Simepe aponta problemas estruturais, falta de insumos e sobrecarga em UBSs de Petrolina após série de visitas

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O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) iniciou no último dia 19, uma série de visitas a unidades de saúde de Petrolina, no Sertão do Estado, para acompanhar as condições de trabalho dos profissionais e a assistência oferecida à população. Segundo o sindicato, as primeiras visitas identificaram problemas estruturais, falta de equipamentos e insumos, além de uma sobrecarga provocada pela alta demanda de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Conforme as informações, a iniciativa é conduzida pelos diretores do Simepe Robson Miranda e Rodrigo Rosas, que, de acordo com a entidade, estão ouvindo profissionais e levantando as principais dificuldades encontradas na rede municipal. Na quarta-feira (19), a primeira unidade visitada foi a UBS Amália Granja de Alencar, no bairro Vila Mocó, onde, segundo o Simepe, foram identificadas infiltrações, presença de mofo e rachaduras na estrutura.

Ainda de acordo com o sindicato, a unidade recebe um número elevado de pacientes por demanda espontânea, incluindo pessoas que procuram atendimento considerado de urgência e emergência. Na avaliação da entidade, esse cenário sobrecarrega a UBS e interfere na rotina da atenção básica.

Durante a visita, também foram relatados ao sindicato problemas relacionados à realização de exames,.já que, segundo o Simepe, há grande espera por exames complementares, como ultrassonografias, raios-X e endoscopias, além de dificuldades para acesso a procedimentos de maior complexidade, como tomografias e ressonâncias magnéticas.

Na tarde do mesmo dia, os diretores estiveram na UBS Bernardino Campos Coelho, no bairro Vila Eduardo. De acordo com o Simepe, a unidade apresentou um cenário semelhante, com infiltrações e mofo.

O sindicato afirma ainda que o forro de gesso e a porta do laboratório da unidade teriam caído há vários meses e, conforme os relatos recebidos durante a visita, ainda não teriam sido reparados.

A realização de atendimentos de urgência e emergência dentro da própria UBS também foi apontada como motivo de preocupação. Segundo os relatos colhidos pelo sindicato, muitos pacientes procuram diariamente a unidade em busca desse tipo de atendimento, o que estaria interferindo na rotina da atenção básica.

Para o diretor do Simepe Robson Miranda, a situação demonstra a necessidade de uma estrutura específica para atender as demandas de urgência e emergência do município.

“A atenção básica precisa ter condições de cumprir o seu papel. Quando uma UBS passa a absorver a demanda de urgência, toda a lógica do atendimento fica comprometida. É preciso discutir com responsabilidade a estrutura de urgência e emergência de Petrolina, com a implantação de pronto-socorro e de UPA municipais que possam receber adequadamente esses pacientes e dar suporte à rede”, destacou.»

Já na quinta-feira (20), o Simepe deu continuidade às visitas e durante a manhã, os diretores do Simepe percorreram as UBS Amaro Ivaldo de Castro Alves, Beatriz Luz de Alencar Rocha, Lia Bezerra e São Jorge, na área urbana de Petrolina. Segundo o sindicato, durante a chamada “escuta ativa” dos profissionais, foi identificado um cenário de sobrecarga, com o volume de demandas espontâneas ultrapassando, em diferentes momentos, a quantidade de atendimentos previamente agendados.

Ainda de acordo com o Simepe, foram encontrados problemas de infraestrutura, como infiltrações, vazamentos e mofo. Em uma das unidades visitadas, os diretores também teriam encontrado esgoto a céu aberto e acúmulo de lixo nas proximidades. O sindicato afirma que os profissionais também relataram dificuldades enfrentadas pelos pacientes para conseguir realizar exames, desde procedimentos laboratoriais até exames de imagem.

“É inadmissível que profissionais médicos e a população sejam submetidos a uma realidade como essa. Estamos falando de unidades que deveriam oferecer atendimento com segurança, estrutura e condições adequadas, mas que apresentam problemas básicos de infraestrutura e uma demanda que ultrapassa a capacidade de resposta. Quem está na ponta sente diariamente os efeitos desse abandono”, declarou Robson Miranda.

Ainda na quinta, os representantes do sindicato estiveram nas UBS Dr. Manoel Possídio, no bairro Areia Branca, e Roza Maria Ribeiro, no bairro Gercino Coelho.

Segundo o sindicato, nessas unidades foram identificadas irregularidades principalmente relacionadas à sobrecarga de trabalho. A entidade afirma que a alta demanda de atendimentos espontâneos e o número de usuários vinculados às equipes, acima da capacidade considerada adequada, estariam dificultando o trabalho dos profissionais.

O Simepe também relata que problemas semelhantes foram observados em diferentes pontos da rede municipal, como quantidade insuficiente de computadores, ausência de impressoras e falta de equipamentos necessários para o trabalho.

Além disso, conforme os relatos colhidos pelo sindicato, também haveria falta de insumos e medicamentos nas unidades visitadas. Para a entidade, essas condições prejudicam o trabalho dos profissionais e impactam diretamente a qualidade da assistência prestada aos usuários da rede municipal de saúde.

Outro problema apontado durante as visitas foi a adoção de um sistema de cotas para exames laboratoriais. Segundo o Simepe, os relatos recebidos indicam que essa medida estaria restringindo o acesso da população aos exames necessários.

Diante das situações identificadas nas visitas, o Simepe informou que médicos de Petrolina aprovaram, por unanimidade, em reunião realizada pelo sindicato, o início de uma campanha de divulgação sobre a situação da saúde municipal. Segundo a entidade, a campanha terá como objetivo dar visibilidade aos problemas encontrados nas unidades e ampliar o debate público sobre as condições de atendimento oferecidas à população.

O Simepe afirma ainda que a precariedade da infraestrutura, a falta de equipamentos essenciais, o mofo, as infiltrações e o que classificou como subdimensionamento das equipes fazem parte da realidade enfrentada por profissionais e usuários da rede municipal.

O sindicato também declarou que os problemas não seriam casos isolados e que tem buscado diálogo com a gestão municipal para apresentar as demandas da categoria e discutir soluções. Segundo o Simepe, porém, ainda não teria sido possível estabelecer um diálogo efetivo que permitisse avançar na resolução das situações identificadas.

As visitas às unidades de saúde devem continuar, de acordo com o sindicato. A entidade informou que seguirá ouvindo os profissionais, reunindo informações e cobrando das autoridades competentes medidas para enfrentar os problemas apontados.

O Portal Preto no Branco encaminhou as denúncias apresentadas pelo Simepe à Prefeitura de Petrolina em busca de um posicionamento.

Redação PNB

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