Em nota, advogado denuncia caso de negligência e abuso de autoridade no cumprimento de alvará de soltura no Conjunto Penal de Juazeiro

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O advogado Oseas Alves, do escritório Alves & Ribeiro Advogados, divulgou uma nota pública nesta segunda-feira (07) para denunciar o que classificou como “reiterada negligência e abuso de autoridade” por parte da direção do Conjunto Penal de Juazeiro, na região Norte da Bahia.

De acordo com o relato, a unidade prisional teria descumprido uma ordem judicial de soltura expedida na última sexta-feira (04), mantendo um custodiado preso por mais de 50 horas após a emissão do alvará. O advogado também afirma ter sido tratado com grosseria e desrespeito por servidores do local ao tentar garantir o cumprimento da decisão judicial.

Leia abaixo a nota na íntegra:

Prezados(as) leitores(as),

Na qualidade de advogado — e, acima de tudo, de cidadão comprometido com o Estado Democrático de Direito — venho manifestar meu mais veemente repúdio à recorrente negligência e ao claro abuso de autoridade praticados pelo Presídio de Juazeiro-BA.

Na última sexta-feira, 04 de julho de 2025, às 10 h, o estabelecimento prisional recebeu alvará de soltura expedido pelo juízo competente, determinando a imediata libertação de um réu que, até então, se encontrava preso preventivamente. Passadas mais de 50 horas, chegamos a esta segunda-feira, 07 de julho de 2025, às 12 h, sem que a ordem judicial tenha sido cumprida. Este lamentável atraso não é fato isolado: trata-se de mais um capítulo de um histórico de descaso sistemático à autoridade do Poder Judiciário e ao direito fundamental à liberdade.

Cumpre ainda registrar que, ao entrar em contato com presídio para pleitear o cumprimento da decisão, fui recebido com grosseria, ausência total de cordialidade e flagrante falta de preparo por parte de alguns servidores. Tal postura demonstra não apenas incompetência administrativa, mas também profundo desrespeito ao exercício da advocacia, essencial à administração da justiça (art. 133 da Constituição Federal). A agressividade verbal e a recusa em fornecer informações transparentes agravam o cenário de violação de direitos — tanto do custodiado quanto de sua defesa técnica.

Não se trata apenas de um problema administrativo, mas de flagrante violação dos direitos humanos e do princípio da dignidade da pessoa humana. Manter alguém encarcerado além do tempo legal equivale à prisão ilegal, passível de responsabilização cível, administrativa e criminal dos agentes envolvidos.

À população de Juazeiro e região, reitero que o silêncio diante de casos assim significa avalizar práticas que corroem a confiança nas instituições. É nosso dever coletivo fiscalizar e exigir que o direito prevaleça sobre a arbitrariedade”.

Redação PNB

7 COMENTÁRIOS

  1. Tomara que os e as colegas de profissão desse advogado também tenham coragem e denunciem os abusos cometidos nesse e em outros locais que precisam fazer valer os direitos e a justiça.

  2. Essa postura,por parte do sistema penitenciário,demostra mais uma vez que,vivemos uma democracia caótica,capenga,os recursos e direitos estão na Constituição Federal, o descumprimento de ordem judicial,Caracteriza violação contra o estado de direito,afronta às instituições do judiciário,Lamentável.

  3. O presídio de Juazeiro precisa respeitar e garantir os comprimentos legais da justiça, e respeito com os advogados que estão fazendo o seu papel de direito em comprimento do seu dever…

  4. Tem quem chamar a população para fazer o Registro de Boletim de Ocorrência pela prática do crime de abuso de autoridade ( Lei n. 13869/21, Art. 12, IV). Se cada um que vítima desse crime fizer sua parte daqui um pouco esse Diretor desse presídio sofrerá as consequências dos seus atos.

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