“Bets: Quantas famílias precisam adoecer para tratarmos isso como um problema de saúde pública?”, por Dr. Salvador Carvalho

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Quantas famílias precisam adoecer para tratarmos isso como um problema de saúde pública?

Os números são alarmantes!

No mundo: estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health estima que aproximadamente 80 milhões de adultos sofrem com problemas relacionados ao jogo ou transtorno por jogos de azar, enquanto cerca de 449 milhões apresentam algum nível de risco associado às apostas.

No Brasil: em 2025, aproximadamente 25 milhões de brasileiros realizaram apostas, e as perdas líquidas das famílias com as bets foram estimadas em R$ 62,5 bilhões.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio, cerca de 1,8 milhão de brasileiros entraram em situação de inadimplência em 2024 por causa das apostas.

E os danos não são apenas financeiros!

As apostas estão associadas ao aumento de ansiedade, depressão, dependência, conflitos familiares e risco de suicídio. São problemas que atingem diretamente as famílias e ampliam a demanda por atendimento no SUS.

O impacto é social, econômico e epidemiológico. Enquanto as casas de apostas lucram, muitas famílias perdem renda, saúde e qualidade de vida.

Não podemos tratar como simples entretenimento aquilo que pode destruir a saúde mental, comprometer a alimentação das famílias e aprofundar a desigualdade social.

As bets não são apenas uma questão econômica. São também um grave problema de saúde pública que exige prevenção, fiscalização, regulação rigorosa e políticas públicas de cuidado!

Fontes: OMS (2024), The Lancet Public Health (2024), Ministério da Fazenda (2026), CNC e Agência Brasil (2025–2026).

Por Dr Salvador Carvalho, Médico Sanitarista e Especialista em medicina de família e comunidade pela UNIVASF

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