Com familiares e amigos mobilizados na frente do Fórum de Juazeiro para acompanhar o julgamento dos acusados pela morte do estudante Diogo Lira Ferreira, 16 anos, o Júri Popular foi adiado para segunda-feira, 21 de fevereiro, às 8h30.
De acordo com informações obtidas pelo PNB, a defesa dos acusados juntou um documento ao processo, e o juiz adiou o julgamento para que o Ministério Público tenha acesso e faça a análise.
Os acusados Eduardo Jorge Meireles, dono da ‘Caiaques do Vale’ e também do funcionário da empresa, Ramos Neto Costa, foram denunciados pelo Promotor de Justiça Raimundo Moinhos por homicídio qualificado, por motivo torpe. Moinhos considerou que há indícios que Eduardo Jorge Meireles e Ramos Neto Costa assumiram o risco contra a vida de Diogo. A família aguarda por este julgamento há três anos e cinco meses.
O estudante Diogo Lira morreu afogado no feriado de 7 de setembro de 2018, nas águas do Rio São Francisco, na Orla II de Juazeiro. Após a morte do garoto, a empresa ‘Caiaques do Vale’ continuou funcionando normalmente.
Relembre o caso
No dia 7 de setembro de 2018, Diogo saiu de casa para passear de caiaque no Rio São Francisco, com amigos, e não voltou mais para casa. Aos 16 anos, o jovem morreu afogado, nas proximidades da Orla II, de Juazeiro.
Diogo e mais dois amigos alugaram um caiaque e decidiram atravessar o rio em direção à Ilha do Fogo. Na volta, ainda no meio do rio, segundo contaram testemunhas, a embarcação chegou a virar duas vezes, o que teria chamado atenção do dono da empresa locadora, que teria mandado um funcionário em outra embarcação para alcançar os jovens e tomar o caiaque e também o colete salva-vidas, de acordo com testemunhas.
Segundo um amigo de Diogo, que estava no momento do afogamento, o funcionário estava irritado com o excesso de passageiros e pelo tempo limite já excedido, e obrigou que ele e Diogo entregassem os coletes e descessem dos caiaques. O amigo conseguiu se salvar nadando até a margem do rio. Diogo, que não tinha costume de nadar,, gritou por socorro, mas não teve a mesma sorte e morreu há metros da beira do rio.
Um dia trágico para Simone Lira, mãe do garoto, e para os irmãos e amigos de Diogo, que revoltados com as circunstâncias do afogamento, realizaram alguns protestos pedindo justiça.
Nos dois anos de morte do filho, Simone concedeu uma entrevista ao PNB e desabafou: “Meu filho não morreu afogado, ele foi morto pela irresponsabilidade e malvadeza de quem tomou o colete que salvaria sua vida, de quem o deixou a deriva no meio do rio, sem querer saber se ele sabia nadar ou não. Tomaram o caiaque e o colete. Foi um crime, um crime bárbaro”, desabafou a mãe.
Traumatizada, Simone Lira contou que os dias de 7 de setembro são de muita dor, tristeza e também de revolta.
“Eu perdi meu filho, minha vida acabou naquele sete de setembro. Me dizem que com o tempo eu vou esquecer essa tragédia, mas é como se fosse ontem. Adoeci e me sinto sem forças. Mas a vida de quem fez uma perversidade dessa continuou como se nada tivesse acontecido. Ele era um menino maduro para a pouca idade, muito responsável, mas também alegre e brincalhão. Era quem resolvia as coisas de casa para mim e todo dinheiro que ganhava fazendo bicos trazia pra casa para ajudar nas despesas. Ele era tudo pra mim, se preocupava comigo. Meu filho era obediente, calmo, querido pelos vizinhos e sonhava em se formar, trabalhar e ser alguém na vida”, lembrou a mãe.
Redação PNB



