Sob a liderança de Hertz Felix, superintendente de Cultura da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes de Juazeiro, o festival reúne artistas, emociona o público e marca um novo capítulo para as artes cênicas do município.
Há acontecimentos que ultrapassam a programação de um evento e passam a fazer parte da história de uma cidade. O 1º Festival Nacional de Teatro Wellington Monteclaro, realizado em Juazeiro, entre os dias 18 e 23 de outubro, foi um desses momentos. Durante cinco dias de intensa efervescência cultural, o teatro voltou a ocupar o lugar que merece na vida da cidade, reunindo artistas, plateia, memória, resistência e esperança em torno de uma das expressões mais profundas da sensibilidade humana: a arte de representar a vida.
Foram dez espetáculos, diferentes linguagens, múltiplas vozes e a presença de artistas de Juazeiro, de outras cidades baianas e de outros estados brasileiros. No palco do Centro de Cultura João Gilberto, histórias ganharam corpo, personagens despertaram emoções e a força do teatro reafirmou aquilo que nunca deveria ser esquecido: uma cidade que valoriza sua arte valoriza também sua identidade, sua memória e sua capacidade de sonhar.
Mais do que uma sequência de apresentações, o festival representou um sinal de renovação. Foi o início da retomada de que tanto precisava o teatro juazeirense, historicamente sustentado pela persistência de seus artistas e pela paixão daqueles que resistem às dificuldades para manter viva a arte dos palcos. Quando as cortinas se abrem, não é apenas o espetáculo que começa. Abrem-se também caminhos para novos talentos, reencontros entre gerações e possibilidades para quem escolheu a arte como ofício, vocação e forma de existir.
Dar ao festival o nome de Wellington Monteclaro é reconhecer a importância de um multiartista que deixou marcas na história cultural de Juazeiro e do Vale do São Francisco. Sua trajetória permanece como referência para aqueles que compreendem a cultura não como adorno, mas como parte essencial da vida de uma comunidade. A homenagem ganhou ainda mais significado com a valorização de sua memória e de sua produção artística, incluindo a exposição de suas obras, reafirmando a importância de preservar e compartilhar o legado de quem ajudou a construir a identidade cultural da região.
Ao lado das apresentações teatrais, a feirinha de artesanato ampliou o alcance da programação, aproximando diferentes expressões artísticas e valorizando também o trabalho dos artesãos. Foi uma celebração que ultrapassou os limites do palco, promovendo o encontro entre linguagens, saberes, gerações e públicos. Afinal, a cultura pulsa na interpretação de um ator, na criação de um artista plástico, nas mãos de um artesão e no olhar emocionado de quem reconhece, na arte, algo de si mesmo.
Celebrar Wellington Monteclaro é dizer que a memória de um artista não deve permanecer guardada apenas nas lembranças de seus amigos e admiradores. Ela precisa circular, ser compartilhada, inspirar novas criações e alcançar as gerações que ainda estão descobrindo a riqueza da cultura local. É um gesto de reconhecimento e justiça cultural, uma afirmação de que aqueles que contribuíram para a história artística de uma cidade não serão esquecidos enquanto houver quem compreenda o valor de sua obra.
Nesse movimento de valorização e renovação, merece destaque a atuação de Hertz Felix, superintendente de Cultura da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes de Juazeiro. Baluarte da arte teatral juazeirense, Hertz tem sua trajetória ligada à defesa e à valorização das artes cênicas. Sua atuação na condução desse importante encontro cultural representa o compromisso de quem compreende que o teatro precisa de espaço, incentivo, articulação e oportunidades concretas para continuar florescendo.
Realizar um festival dessa dimensão exige capacidade de mobilização, diálogo com os artistas, planejamento e, acima de tudo, paixão pela cultura. Sob a condução de Hertz Felix, o evento assumiu o significado de um reencontro de Juazeiro com sua vocação teatral, reunindo diferentes produções e criando condições para que artistas e público compartilhassem experiências, emoções e reflexões.
A liderança de Hertz Felix merece ser reconhecida justamente porque a cultura se constrói com trabalho, persistência e compromisso. Cada espetáculo apresentado, cada artista que subiu ao palco e cada pessoa que ocupou a plateia fizeram parte desse movimento de retomada. São iniciativas como essa que ajudam a manter viva uma tradição artística e abrem perspectivas para que novas gerações encontrem no teatro um espaço de expressão, aprendizado e transformação.
É igualmente fundamental destacar o papel da Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes, no apoio à realização do festival. A participação do poder público é decisiva para que iniciativas dessa natureza se concretizem e alcancem a população. Quando a gestão cultural cria oportunidades para a produção e a circulação artística, contribui para democratizar o acesso à cultura, fortalecer os profissionais do setor e reconhecer a arte como um direito de todos.
A atuação da Secretaria, em sintonia com a condução cultural de Hertz Felix, demonstra a importância de transformar o reconhecimento da cultura em ações concretas. O festival não foi apenas uma programação de espetáculos: foi uma oportunidade de movimentar a economia criativa, valorizar os artistas, fortalecer a memória cultural e reafirmar o lugar do teatro na vida de Juazeiro.
O desafio, agora, é fazer com que a energia desses dias se transforme em continuidade. Que o festival seja o início de uma política duradoura de fortalecimento das artes cênicas, com novas edições, incentivo aos grupos locais, formação artística, circulação de espetáculos e ocupação permanente dos espaços culturais. Juazeiro precisa de palcos vivos, artistas valorizados e plateias cada vez mais numerosas.
A programação reuniu dez espetáculos de diferentes origens e propostas estéticas, evidenciando a diversidade da produção teatral brasileira. Entre os trabalhos apresentados estiveram Virgens à Deriva, Sobre Nós, Scarlet, Peste, Quebranto, Mulher em Busca, Drumond Confabulações Sertanejas, O Cego e o Louco, Dom Casmurro e Balada de um Palhaço. Cada montagem trouxe ao público uma experiência singular, reafirmando a capacidade do teatro de provocar sentimentos, questionar certezas e ampliar nossa compreensão do mundo.
O encerramento, no dia 23 de outubro, contou com a participação do ator Déo Garcez, que apresentou o espetáculo Luiz Gama: Uma Voz Pela Liberdade. A apresentação acrescentou ao festival uma reflexão sobre memória, justiça, liberdade e enfrentamento ao racismo, demonstrando como o teatro pode revisitar a história e provocar questões urgentes no presente.
A presença de Déo Garcez conferiu destaque especial ao encerramento e reforçou a dimensão artística e simbólica da iniciativa. O teatro é também esse espaço de encontro entre a experiência individual e a consciência coletiva, no qual as histórias de ontem ajudam a compreender as lutas de hoje. Ao reunir artistas de diferentes trajetórias e aproximar o público de diversas linguagens cênicas, o festival cumpriu uma função essencial: fazer da cultura um lugar de diálogo, pertencimento e transformação.
Ao chegar ao fim, o Festival Wellington Monteclaro deixa uma mensagem que não cabe apenas nos registros fotográficos ou nas lembranças de quem esteve na plateia. Deixa a certeza de que Juazeiro tem uma história teatral que merece ser preservada e um futuro artístico que precisa ser cultivado.
Foram dias de emoção, encontros, aplausos e reafirmação de um compromisso coletivo. Cinco dias de efervescência que demonstraram como a arte continua capaz de mobilizar uma cidade e renovar esperanças. Uma homenagem à memória de Wellington Monteclaro, um reconhecimento aos artistas que mantêm viva a cena cultural e um sinal de que a retomada do teatro juazeirense pode ganhar novos capítulos.
É preciso reconhecer e agradecer a todos que trabalharam para que essa iniciativa se tornasse realidade: artistas, produtores, técnicos, equipes de organização, artesãos, parceiros e público. Nesse esforço coletivo, destacam-se a liderança de Hertz Felix, superintendente de Cultura da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes, e o apoio institucional da Prefeitura de Juazeiro, por meio da própria Secretaria, fundamentais para a realização desse encontro com a arte.
Que essa experiência seja o ponto de partida para uma nova etapa. Que os palcos continuem ocupados, que os grupos encontrem condições para criar, que os jovens descubram no teatro um caminho de expressão e que a população tenha cada vez mais oportunidades de participar da vida cultural da cidade. Que a memória de Wellington Monteclaro continue inspirando artistas e que o trabalho de quem luta diariamente pelo teatro encontre o reconhecimento e o apoio necessários para seguir adiante.
O Festival Wellington Monteclaro mostrou que a cultura não pode depender apenas do entusiasmo de alguns dias. Ela precisa de continuidade, compromisso e políticas públicas capazes de sustentar o trabalho artístico ao longo do tempo. A chama reacendida em outubro precisa permanecer acesa nos meses seguintes, nos projetos que virão, nos espetáculos que ainda serão criados e nos espaços que voltarão a receber o público.
Vamos manter viva essa chama!
Porque o teatro não termina quando as cortinas se fecham. Ele continua na memória de quem assistiu, na inquietação de quem interpretou, na esperança de quem está começando e na responsabilidade de todos aqueles que sabem que a cultura é indispensável para a alma de um povo.
Que venham novas edições, novos encontros, novos espetáculos e novas emoções. Que o Festival Wellington Monteclaro siga crescendo, honrando o passado, celebrando o presente e abrindo caminhos para o futuro.
Viva o teatro juazeirense! Viva a memória de Wellington Monteclaro! E que a chama da arte jamais se apague em Juazeiro!
Por João Gilberto Guimarães Sobrinho, sociólogo, historiador, escritor e produtor cultural.



