“Maior projeto híbrido eólico, placa solar, transformação social na vida das pessoas…”
Mais uma empresa (proporção gigante) pensada para desenvolvimento regional. Como assim mudar a vida das pessoas?
“Região historicamente conhecida pela seca e desertificação?” Como assim? A região tem outras características naturais positivas e diversidade de riquezas .
A diferença é que não existe vontade política para dimensionar positivamente as riquezas naturais, arqueológicas, minerais, culturais, turísticas, gastronômicas, outras vocacionadas (endógenas).
Destruir 50 mil hectares de vegetação, implantação de 500 aerogeradores, 1,5 milhão de placas solares. A pergunta que não quer calar? Se instalará em qual terreno? Começa por aí, comprou de quem? Se o INEMA concede licença ambiental, está regularizada, pelo menos pra esse podre sistema que instalou-se para a destruição rápida e certeira dos mananciais, fauna, flora, territórios tradicionais e da própria vida humana em vários aspectos.
Em três municípios que têm problemas de regularização fundiária secular, para esta empresa este problema não existiu!
O Inema concede licença ambiental. Alguém me esclarece por favor a IGNORÂNCIA, mas houve escuta da população que estará no entorno?
Quais compensações estão pactuadas para mitigar efeitos da destruição da caatinga? A matéria não evidencia…
Penso que este assunto deve ser pauta de diálogo da população, em no mínimo obter respostas que são de obrigação, tanto de governos, quanto da empresa. Primeiro como cidadania, segundo como oportunidade em contribuir com desenvolvimento regional com práticas sustentáveis (ESTOU SENDO INOCENTE OU PROVOCANTE?)
Como falar de crédito de carbono, se no mínimo 50 mil hectares estarão sendo destruídos. Não há crédito mas sim GRANDE CONTRIBUIÇÃO COM CONSEQUÊNCIAS DA EMERGÊNCIA CLIMÁTICA.
Dúvidas precisam ser esclarecidas. Afinal qual modelo econômico queremos para nosso território de identidade? Modelo excludente, concentrador, destruidor do meio ambiente, tensão social ? Ou queremos modelo econômico que inclui, distribui riquezas e seja socioambientalmente justo?
A existência da Agência nos impulsiona a certas atitudes corajosas, colaborativas transformadoras de realidades que trazem desconformidades com o planeta.
Estes 500 aerogeradores estarão a qual distância das comunidades (moradores) do entorno?
Obedecem à distância necessária para evitar os atuais problemas de insônia, ansiedade, depressão (entre outras coisas) na gente do lugar?
Quais condicionantes e medidas pactuadas para mitigar tais efeitos o INEMA pontua?
Fica esta reflexão para a sociedade de uma vez por todas se organizar. Para dizer não a modelos econômicos excludentes que trazem sofrimentos incalculáveis.
Decidir ações que podemos realizar para no mínimo dirimir tais dúvidas e identificar oportunidades; cobrar normativas atribuídas em Leis, através do acesso às tais condicionantes, por exemplo (obrigatoriedade).
Penso que a sociedade não pode mais ficar assistindo, enquanto sofre consequências danosas sem nada fazer, para enfrentar esta triste realidade de modos operacionais de implantação destas empresas em nossa região: ARTICULAR E REALIZAR AUDIÊNCIAS PÚBLICAS em nosso território é factível para debater, esclarecer e propor encaminhamentos que direcionem ações para possíveis soluções.
Repito: não sou contra modelo econômico de desenvolvimento, mas contrário ao atual modelo econômico adotado em nossa região; a qual tem excluído, concentrado renda e poder, provocado sofrimento às comunidades, contrário a ordem planetária de sustentabilidade .
Vivemos consequências climáticas no planeta oriundas de modelo econômico que destrói sem mitigar efeitos desta desordem em nome do mercado.
“Digo NÃO aos grandes empreendimentos e órgãos públicos que não estão em conformidade com práticas e normativas para equilíbrio social, econômico e ambiental.
Existem casos de sucesso?
Me informem para que eu não generalize minha fala.
Alguém conhece alguma exceção?
E você? O que pensa sobre sobre tudo isso?
Jomar Benvindo
Turismólogo.
Especialista em Tecnologias de Baixo Carbono.
Diretor de Desenvolvimento da SMAD PT JUAZEIRO (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento).


