O 8 de março, diferente de outras datas comemorativas, não foi criado pelo comércio. O dia Internacional das Mulheres nasceu da história de luta e resistência das mulheres.
Em 1857, centenas de operárias morreram queimadas por policiais em uma fábrica têxtil, em Nova York. Elas reivindicavam redução da jornada de trabalho e o direto à licença-maternidade. Em 1911, em homenagem às vítimas, a data foi instituída.
Findando este 8 de março de 2018, pouco ouvi falar da origem brutal da data. Mas o dia de hoje foi marcado por cartões, mensagens nas redes sociais, presentes e sonoros “parabéns”! Muitas ganharam flores e homenagens especiais.
Todo ano esta rotina se repete e o comércio ponga, inovando nas estratégias de exploração da data.
É preciso que se respeite as mulheres consumidas pelo fogo lá em 1857, as trabalhadoras grevistas, e transforme este em um dia de reflexão.
Revisitando conquistas, perdas, avanços, retrocessos e se munindo de atrevimento e coragem para um longo e tortuoso caminho que temos pela frente.
É preciso lembrar que nós, mulheres continuamos sufocadas pela feia fumaça do machismo, que também oprime, agride, queima, tortura, sufoca, aponta, julga, limita, submete, desqualifica, destrói, espanca a alma e mata. Essa é a realidade de vida de milhares de mulheres mundo a fora, cotidianamente. No silêncio de sua casas e no barulho de sua essência, o machismo continua dando o tom.
Ok, já conquistamos um bocado de lá pra cá. E nada disso foi de graça. Foi à base de muito choro e ranger de dentes, apedrejamento, suor, linchamento moral, sangue e morte.
A sociedade tem um débito impagável com as mulheres. Atravessamos para o século XXI e trouxemos junto a perversa bagagem do machismo. Temos esse ranço. Nós todos, mulheres e homens, eu e você. A mulher ainda é vista como menor, incapaz disso, proibida daquilo e mal vista se fizer mais isso ou aquilo. Basta que ela rompa com o estabelecido, o limitado pra ela, que ouse, que pense, que fale e que seja como ela quiser. As metralhadoras estão sempre apontadas para as que se ressurgem. As fogueiras estão sempre em chamas para destruí-las.
Então, companheir@s, a luta continua! Fiquemos atentas, firmes e fortes para enfrentar e resistir, sempre!
Vamos nos encorajar umas as outras, é o que desejo neste 8 de março!
Por Sibelle Fonseca




Muito bom