Aos 77 anos, o idoso Jonas Alfredo de Santana aguarda há 15 dias por uma vaga no Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia. No último dia 5, ele deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento do município, com uma fratura no ombro, mas os exames e o tratamento médico não são realizados na unidade.
“Meu pai foi levado para a UPA após crise convulsiva. Ele foi diagnosticado com AVC pelo médico plantonista, e no dia seguinte percebeu-se uma fratura no ombro, devido à queda no momento da convulsão. Até a presente data ele ainda se encontra na UPA, sem realizar os exames e procedimentos necessários, pois o mesmo espera uma regulação para outro hospital”, relatou a filha do paciente, Jéssica Luanne de Santana.
Ela declarou ainda que a família já acionou o Ministério Público e que os direitos dos idosos não estão sendo cumpridos.
“Meu pai está há 15 dias a espera de uma vaga, com uma fratura, sem realizar tomografia para averiguar a situação do AVC, e sem os cuidados necessários a um idoso de 77 anos. Estamos aflitos com essa situação. Já acionamos também o Ministério Público, e foi informado que não há vagas. Eu liguei para a vara pública, fui informada que o juiz determinou hoje que fosse realizada a transferência. Os direitos dos idosos e também de cidadão, não estão sendo cumpridos”, finalizou.
A responsabilidade pelas regulações dos pacientes da região é da Central de Regulação Interestadual de Leitos, através da rede PEBA.
Em resposta ao PNB, o órgão informou que “de acordo com a avaliação da coordenação médica central estadual de regulação de leitos, o idoso não precisará de cirurgia, mas sim de acompanhamento ambulatorial”.
A CRIL informou ainda que “em relação ao atendimento clínico, onde a referência principal é o Hospital Regional de Juazeiro, ainda não autorizado devido a superlotação da unidade”.
O HRJ confirmou a superlotação do hospital à nossa equipe.
O PNB também entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Juazeiro. O órgão informou que “o paciente Jonas Alfredo de Santana vem recebendo todo o suporte medicamentoso e assistência das equipes multiprofissionais da UPA desde que deu entrada para atendimento. A unidade já solicitou à Central de Regulação Interestadual de Leitos (Cril) a transferência para o Hospital Regional, que é referência neste caso, mas a regulação foi negada por três vezes, com a justificativa de falta de vagas”.
Outros casos
De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia, “o tempo médio de espera na regulação é de até 72 horas, podendo se estender por falta de recursos ou de médicos especialistas”.
Porém, de acordo com diversas reclamações já recebidas pelo PNB, essa espera pode durar meses. Só entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, contamos as histórias de quatro pacientes que sofreram com a espera da regulação.
No dia 22 de novembro, Erineide da Mota, relatou o drama que sua família estava passando para conseguir uma regulação para a paciente Lucilia Conceição da Mota, 60 anos, moradora do João Paulo II, em Juazeiro, que na ocasião estava internada no Hospital Regional, há 49 dias.
A idosa é cega e sofre de diabetes. Ela foi internada na unidade hospitalar no dia 5 de outubro com complicações da doença. Após fazer um desbridamento, procedimento realizado para remover tecidos necrosados, ela teve um dedo do pé amputado e corria o risco de perder outro membro, caso não fosse transferida, contou a filha de Dona Lucila.
Relembre
No dia 27 de novembro, contamos o drama vivido pelo idoso Arlindo Evangelista da Silva, de 73 anos. Na época ele estava aguardando há quase uma semana por uma transferência hospitalar, para receber tratamento adequado. Segundo o filho do idoso, José Maceno da Silva, ele foi internado após sentir fortes dores, e o quadro aponta para uma pancreatite, havendo necessidade urgente de uma regulação para o Hospital Regional de Juazeiro.
Reveja
No dia 27 de novembro, também contamos a história da idosa Maria Rosália Ribeiro Nascimento, 73 anos, que focou mais de 20 dias internada na SOTE, aguardando uma regulação para o Hospital Universitário de Petrolina.
“A gente fica desesperado, sem saber o que fazer. É sofrido, é doído, para ela e para nós. Eu peço encarecidamente as autoridades que resolvam esta situação. Que a Secretaria de Saúde de Juazeiro tome uma providência. É uma vida, não importa a idade. Não temos condições de fazer particular. Já pesquisamos e esta cirurgia custa 70 mil reais. Não temos esse dinheiro. Que vocês olhem com amor para o próximo. Têm varias pessoas na mesma situação dela, que passou a vida inteira pagando impostos e na hora que precisa não tem assistência”, apelou a filha na época.
Veja
No dia 7 de dezembro, Karmem Silva, moradora do bairro João Paulo Segundo, relatou o drama que sua família estava vivendo, após a mãe sofrer uma queda e quebrar o fêmur. Internada no Hospital SOTE, em Juazeiro, desde o último dia 29 de novembro, Dona Ingraça de Deus da Silva, 74 anos, esperava por uma regulação.
De acordo com a filha, ela sofre com um câncer, já em metástase, há mais de 5 anos.
“Ela é paciente oncológica, faz tratamento de câncer há mais de 5 anos. Só que o caso dela se agravou, chegando a comprometer todos os ossos dela, e apresentando metástase. Quarta-feira passada, dia 29, andando, ela quebrou o fêmur, e foi quando levamos para SOTE. Desde então ela está lá, sentindo muita dor ,vive sedada pelos medicamentos por conta da dor “, relatou Karme Silva na ocasião.
Relembre
Da Redação PNB



