Andrei cresce, oposição encolhe: O recado das urnas em Juazeiro, por Sibelle Fonseca

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Nem toda eleição pode ter como trilha sonora The Winner Takes It All. Ao contrário do que canta o ABBA, o vencedor nem sempre leva tudo. Desta vez, porém, a letra resume com precisão o que foi o pleito em Juazeiro.

As eleições de 2026 chegaram ao fim carregadas de significados políticos para o município. De um lado, o grupo liderado pelo prefeito Andrei Gonçalves teve êxito em suas principais candidaturas. Consagrou nas urnas votações expressivas para Lula e Jerônimo Rodrigues, elegeu os três candidatos locais à Assembleia Legislativa, comemorou a vitória de deputados federais da base e dos senadores Rui Costa e Jaques Wagner.

Do outro lado, o cenário é de derrotas, desgaste e sinais evidentes de enfraquecimento político.

Suzana Ramos ainda pode celebrar a reeleição do filho para deputado estadual, mas amarga a perda de mais de 25 mil votos em relação à eleição anterior. A ex-prefeita também colhe as derrotas de ACM Neto, de seus candidatos ao Senado e de Flávio Bolsonaro, justamente quando, pela primeira vez, resolveu colocar o 22 no peito e sair às ruas em defesa do bolsonarismo. Pelo menos, Suzana ainda conseguiu preservar um resultado eleitoral importante com o mandato do filho.

Enquanto isso, apresentado como coordenador de campanha, o ex-petista Isaac Carvalho abraçou Jordávio e o viu perder votos, aliou-se ao carlismo derrotado e, para completar o cenário, vestiu-se de bolsonarista e apoiou Flávio Bolsonaro. No Mandacaru, sua terra, esse apoio rendeu a Flávio, entre o primeiro e o segundo turno, um acréscimo de míseros quatro votos.

O vaqueiro não apenas enterrou suas expectativas. Num movimento desatinado, jogou fora o legado construído nos governos Lula e Dilma. Além do futuro, Isaac sepultou o próprio passado. Para quem já ocupou posição de destaque na política juazeirense, o resultado é um revés que vai muito além das urnas.

Outros políticos preferiram embarcar no navio em naufrágio. Os vereadores Alex Tanuri, recentemente expulso do PT após sucessivos ataques a Jerônimo Rodrigues, e Ailton Batista, ainda filiado a um partido da federação liderada pelos petistas, abandonaram a base do governo Andrei e decidiram afundar ao som de “My Heart Will Go On”, na voz de Céline Dion, trilha sonora de Titanic.

Mas há um personagem que merece atenção especial nessa fotografia do pós-eleição. O Prefeito Andrei Gonçalves, um dos grandes vencedores políticos desse processo.

Bancário, servidor público e sem tradição familiar na política, Andrei não herdou sobrenome, grupo ou patrimônio eleitoral de uma dinastia política. Sua trajetória é recentíssima. O jovem de 41 anos está na política há apenas pouco mais de dois anos. Foi eleito prefeito numa virada eleitoral e, em tão pouco tempo, parece ter aprendido uma lição que muitos veteranos ainda resistem em compreender: política não se faz apenas com passado, mas com capacidade de conquistar pessoas, construir alianças e mobilizar a sociedade.

O resultado de 2026 evidencia esse crescimento. Andrei apoiou Jerônimo Rodrigues, que obteve votação expressiva em Juazeiro, e Lula também alcançou uma vitória amplamente favorável no município. O prefeito ainda viu os três candidatos locais apoiados por seu grupo conquistarem vagas na Assembleia Legislativa, além de comemorar o desempenho de aliados para a Câmara Federal e o Senado.

Não é pouca coisa para quem chegou à política há tão pouco tempo. Andrei demonstrou capacidade de aglutinação, articulação e liderança. Mais do que apoiar candidaturas, conseguiu mobilizar um campo político em torno de um projeto.

Andrei está construindo uma liderança própria, sem depender de herança política. O resultado eleitoral foi revelador. É o que está posto. Enquanto figuras tradicionais acumulam derrotas e precisam explicar suas escolhas, um novato na política amplia seu espaço e se credencia como uma força cada vez mais relevante no cenário regional.

É claro que vitória eleitoral não representa cheque em branco. O desafio de Andrei será transformar essa capacidade de articulação em resultados concretos para Juazeiro, a exemplo de importantes obras já anunciadas em parceria com os governos federal e estadual, e manter o diálogo com a população.

O dinamismo da política desaconselha afirmações definitivas. Pelo cenário de hoje, contudo, a oposição juazeirense tem motivos para rever suas estratégias, vestir o luto e lamentar seus muitos fracassos. Suzana ainda tem o mandato do filho para comemorar. Isaac, por sua vez, enfrenta uma derrota de ponta a ponta, de A a Z. E Andrei emerge fortalecido, mostrando que dois anos podem ser suficientes para começar a mudar o mapa político de uma cidade.

No fim das contas, a trilha sonora do pós-eleição parece bem definida. Para alguns, ABBA e o amargo reconhecimento de que The Winner Takes It All não se aplica a quem perdeu quase tudo. Para outros, Céline Dion e o naufrágio de Titanic.

Para Andrei, a música ainda está sendo composta, mas, pela resposta das urnas, o prefeito acaba de conquistar o direito de escolher o ritmo dos próximos capítulos da política juazeirense.

Por Sibelle Fonseca

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