Diretora do DCH relembra trajetória do jornalista Luiz Manoel: “Reconhecimento público de sua vida e dedicação ao jornalismo”

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A jornalista Andrea Santos, Diretora do Departamento de Ciências Humanas (DCH), em um texto de homenagem reconheceu o legado de Luiz Manoel que morreu neste sábado (12) e relembrou a trajetória profissional do jornalista referência para profissionais da imprensa do Vale do São Francisco.

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Ao Jornalista, Luiz Manoel, nosso reconhecimento pelo legado e pela profissão
Hoje, 13 de setembro de 2026, a cidade de Juazeiro se despede de Luiz Manoel Guimarães, jornalista, pai, avô, contador de estórias, profissional atento que acompanhou as principais mudanças do jornalismo baiano nos anos 1970 e 2010.

Para mim, foi sempre o amigo Senhor Luiz, que depois ficou Seu Luiz Manoel, como costumava chamar. O Senhor foi se perdendo por obra e graça dele. Pois, dizia: “Menina, Senhor está no céu, sou apenas Luiz da Remanso Velha”. Ouço dizer, o jovem Luiz Manoel, que presenciou a velha Remanso ser invadida pelas águas do Velho Chico, atracou em Salvador, para aportar na mais tradicional redação do jornalismo baiano: A Tarde.

Esse feito é histórico. Na década de 1970, um jovem ribeirinho migrar para a capial do Estado e estudar Jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA) era uma conquista que poucas pessoas conseguiram, pois pertenceu a uma das primeiras gerações de profissionais formados. Morou em pensão, precisou fazer os pingados como costumava dizer e, sobretudo, manteve os princípios que nunca o abandonaram: a simplicidade, a gentileza, ética e a integridade de homem ribeirinho, nascido na Velho Remanso. Trabalhou no Diário de Notícias, Tribuna da Bahia e na assessoria da UFBA. Um dia, Florisvaldo Matos, e redator do A Tarde, o chamou: vai aparecer uma vaga no jornal, compareça e veja o que vai dar. Luiz foi e ingressou no mais tradicional veículo baiano.

No A Tarde, acompanhou de forma privilegiada, a chegada da tecnologia na redação de um jornal impresso e as principais mudanças no cenário econômico baiano. Cobriu a implantação do Polo petroquímico baiano, em 1978, e testemunhou as mudanças econômicas, o cotidiano e a urbanização da capital de Salvador. Como Luiz Manoel dizia: parecia que, enfim, tinha se descoberto que o dinheiro jorrava, como Petróleo no deserto.

Foi no A Tarde também que fez amizade com o diretor Jorge Calmon, Florisvaldo Matos, Heloisa Matos, Vitor Hugo Soares, Luiz Guilherme Pontes Tavares, uma geração que acompanhou a resistência do A Tarde para se manter como principal impresso baiano.
Ribeirinho, Luiz Manoel retornou para Juazeiro.

Foi responsável pela representação do A Tarde, em Juazeiro, diretor da sucursal e registrou os principais acontecimentos do norte da Bahia para a capital. Foi aqui também que ajudou a reportar o crescimento da economia do norte da Bahia, a festa do Melão e a Fenagri para todo o Brasil.

Ao rememorar essa trajetória de Luiz Manoel, faço como um reconhecimento público de sua vida e dedicação ao jornalismo. Por vezes, conversávamos sobre esse tempo durante almoço no tradicional Macaxeira aos sábados, nas visitas a sua casa. Porém, ele gostava mesmo era de conversar sobre o cotidiano de Juazeiro, como alguém que acompanhou de perto as mudanças na cidade.

Seu Luiz Manoel deixa lembranças e saudade. Do jornalismo, preferia deixar o passado como memória. Dizia que o jornalismo agora era das novas gerações, pertencia a filha, jornalista Inês Guimaraes, do genro Emerson Rocha. Preferia falar dos cinco filhos, Alessandra, Eduardo, Inês, Luiz Henrique e Lucas e os netinhos Pedro, e os quatro netos Julia Maria, João Davi, Pedro e Stella, pelos quais tinha amor, cuidado e se orgulhavam das profissões que seguiram.

Mas, aqui, fica o testemunho de alguém que admirava o jornalista Luiz Manoel, o amigo, o pai e avô. Que possamos, em outros momentos, contar sua história no jornalismo e estórias. Suas andanças e conversas com amigos em Juazeiro e na velha Remanso.

Neste ano, em abril de 2026, o Departamento de Ciências Humanas, da UNEB, o homenageou com o Prêmio Carrancas de Jornalismo, reconhecendo como um homem de imprensa que deixou uma contribuição inestimável.

Esperamos seguir o seu exemplo de ética e integridade na profissão. Siga em paz, amigo Luiz Manoel, nosso abraço sincero e gratidão pela amizade.

Andrea Cristiana Santos, jornalista e Diretora do Departamento de Ciências Humanas (DCH)

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