Dói em minha alma a forma equivocada e até oportunista com que a sociedade passou a vivenciar o 8 de Março.
Parem de falar de produtos de beleza, perfumes, “jantar a dois”, esse dia jamais seria sobre romantismo.
Nesse dia, nós rememoramos lutas históricas das quais somos herdeiras de tantos avanços.
Nesse dia, como em tantos outros, combatemos o trabalho brutal, escravo, confinador e invisibilizado das mulheres nas cozinhas, nos tanques e no cuidado com os/as outros/as.
Nesse dia, protestamos contra o assédio sexual e moral que nos humilha e nos diminui no mundo do trabalho.
Nesse dia, lamentamos os feminicídios: choramos as mortes anunciadas por ausência de políticas públicas estruturantes capazes de explodir a cultura apodrecida, nefasta e opressora do patriarcado.
Nesse dia, gritamos contra a objetificação de nossos corpos.
Nesse dia, reflitam sobre o machismo adoecedor e ridículo. Ouçam músicas que reforcem versos de nossa liberdade e não da depreciação de nossos corpos.
Nesse dia, vejam filmes e documentários que suscitem debates inspiradores da superação da cultura patriarcal.
Nesse dia questionem a solidão materna, o desemprego das mulheres, a escassez de creches.
Socorro Lacerda, professora, escritora, membro da UBM-União Brasileira das Mulheres



