Descansa em paz, Flávio Luiz! “Que Juazeiro não seja devastada por aventureiros, despreparados e salvadores da pátria, por Sibelle Fonseca

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(foto divulgação redes sociais)

A dor e a morte nos igualam. Isso é inerente a nós todos, os seres humanos. Em plena campanha eleitoral, ditada pelas normas do novo coronavírus, que vem impondo uma rotina bem diferente às pessoas do mundo inteiro, independente das posições que ocupam na sociedade, do status, conta bancária, e até mesmo aos negacionistas da pandemia, em Juazeiro, um aguerrido militante da política local deixa o front, em plena batalha eleitoral.

Nunca fui amiga de Flávio Luiz, que foi vencido por este vírus infeliz e poderoso na noite de ontem (23). Sequer conversei com ele pessoalmente algum dia. Trocamos informações uma única vez pelo whats app sobre uma placa que o DENIT colocou, na Ponte Presidente Dutra, fazendo o território de Juazeiro menor. Assim que o juazeirense viu a reportagem aqui neste blog, correu para questionar à autoridade, a quem ele tinha fácil acesso, e o “equivoco foi solucionado”.

Nossas diferenças ideológicas não contaram, em nada, nesse gesto de defesa à Juazeiro. Nunca mais falei com ele, nem o vi de longe. Mas a placa demarcando os territórios de Juazeiro e Petrolina está agora no lugar justo e talvez, preciso. O doutor Flávio tinha em comum comigo o amor por Juazeiro.

Muito embora não tenha tido contato com ele, não o conhecesse, a não ser de fama, e lendo pelos rótulos que eu comprei dele, acompanhava seus posicionamentos políticos bem pemedebê de fazer parte de gestões diferentes, de grupos políticos diferentes e se manter vivíssimo na política de Juazeiro. “Quem Flávio Luiz vai apoiar?” era a surpresa assim que se anunciava algum pleito eleitoral. Todos o queriam, ao menos na articulação. Não sei se tinha votos. Hoje chego a pensar que o querer que este município desse certo, o levou a busca, muitas vezes julgada, até por mim, como “incoerente”, por algum projeto que representasse o juazeirense que ele era. Eu vivo nessa busca teimosa também.

Mas esse texto não nasceu da intenção de homenagear o Dr. Flávio, a quem eu jamais parei pra conversar. Tenho dificuldades com a hipocrisia e não sou daquelas que enaltece alguém só porque morreu. Se bem que já estou até pensando diferente. Por que não aliviar os defeitos (que todos nós temos) pelo menos na hora da morte? Já que passamos uma vida inteira sendo julgados, não é mesmo?

O que tive necessidade de refletir, como juazeirense que sou, com a partida para sempre do articulista político da minha terra, é que sua morte pode nos trazer alguma lição.

Não vale a pena perder afetos, pessoas da nossa história de vida, amigos, gente da família por causa de paixões políticas. O que devem valer é o respeito, a tolerância, a empatia. Logo isso vai passar e voltaremos a nos encontrar nos espaços da cidade, nos almoços de família, no nosso histórico escolar e fotos de infância. Saibamos respeitar as posições e escolhas alheias. E a não desqualificar às pessoas baseados na nossa régua.

Tudo passa. A vida passa. Somos seres espirituais vivendo uma realidade material, e não o contrário.

Achei bonito e me sensibilizou a atitude das coligações opositoras de Capitão Moreira (Avante), Coronel Anselmo Bispo (Cidadania), Paulo Bomfim (PT)  e Breno Raian (PSOL) de lamentarem e suspenderam seus compromissos de campanha, em virtude do falecimento do adversário. Sei que isso atende ao “pró-forma”, ao “ser de bom tom”.

Mas, se o sentimento de união e empatia pela morte do Dr Flávio for verdadeiro, que as campanhas sigam assim. Sem ódios, sem ataques, sem mentiras. Vamos findar este pleito respeitando e entendendo as preferências alheias e alhures.

A dor nos iguala. A morte nos leva ao pó. E fora disso, não há humanidade.

Descansa em paz, Dr Flávio! E agora, daí, do plano espiritual, emana toda energia pra que Juazeiro seja muito bem tratada. Que esta terra não seja devastada por aventureiros, despreparados, e salvadores da pátria, os que aparecem de 4 em 4, os que falam, falam, brigam pelo poder e …

Porque eu mereço e o senhor, nossos filhos e netos, merecemos.

Por Sibelle Fonseca

 

3 COMENTÁRIOS

  1. Lindo texto Sibelle. Eu como filha, agradeço em nome do meu pai. Que aprendamos com o covid com o que ele traz, a igualidade e a necessidade de valorizarmos o que de fato importa.
    Obrigada pelas generosas palavras.

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