“Fui segregada das viagens acadêmicas”, diz formanda da Univasf sobre proibição de usar transporte da instituição

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Na semana passada o PNB veiculou matéria sobre um memorando publicado no último dia 27 de abril, pelo reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Julianeli Tolentino de Lima, que veta integralmente uma decisão do CONUNI, Conselho Universitário da Univasf, aprovada em 20 de abril de 2018, por maioria, e que refere-se a utilização do transporte oficial por filhos de estudantes e servidores.

A maioria dos membros do CONUNI aprovou a utilização do transporte oficial da instituição pelos filhos de estudantes e servidores, menores e dependentes de seus pais, durante as viagens acadêmicas, mas o reitor vetou usando como argumento o inciso VI do Art. 6º do Decreto nº 9.287, de 15 de fevereiro de 2018, que proíbe “o uso de veículos oficiais no transporte de familiares de servidor público ou de pessoas estranhas ao serviço público e no translado internacional de funcionários”.

O DCE da Univasf, em nota, repudiou a decisão do reitor dizendo que “ a decisão do veto é arbitrária e mostra total desrespeito as decisões tomadas no CONUNI, com isso também desrespeito a toda comunidade acadêmica”.

Ravana Maciel Conrado, formanda em Ciências Sociais e mãe de Lara, 2 anos, falou ao PNB das dificuldades que encontrou para sua formação, por não poder levar a filha para as viagens acadêmicas.

” Por diversas vezes eu deixei de fazer as viagens acadêmicas que minha turma fazia porque minha filha era pequena, mamava e eu não tinha com quem deixar. Inclusive não pude ir na viagem que levou a turma pra aldeia indígena, que é a minha área de pesquisa. Tive que comprar a passagem por conta própria, que custou 280 reais ida e volta, e fui de ônibus comercial com minha filha. Fiz a pesquisa da minha monografia durante esta viagem. Se dependesse da Univasf eu nem teria ido”.

Sentindo-se “segregada” das viagens que seriam importantes para sua formação, a mãe de Lara ressalta que muitas mães e pais levam os filhos para universidade, por não terem outra opção.

“É um absurdo essa proibição, porque as mães que carregam seus filhos consigo não é por “diversão”, mas por falta de opção. Eu engravidei no meio da graduação e levei minha filha comigo para as aulas todos os dias, durante 5 semestres. Para as viagens eu nunca pude levar e consequentemente não pude ir. Durante toda a graduação, desde que ela nasceu, eu fui segregada das viagens”, reclamou.

Pedro Lucas, Presidente do DCE da Univasf, considerada o veto do reitor “um ato de desumanidade”.

“Apresentamos a insatisfação numa reunião do CONUNI e conseguimos maioria na pauta em relação à garantia de que filhos dependentes de pais e mães universitários e de servidores, pudessem utilizar os veículos oficiais. O veto faz referência a um decreto que não cita os estudantes, fala somente de servidores, o que já é um ato de desumanidade. Uma ação que foi tomada unilateralmente pela garantia da governabilidade, o que é contraditório, visto que todas as universidades estão sendo atacadas.

Pedro afirma que ” a autonomia universitária não pode ser violada, como aconteceu” e diz que a decisão foi unilateral, sem respeitar o entendimento do Conselho.

“O CONUNI tomou uma decisão que foi unilateralmente vetada pelo reitor. Dá impressão de que o CONUNI só está a serviço da conveniência do reitor. Defendemos a humanização da universidade, que precisa garantir a inclusão de todos e todas que fazem parte dela. Não têm como um pai ou um mãe com filho dependente não vivenciar as experiências acadêmicas, viagens de campo, congressos, porque não tem onde deixar o seu filho. Somos contra a essa atitude arbitrária do reitor e vamos lutar até o fim para garantir que a decisão do conselho universitário seja soberana”, concluiu.

Em nota enviada à nossa redação, a reitoria da Univasf afirmou que “na próxima reunião do Conuni, o referido veto será apreciado pelo órgão que decidirá pela sua aprovação ou rejeição”.

A reitoria também informou que tem “articulado junto às equipes técnicas e professores, medidas no sentido de garantir condições de permanência no ensino superior e alternativas para que não haja nenhum prejuízo às atividades acadêmicas das estudantes que também são mães. No âmbito da assistência estudantil, por exemplo, além dos auxílios moradia e transporte e bolsas de apoio financeiro destinadas aos alunos em vulnerabilidade socioeconômica destacamos, ainda, o auxílio creche que no ano passado conseguiu absorver mais de 70% da demanda. Ou seja, das 100 inscrições submetidas ao edital de seleção, 73 foram contempladas. O edital  2018, que ainda está aberto, conforme a Pró-reitoria de Assistência Estudantil recebeu até esta data, 168 inscrições”.

Da Redação

 

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