Na manhã de ontem (10) um grupo de mães e movimentos comunitários realizaram uma passeata em protesto aos casos de mortes que vêm ocorrendo no Hospital Dom Malan (HDM), administrado pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), em Petrolina. A mobilização que foi denominada “Eu sou mãe! Eu tenho medo!” e chamou atenção das autoridades e do Governo do Estado de Pernambuco para a quantidade de óbitos que têm ocorrido na unidade hospital.
O último caso registrado aconteceu no dia 2 de maio, quando a adolescente Miliam Carvalho da Silva, de 15 anos, grávida de 5 meses, morreu no HDM. A família acusou o hospital de negligência. A gestante deu entrada na unidade de saúde no dia 29 de abril. A diretoria do hospital se defendeu dizendo que uma série de fatores, provocados por uma infecção, culminou no óbito da jovem.
O grupo organizador acusa a Rede Interestadual de Saúde do Vale do São Francisco (Rede PEBA), de superlotar o hospital, e cobram do governador do Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e do secretário de Saúde do estado, José Iran, medidas para resolver a situação do HDM.
Em nota, o Hospital Dom Malan justificou a superlotação e informou que a “Secretaria Estadual de Saúde vem dialogando com os municípios com o intuito de sensibilizar os gestores sobre a importância do fortalecimento da rede de atenção primária para a garantia da realização de atendimentos em seus territórios”
Veja nota na íntegra
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco esclarece que o Hospital Dom Malan (HDM), localizado no município de Petrolina, é referência obstétrica em alto risco, recebendo demanda regulada e espontânea. A unidade atende pacientes de 53 cidades, sendo 25 de três regiões de saúde do Estado de Pernambuco, que formam a Macrorregião do Vale do Médio São Francisco, e 28 de três regiões de saúde da Bahia, beneficiando uma população de mais de 2 milhões de habitantes dos dois Estados. O Dom Malan ainda recebe pacientes do Ceará.
Considerado pelo Ministério da Saúde como maternidade prioritária para Rede do Sistema Único de Saúde, apenas em 2017 a unidade realizou um total de 7.032 partos, ou seja, cerca de 600 partos/mês, o que coloca o Dom Malan no primeiro lugar do ranking das unidades que mais realizam parto em Pernambuco. Do total de partos, quase 60% (4.098) foram de pacientes oriundas do município de Petrolina, que não possui nenhuma maternidade, seja de baixo ou de alto risco. Além disso, do total de partos realizado no Dom Malan em 2017, apenas 52% (3.626) atendem o perfil da unidade, que é voltada, prioritariamente, para os casos de alto risco. Ou seja, os outros 48% foram de partos de risco habitual, que deveriam ter sido realizados nas unidades e maternidades municipais. No primeiro trimestre de 2018, o hospital já realizou 1.803 partos, sendo 964 de alto risco (53,46%).
É importante frisar que mesmo sendo a única referência para a gestante de alto risco da região, o Dom Malan não nega atendimento a nenhuma usuária do SUS e acolhe também as gestantes de risco habitual, que representam cerca de 50% de partos da unidade e que deveriam receber a devida assistência em seus municípios de origem. Sobre os óbitos maternos, todo e qualquer óbito de gestantes, ou crianças, é investigados para saber a causa. O Dom Malan, que apresentou uma redução de cerca de 30% nos óbitos maternos quando comparados os dados de 2016 com 2017, tem ocorrência de 0,18% de óbitos maternos, número bastante inferior ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para maternidades de alto risco, que é entre 1,5 a 2,5%.
Por fim, o Dom Malan ressalta que está abastecido de medicamentos e insumos, que os exames estão sendo realizados normalmente e que os protocolos de atendimento, de segurança do paciente e boas práticas na atenção obstétrica e neonatal são integralmente cumpridos. A unidade ainda frisa a importância do fortalecimento da rede materno-infantil na região, com o acompanhamento adequado de pré-natal das gestantes, o que evitaria o agravamento de casos. E, nesse sentido, a Secretaria Estadual de Saúde vem dialogando com os municípios com o intuito de sensibilizar os gestores sobre a importância do fortalecimento da rede de atenção primária para a garantia da realização de atendimentos em seus territórios, com destaque para a rede de atenção materno-infantil e para a efetivação do pré-natal de baixo risco de qualidade nos serviços municipais.


