Covid-19 no Vale do SF: pesquisa estima que queda da curva de casos deve acontecer em agosto; pesquisador alerta que reabertura do comércio pode alterar previsão

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Apesar de continuar apontando uma tendência de aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e também do número de óbitos nos municípios de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e Juazeiro, no Norte da Bahia, o último boletim do Grupo de Modelos Matemáticos para Covid-19 do Vale do São Francisco (GMC-VASF) estima que a curva de crescimento deve cair a partir da primeira semana de agosto nas cidades. Os dados estão no boletim da sexta-feira (24) do grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

O levantamento sugere que a queda deve acontecer a partir o dia 3 de agosto. O dado é um tanto animador, entretanto, segundo Telio Leite, do Colegiado Acadêmico de Engenharia Civil da instituição e um dos pesquisadores, a reabertura das atividades comerciais pode alterar a previsão. Juazeiro e Petrolina retomaram nesta segunda-feira (27) os seus respectivos planos de reabertura (veja mais).

Havendo mudança na data prevista, o pesquisador reitera que o comércio não será necessariamente o culpado, mas proporciona um contexto favorável ao contato entre a pessoas com mais frequência, o que pode acelerar o contágio naturalmente.

“No mundo todo está se observando isto. Quando as atividades econômicas são retomadas, há o surgimento de novos casos de covid-19. O contágio é diretamente proporcional ao contato social. Logo, se mais pessoas se encontrarem, mais o contágio será acelerado. A abertura do comércio é um convite a aglomeração. Mesmo que o comerciante faça tudo certinho, do ponto de vista sanitário dentro da sua loja, no espaço externo, público, não há controle. É esperar que a próprias pessoas se previnam e evitem o contato com outras pessoas”, reiterou.

As medidas adotadas para o controle da doença não são sentidas de forma imediata. Em média, as medidas adotadas levam 15 dias para surtir efeito. Portanto, os números mostram o impacto de ações que foram tomadas duas semanas antes, a exemplo de um afrouxamento no isolamento social ou de uma maior rigidez nestas ações.

Projeções

Permanece uma tendência de aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e também do número de óbitos nos municípios de Petrolina e Juazeiro. No cenário estimado para a próxima sexta-feira (31), por exemplo, o grupo estima que o número de infectados pela doença deverá variar entre 5.409 e 6.014 pessoas. Já o número de óbitos previsto para a mesma data irá variar em torno de 121 a 132 casos.

O período provável em que 60% da população da região estaria infectada seria a segunda semana de setembro, frisa o grupo.

Veja o boletim na íntegra

Metodologia

O grupo utiliza um conjunto de modelos matemáticos distintos e faz o cruzamento das informações para chegar à variação média divulgada a cada semana. Diariamente, pesquisadores da Univasf se debruçam sobre os números oficiais da disseminação do novo coronavírus em Petrolina e Juazeiro para abastecer modelos matemáticos epidemiológicos que ajudam a compreender o comportamento da pandemia nestas duas cidades. Sempre no final da tarde da sexta-feira, o Grupo Modelos Matemáticos divulga um boletim com uma análise semanal sobre a doença e estimativas para a semana seguinte.

Além do boletim semanal, o GMC-Vasf elabora um relatório mensal com uma análise mais abrangente e aprofundada sobre a situação da pandemia nas duas cidades, incluindo a disseminação da doença pelos bairros. O estudo visa subsidiar o poder público com informações que podem contribuir para a elaboração de políticas públicas e estratégias de enfrentamento e combate ao novo coronavírus. Os modelos apontam, com uma dada margem de segurança, as curvas características da disseminação. Dessa forma, é possível prever o período de ascensão, de estabilização e de decréscimo da doença.

O Grupo multidisciplinar de pesquisadores, que reúne docentes e estudantes de pós-graduação da Univasf, deu início ao trabalho de análise dos dados em maio e a divulgação do primeiro boletim ocorreu em meados de junho. Os pesquisadores utilizam os números do “Report sobre o avanço do Covid-19 no Brasil e no mundo”, da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape), da Secretaria de Saúde de Juazeiro e do Grupo de Pesquisa em Doenças Infecciosas e Negligenciadas do Vale do São Francisco (GPDIN) da Univasf. Os dados da pesquisa são divulgados no site e nas redes sociais (InstagramYouTube e Twitter) do GMC-Vasf.

Da Redação

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