O desespero de mães, mulheres, companheiras, irmãs e outros familiares de detentos do Conjunto Penal de Juazeiro são agora um pedido coletivo de socorro. Em relatos dramáticos enviados ao portal Preto no Branco, familiares denunciam condições desumanas e cobram uma resposta urgente do Ministério Público, do Conselho Municipal de Direitos Humanos e demais entidades diante do que descrevem como uma “situação de horror” dentro da unidade prisional.
Entre as principais queixas estão a falta de água, a ausência de ventiladores em módulos onde os detentos estão alojados e as dificuldades enfrentadas pelos familiares para obter informações e respostas da administração da unidade.
A situação é ainda mais alarmante diante das altas temperaturas registradas em Juazeiro, no norte da Bahia, onde os termômetros se aproximam dos 40 °C.
Os familiares afirmam que os detentos estariam enfrentando o calor intenso sem ventilação adequada e sem acesso regular à água.
Uma mãe procurou o PNB para suplicar ajuda para o filho que está no CPJ há 11 meses.
“Meu filho vem sentindo muitas dores e está precisando urgente sair para fazer exames fora, pois lá dentro não estão dando o atendimento necessário. O advogado já foi lá, já mandamos mensagem, pedimos, e ninguém dá ouvido. Ele continua com dor e sem atendimento. Outra situação grave é a falta de água. Eles estão ficando com sede lá dentro. Chegou ao ponto de meu filho ter que beber enxaguante bucal para molhar a garganta, porque não tinha água para beber. Isso é desumano”, contou.
Ela disse ainda que somente depois de uma reação dos detentos enviaram água de carro pipa: “Os internos precisaram fazer movimento, fazer barulho lá dentro para serem ouvidos. Só depois disso é que levaram um carro-pipa com água. Por que não levaram essa água antes? Precisou chegar a esse ponto? O pessoal todo está revoltado lá fora e lá dentro. A gente quer uma resposta das autoridades, da direção do presídio. Queremos respeito e atendimento de saúde e água, que é o mínimo”.
Outra familiar denunciou que a direção do CPJ proibiu a entrada de água e ventiladores.
“Não permitem nem um ventilador nos módulos. Lá é um forno! Um módulo com mais de 17 homens e sem ventilação alguma, sem água para beber”.
“Não soltam a água. Eles cortam água direto. Era permitido levar 2 litros de água mineral, mas proibiram. Se lá está com esse problema de falta de água, que chega de carro pipa, porque não permitem que os familiares levem? Disseram que proibiram porque estava acumulando lixo. Uma desumanidade”, denunciou outra mãe.
A situação provoca indignação e levanta questionamentos sobre as condições básicas de sobrevivência oferecidas às pessoas custodiadas pelo Estado.
“São mães, esposas e irmãs vivendo na angústia de não saber se seus familiares estão recebendo o mínimo necessário para suportar o calor. Como alguém pode permanecer nessas condições, sem água suficiente e sem ventilação adequada? Estamos falando de seres humanos”.
Elas expressaram ainda que o sentimento é de impotência e abandono
“Para nós que estamos do lado de fora, a sensação é de impotência. Mães temem pelos filhos. Esposas e companheiras vivem angustiadas com as condições enfrentadas por seus parceiros. Irmãs e outros parentes tentam encontrar respostas, mas não conseguimos nem sermos ouvidas, pois a assistência social não funciona”.
“ Somos famílias que sofrem, que choram e que só querem ter a certeza de que nossos parentes estão vivos, com água para beber e condições mínimas para suportar esse calor. Não estamos pedindo privilégios. Estamos pedindo dignidade”.
Os relatos apresentados ao Preto no Branco apontam ainda dificuldades de comunicação com o serviço social da unidade prisional.
“O tratamento que nos dão é hostil e perverso. Não tem diálogo, não temos a quem recorrer. O Ministério Público não toma nenhuma providência e, se vai lá fiscalizar, nada vê, nada ouve, nada faz, o que aumenta o nosso sofrimento”.
“Quando uma mãe procura ajuda, ela precisa ser ouvida. Quando uma esposa pede informação, ela merece respeito. Ninguém deveria ser tratado com hostilidade por querer saber se um familiar está bem. O silêncio e a falta de respostas só aumentam o desespero de quem está do lado de fora”.
Os familiares querem saber a quem recorrer, quem está acompanhando a situação e quais providências estão sendo adotadas para resolver os problemas denunciados.
“Pedimos pelo amor de Deus que nossas queixas não sejam ignoradas e que a administração da unidade se manifeste sobre a falta de água, de ventilação e atendimento às famílias”.
Diante da gravidade das denúncias, os familiares fazem um apelo público ao Ministério Público e ao Conselho de Direitos Humanos para que acompanhem a situação e adotem as providências cabíveis.
“Se mobilizem e vejam as condições do Conjunto Penal de Juazeiro, apurem as denúncias com seriedade. O Estado deve garantir acesso à água, a condições sanitárias adequadas e à assistência necessária. Estar preso por um erro cometido não retira de ninguém a condição humana e nem direitos fundamentais que devem ser respeitados”.
“Eles estão presos, mas continuam sendo seres humanos. Têm mães, filhos, esposas, irmãos e pessoas que os amam. Pedimos que olhem para dentro daquele lugar e escutem o nosso grito de socorro”.
Quem responde por essa situação?
O Preto no Branco está encaminhando as denúncias ao Ministério Público, OAB-Subsecção Juazeiro e Conselho Municipal de Direitos Humanos, direção do Conjunto Penal de Juazeiro, e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP-BA).
Opinião
Por trás dos muros de uma unidade prisional, há pessoas cuja dignidade precisa ser respeitada. Do lado de fora, há famílias que sofrem, que temem pelo bem-estar de seus parentes e que pedem, antes de qualquer coisa, que suas vozes sejam ouvidas.
O pedido é urgente: água, condições dignas, respeito e respostas. Porque, independentemente de quem esteja atrás das grades, a humanidade não pode ficar do lado de fora.
Redação PNB



