torna as explicações escassas e opacas. A campanha afirma ainda que, a cada episódio, a Meta reconheceu o problema e o classificou como técnico.

O que a Meta responde

A Meta reconheceu “problemas técnicos”, mas diz que as acusações são falsas. Em e-mail à AFP, a empresa afirmou que muitos dos problemas citados não afetaram apenas o Brasil nem contas específicas. Procurada pela TV Globo, disse que cumpre as normas eleitorais brasileiras. A campanha rebate que a empresa não apresentou nenhuma evidência de que a falha atingiu outros candidatos no Brasil.

O que o TSE exige

No sábado (10), o TSE determinou que a Meta informe, perfil a perfil, todas as medidas aplicadas aos perfis oficiais de Lula desde 16 de agosto, explique por que desabilitou a conta de anúncios da campanha em 23 de setembro e diga se trata as duas candidaturas de forma idêntica. O pedido foi feito em um momento decisivo. Flávio Bolsonaro terminou na frente no primeiro turno, e o segundo turno é em 25 de outubro.

Um histórico de reclamações sobre falta de transparência

A queixa contra a opacidade da Meta já vinha de antes. Em junho, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenou publicamente a remoção de perfis ligados a veículos de jornalismo independente nas plataformas da empresa. Segundo a entidade, as remoções são muitas vezes arbitrárias e sem transparência, e configuram uma forma de censura privada que ameaça a liberdade de imprensa e o debate público. A Fenaj alertou que o problema poderia se intensificar com a chegada do período eleitoral, e atribuiu o fenômeno à combinação de moderação automática, falhas de algoritmo e campanhas coordenadas de denúncias falsas.

A nota reforça o ponto central das denúncias atuais, mas as decisões das plataformas que afetam o debate público seguem sem explicação clara. A fiscalização das big techs também enfrenta limites práticos. Levantamento do NetLab, da UFRJ, divulgado em 6 de outubro, identificou anúncios irregulares na Meta, no Kwai e no Google no período de resguardo eleitoral, e disse que limitações das empresas dificultam a fiscalização.

Redação PNB, por Ally Vianna

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