“Política vs Politicagem: a distinção necessária para o futuro do Brasil”, por Rubnério Araújo Ferreira

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No exercício da minha profissão como advogado e na minha vivência como cidadão baiano, percebo que uma das maiores feridas da nossa sociedade nasce de uma confusão linguística e conceitual: a incapacidade de distinguir política de politicagem. Frequentemente, ouço pessoas dizerem que “odeiam política” ou que “política não se discute”. No entanto, o que elas geralmente repudiam não é a política em si, mas a sua deturpação.

A Nobreza da Política
A política, em sua essência mais pura, é a arte do diálogo e a gestão do bem comum. É a ferramenta que utilizamos para organizar a vida em sociedade, definir prioridades orçamentárias, garantir direitos fundamentais e estruturar a justiça. Sem a política, estaríamos sob o domínio da força bruta.

Quando discutimos o preço do combustível na bomba em Juazeiro, a qualidade da saúde em Salvador ou os direitos trabalhistas previstos na CLT, estamos fazendo política. Ela é o oxigênio das instituições democráticas e o único caminho legítimo para a transformação social.

O Câncer da Politicagem
A politicagem, por outro lado, é o oposto exato. Ela não busca o bem comum, mas o benefício próprio, o clientelismo e o favorecimento de grupos restritos. A politicagem é o terreno da troca de favores escusos, das promessas vazias e do uso da máquina pública como se fosse propriedade particular.

Enquanto a política constrói pontes e hospitais, a politicagem constrói esquemas. Enquanto a política debate ideias, a politicagem destrói reputações. É essencial que o brasileiro compreenda que a politicagem sobrevive justamente do afastamento do cidadão de bem. Quando nos omitimos da política por “nojo”, deixamos o caminho livre para que os “politicantes” ocupem todos os espaços.

A Responsabilidade do Cidadão Brasileiro
Como operador do Direito, entendo que as leis são o esqueleto de uma nação, mas a política é o que lhe dá vida e movimento. Não basta apenas conhecer a letra da lei; é preciso entender quem a escreve e por que a escreve.

A compreensão política é um dever cívico. Saber a diferença entre esses dois conceitos permite que o eleitor identifique o estadista e descarte o oportunista. Significa entender que o voto não é um favor nem uma mercadoria, mas uma procuração com poderes para decidir o nosso futuro e o de nossos filhos.

Conclusão
Precisamos resgatar a dignidade da política brasileira. Isso começa no momento em que cada um de nós assume o papel de fiscal e participante ativo. Não permita que o desânimo causado pela politicagem o impeça de exercer a sua força política.

O Brasil que sonhamos — mais justo, ético e próspero — não será construído por quem se omite, mas por aqueles que, compreendendo a mecânica do poder, escolhem a política como instrumento de justiça e a ética como bússola de suas ações.

Por Rubnério Araújo Ferreira

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