Funcionários do Conjunto Penal de Juazeiro testam positivo para covid 19 e aumenta a preocupação com a propagação do vírus na unidade; direção, mais uma vez, silencia

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(Foto ilustrativa- arquivo)

Alguns funcionários do Conjunto Penal de Juazeiro, no Norte da Bahia, testaram positivo para a covid-19. De acordo com uma fonte do PNB que tem vínculos com a unidade, cuja identidade será preservada, cerca de 5 servidores, entre enfermeiros, supervisores e agentes, tiveram o diagnóstico da infecção do novo coronavírus comprovada.

Os testes começaram a ser realizados na última quinta-feira (23) e os resultados começaram a ser entregues ontem (27). Todos os funcionários testados como positivos têm contato direto com os presos. Um dos servidores que testaram positivo chegou a entrar na escala de ontem (28) e trabalhou normalmente após a realização do exame. Apesar de estarem munidos de equipamentos de proteção individual, qualquer descuido pode ter levado a contaminação de outros funcionários como também dos internos.

Ainda segundo a fonte, ainda não foram realizados testes nos presos. A denunciante relatou que apenas está sendo realizado o procedimento de aferição de temperatura nos internos.

“O teste para verificar se tem ou não covid-19 não foi feito em nenhum preso. Os que chegam ficam oito dias em isolamento, depois são levados para a enfermaria, mas lá só é feita a medição da temperatura corporal. Chegaram alguns testes, aquele que usa o cotonete, mas só foram feitos nos funcionários, foi quando soubemos desses resultados positivos. E esses resultados são somente de funcionários escalados em um dos plantões”, contou. Dessa forma, o número de contaminados pelo novo coronavírus pode ser ainda maior na unidade.

O aparelho utilizado geralmente é o termômetro infravermelho, que mede a temperatura através da testa. Após ligar o aparelho,a parte frontal do aparelho é apontada para a testa e o raio infravermelho irá fazer a medição. Caso o termômetro apite, significa que ela está com febre (acima de 37,8ºC). Ou seja, o aparelho não identifica se a pessoa tem ou não covid-19, servindo apenas para auxiliar na orientação dos possíveis pacientes que apresentem febre, que é um dos sintomas da doença.

Sem notícias, sem visitas

A notícia de confirmação de casos na unidade prisional torna a situação ainda mais deliciada. Ontem (28), o PNB publicou uma matéria trazendo o apelo de familiares de internos. Em conversa com o PNB, alguns relataram que os últimos cinco meses têm sido de muita preocupação e angústia. Além de não poderem visitar pais, maridos, irmãos ou parentes, também não têm informações sobre eles, e as mulheres são até tratadas mal, quando ligam para a unidade, segundo relatos de algumas esposas (veja na íntegra).

Sobre essa denúncia, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) contactada pelo PNB pediu que “aguardássemos o retorno desta demanda, pois os fatos narrados e as denuncias serão apurados”(NUCOM – SEAP).

A administração do Conjunto Penal, que tem como responsável o diretor Manoel Tadeu, também procurado pelo PNB silenciou e não respondeu o nosso pedido de esclarecimentos sobre a denúncia e nem sobre as medidas que estão sendo adotadas na unidade para enfrentamento à pandemia. O diretor também não respondeu sobre a falta de notícias dos presos para seus familiares e nem deu previsão do retorno das visitas.

Estamos encaminhando a denúncia também para as Secretarias de Saúde do Município e do Estado da Bahia.

 

Da Redação

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