Nos 122 Anos de Petrolina, conheça aspectos da trajetória da História da Imprensa no Município

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O Sertão: Digitalizado a partir do acervo pessoal da professora Elisabet Moreira.

 

Petrolina é uma cidade pernambucana de características peculiares, localizada à margem esquerda do Rio São Francisco, em uma região intitulada de Vale do São Francisco. Faz divisa com Juazeiro, na Bahia, e possui vocação econômica para a agropecuária com ênfase na fruticultura irrigada.

Conhecida em seus primórdios como “Passagem por Joazeiro”, Petrolina, em 25 de abril de 1893, se tornou município autônomo, desligando-se do Município de Santa Maria da Boa Vista e, em 21 de setembro de 1895, ocorreu a instalação da cidade de Petrolina, data oficial de sua emancipação política. Dois anos depois de se tornar cidade, no dia 1º de junho de 1897, surgiu em Petrolina o jornal A Fênix, dando início à imprensa no município, conforme consta no livro da radialista Marta Luz (1995, p.57). O jornal teve vida efêmera e não consta informação
das notícias retratadas. Em 15 de novembro de 1912, foi lançado pelo Coronel João Clementino de Souza Barros o jornal O Trabalho. E em 13 de outubro de 1913, surgiu o semanário O Comércio, dirigido por João Batista de Aragão. Três anos depois, começaram a circular O Popular, de José Fernandes da Silva e Teso Santana; em 16 de
junho de 1918, circulou A Palavra, e em 15 de outubro de 1923, O Alicate, humorístico dirigido por J. Fernandes e Antônio Padilha, e em 1926, A Tribuna, por Francisco de Barro (PADILHA, 1982).

Contudo, o periódico mais importante e com maior periodicidade foi O Pharol, que se intitulava “Orgam noticioso e de interesses regionaes”, do estudante João Ferreira Gomes, lançado em 7 de setembro de 1915. Mais conhecido como Seu Joaozinho do Pharol, João Ferreira Gomes é o grande patrono da imprensa petrolinense, pois foi tipógrafo e jornalista na maior parte do tempo até o dia em que o jornal deixou de circular, em 1989, após 74 anos de circulação. Sobre o jornal, Corrêa e Cavalcanti (2008) enfatizam que “as fontes de maior visibilidade no jornal eram os políticos, coronéis‟, magistrados, comerciantes, religiosos e pessoas da sociedade (médicos e professores, por exemplo)”. Todavia, diferente de O Sertão, O Pharol relatava acontecimentos sindicais, como em sua edição de 7 de setembro de 1939 que relatou a notícia “O Syndicalismo em Petrolina”.

Em 17 de junho de 1934, O Pharol publicou artigo intitulado “A antevisão maravilhosa de uma futura grande cidade industrial do Brasil” (Petrolina), de autoria do paulista professor Queiroz Telles do Instituto Biológico da Universidade de São Paulo, demonstrando que o jornal trazia visões externas acerca da realidade local, além de
noticiar acontecimentos de relevância nacional e internacional.

Na trajetória da imprensa, destaca-se, em 21 de agosto de 1943, a instalação do Serviço de Alto falante de Petrolina (SAP), empreendido pela Diocese na pessoa de Dom Idílio. O SAP revelou a primeira locutora petrolinense, Joselita de Souza Mangabeira, a primeira mulher a exercer a função de locutora na Emissora Rural A Voz do São Francisco, em 1962.

Fundada por Dom Antônio Campelo Aragão em 28 de outubro de 1962, a Emissora Rural foi criada com o objetivo de difundir a evangelização e o humanismo. No histórico da emissora, são relatadas as dificuldades enfrentadas, principalmente no período do golpe militar, onde havia muita pressão devido a veiculação do programa do Movimento de Educação de Base (aulas através do rádio), com professoras e monitoras espalhadas por toda a região. O programa foi veiculado durante cinco anos, e tinha como meta ensinar ao homem do interior a ler e a escrever.

Petrolina viveu neste período uma efervescência cultural, celebridades do mundo artístico utilizaram as ondas da Emissora Rural para apresentar os seus trabalhos, dentre eles destacam-se: Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Caubi Peixoto, Altemar Dutra, o teatrólogo Plínio Marcos, Claudionor Germano e Nelson Ferreira. Ainda dentro do contexto do jornalismo escrito, surgiu em 6 de junho de 1949 o jornal Cristo Rei, publicado pela Diocese e fundado por Dom Avelar Brandão Vilela. Eram articulistas o Padre Honório Rocha, Hermano Barros, Padre Gilberto Lopes e o fundador de O Sertão, Cid Carvalho. Com a iniciativa do Serviço de Alto falante, o jornal Cristo Rei e a Emissora Rural, a Igreja Católica já demonstra forte presença nos meios de comunicação local.

O jornalismo social também se fez presente na trajetória da imprensa. Em 31 de maio de 1968, foi lançada a revista Com Você, Crônica Social de Inah Torres. Em 23 de abril de 1979, é lançado o jornal Folha de Petrolina, em 1979; O Tribuna do Sertão, em 28 de abril de 1979. No dia 8 de agosto de 1981, surgiu o semanário Jornal de Petrolina, de
Antonio Carlos Moura, que se destacou por trazer algumas notícias críticas sobre a política na região.

Percebe-se, em um curto período de tempo, uma profusão de jornais, decorrente do próprio processo de construção política dos cidadãos e das empresas jornalísticas no período de transição entre o final do regime militar e a caminhada lenta e gradual para a redemocratização.

Em 8 de fevereiro de 1985, ressurgiu o jornal O Sertão, objeto de estudo deste artigo, e lançado anteriormente em 1949. O jornal dessa vez é comandado por Luciano Barbosa. No dia 4 de janeiro de 1991, é lançado o jornal O Tempo, e em 19 de janeiro de 1993, morre o jornalista João Ferreira Gomes, fundador de O Pharol. Em 1997, surge o jornal
Gazzeta do São Francisco, que até hoje circula na cidade, de propriedade de Eudes Celestino.

Por Juliano Ferreira

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