A família de uma paciente de 76 anos, internada há mais de 20 dias no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), procurou o Portal Preto no Branco para denunciar o que considera uma sequência de problemas durante o atendimento da idosa. Segundo o relato, ela é diabética, estaria desorientada e aguarda a realização de exames e de um procedimento no dedo.
“Ela entrou com encaminhamento do médico do postinho, que viu a necessidade de um procedimento no dedo, inclusive com possibilidade de amputação, e até hoje nada.Segundo o hospital ela teria de fazer uma ultrassom, foi realizado depois de 15 de internamento, a médica do setor pediu parecer do médico vascular, que solicitou outro exame, esse mais invasivo, em bloco cirúrgico”, contou a familiar.
A familiar conta que o exame chegou a ser marcado, mas não foi realizado por causa de uma dificuldade relacionada ao acesso venoso da paciente.
“Ela realmente é ruim de acesso venoso por causa de tudo que já passou. O exame estava marcado, mas disseram que o calibre do acesso não estava de acordo com o ideal. Não fizeram a troca em tempo hábil, o médico foi embora sem realizar o exame e até hoje não fizeram”, relatou.
Segundo a família, a paciente já passou por três amputações no próprio Hospital Regional de Juazeiro e, por isso, o atual quadro tem causado ainda mais preocupação.
“Ela é diabética, está desorientada e já fez três amputações lá no Regional. A gente fica angustiado vendo uma pessoa com esse histórico passar tantos dias internada sem conseguir fazer o procedimento que precisa”, afirmou.
A família também relata dificuldade de acesso doaos medicamentos utilizados pela paciente.
“Ela está fazendo medicação de uso próprio porque disseram que não tinham algumas medicações lá. A gente não entende como uma paciente internada precisa ficar usando medicamento que trouxe de casa porque o hospital não tem”, disse a familiar.
Otro ponto considerado grave pela família são os supostos erros na administração de medicamentos.
“Está um caos. Os funcionários estão sobrecarregados e, segundo o que estamos vendo, estão acontecendo trocas de medicação. Ela mesma recebeu um puff para o pulmão que era de outra paciente. E uma medicação que era dela foi feita em outro paciente. Você fica com medo. Se a medicação de uma paciente está indo para outra pessoa e vice-versa, como a gente vai ter segurança de que estão dando o medicamento certo para quem precisa?”, questionou.
As condições de higiene e a falta de materiais também são citadas na denúncia.
“Tem cadeira de banho suja de fezes. É uma coisa que você não espera encontrar dentro de um hospital. Além disso, lençol lá está como ouro. Os pacientes têm que lutar por um. A cama dela chegou a ser forrada com uma toalha de banho porque não tinha lençol”, contou.
A familiar também reclama da dificuldade de conseguir respostas da administração quando os problemas são apresentados.
“Quando a gente vai falar, mandam passar um papel. É como se você tivesse que se virar. A gente registra, mas precisa de uma solução, principalmente quando se trata de uma pessoa idosa, diabética e que está internada há mais de 20 dias”, desabafou.
Para a família, a situação ultrapassou o problema individual da paciente e revela dificuldades que estariam atingindo outros internados.
“A gente está vendo outros pacientes passando pelas mesmas dificuldades. É uma situação muito triste para quem está ali acompanhando um familiar doente”, afirmou.
Encaminhamos a situação para o HRJ e aguardamos uma resposta.
Redação PNB



