“A flexibilização das escolas deve ser repensada urgentemente”, alerta infectologista de Juazeiro

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Um novo estudo realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, que integra a Escola Médica de Harvard, nos Estados Unidos, concluiu que crianças infectadas pelo coronavírus têm alta carga viral e, por isso, podem contaminar mais do que os adultos. A pesquisa, publicada nesta quinta-feira (20), no periódico científico The Journal of Pediatrics, envolveu a participação de 192 crianças e jovens, com idades entre 0 e 22 anos.

Os resultados do estudo mostraram que as crianças infectadas apresentaram um nível de vírus em suas vias aéreas significativamente mais alto do que adultos hospitalizados em UTIs em decorrência de complicações da Covid-19. Por conta disso, a principal preocupação dos pesquisadores é em relação a volta às aulas, já que segundo eles, como portadores assintomáticos ou com poucos sintomas, as crianças podem se tornar um importante vetor da doença e espalhar a infecção.

Essa também é uma preocupação do infectologista do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, Washington Luiz. Em um vídeo divulgado hoje (21) nas redes sociais, ele cita o estudo e diz que a flexibilização das escolas deve ser repensada urgentemente pelo poder público.

“Fica o alerta para que não haja, neste momento, um retorno das aulas presenciais para crianças menores, porque há um risco eminente da doença ganhar uma visibilidade maior na pediatria, inclusiva nas formas graves. E há também o risco da gente voltar a ter uma segunda onda da Covid-19, justamente porque a gente vai colocar a população pediátrica em um ambiente aglomerado, e neste ambiente, elas terão contato e se infectarão, na grande maioria terão formas leves ou serão assintomáticas, e ao retornar para casa ela poderão contaminar pais, avós, tios, muitas vezes pessoas que tem fator de risco e que podem evoluir para formas graves”, alertou.

O infectologista chamou atenção ainda para as dificuldades que as crianças menores terão para manter as medidas de segurança, como o uso de máscaras e distanciamento social.

“Vale muito apena se reconsiderar posicionamentos de retorno, mesmo imaginando que todas as medidas serão respeitadas”, afirmou o infectologista, acrescentando ainda que “é preciso ter mais cuidado e tentar criar projetos em conjunto para encontrar saídas, para que essas crianças possam retornar às atividades escolares com mais segurança”.

Veja o vídeo completo:

Na Bahia, o governador Rui Costa já afirmou que não cancelará o ano letivo de 2020, e pretende anunciar a volta às aulas quando a ocupação dos leitos em hospitais estiver menor. De acordo com o o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, a retomada das aulas presenciais na Bahia pode ser uma realidade a partir do mês de setembro, segundo o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas.

Em Juazeiro, os alunos estão sem aulas presenciais desde o dia 16 de março e de acordo com o prefeito Paulo Bomfim, o prefeito Paulo Bomfim afirmou que ainda não há previsão para o retorno das aulas presenciais.

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Da Redação

 

 

 

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