Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que associações entre as condições do bebê e fatores de acompanhamento como pré-natal insuficiente, idade materna, raça, cor e baixa escolaridade, além de fatores socioeconômicos e biológicos associados às anomalias congênitas no Brasil, aponta que uma parte dessas anomalias poderia ser evitada com o aprimoramento de políticas públicas.
A pesquisa identificou que mulheres que não realizaram consulta pré-natal durante o início da gravidez tiveram 47% mais chances de ter um bebê com anomalias do que mulheres que iniciaram o acompanhamento no primeiro trimestre.
A investigação foi realizada a partir de bases de dados interligadas do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), da Fiocruz.
Para a pesquisa foram utilizados dados de nascidos no Brasil entre 2012 e 2020, totalizando cerca de 26 milhões de bebês nascidos vivos, sendo cerca de 144 mil com algum tipo de anomalia congênita.
Das anomalias registradas, foram priorizados defeitos de membros, cardíacos, tubo neural, fenda oral, genitais, parede abdominal, microcefalia e síndrome de Down, selecionados por serem identificadas como anomalias prioritárias para vigilância no Brasil.
O artigo – de autoria da pesquisadora associada do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, Qeren Hapuk – foi publicado no periódico BMC Pregnancy and Childbirth. O trabalho procurou compreender como esses fatores impactam no desenvolvimento dos bebês, buscando embasar estratégias preventivas direcionadas para crianças com anomalias congênitas.
Fatores
Anomalias congênitas são alterações estruturais e/ou funcionais que contribuem significativamente para o aumento do risco de morbidade e mortalidade observado em crianças em todo o mundo. Esses distúrbios são complexos e sua ocorrência é influenciada por uma variedade de fatores, incluindo condições socioeconômicas que desempenham um papel significativo.
A investigação aponta ainda que mães que se autodeclararam pretas tiveram 16% mais chance de ter filhos com anomalias congênitas em comparação com mães brancas.
Outro fator de risco identificado foi a idade. Enquanto mulheres com mais de 40 anos possuíam quase 2,5 vezes mais chances de ter um bebê com anomalias congênitas, mulheres com menos de 20 anos também tiveram um risco maior (13%) do que mães com idade entre 20 e 34 anos.
A escolaridade também se apresentou como um fator que influenciou na chance de mulheres terem filhos com alguma anomalia: possuir baixa escolaridade (0 a 3 anos) significou 8% mais de chances do que com 12 ou mais anos de escolaridade.
Algumas anomalias tiveram maior associação a determinados fatores de riscos. Os casos de nascidos com defeitos do tubo neural (estrutura embrionária que dará origem ao cérebro e à medula espinhal) foram fortemente ligados à baixa escolaridade, ausência de pré-natal e gestação múltipla.
Defeitos cardíacos foram associados à idade avançada, perda fetal e pré-natal inadequado, enquanto casos com Síndrome de Down foram fortemente associados à idade materna superior a 40 anos.
Desigualdades
Além disso, houve variações significativas nas chances de crianças nascerem com anomalias entre as regiões do país e os grupos de anomalias. A principal causa dessa variação é a subnotificação. O Sudeste é a região que melhor notifica nascimentos com anomalias congênitas em comparação com as demais regiões.
A Região Nordeste concentra quase metade da população brasileira vivendo em situação de pobreza, o que pode ajudar a explicar a maior probabilidade de mães residentes terem nascimentos com defeitos do tubo neural, uma vez que essa condição está altamente associada à baixa renda, baixa escolaridade e má alimentação (suplementação insuficiente).
A epidemia do vírus Zika no Brasil – entre 2015 e 2016 – resultou em um aumento na notificação de nascidos vivos com microcefalia e outras anomalias congênitas do sistema nervoso, especialmente no Nordeste, o que pode ter contribuído para os resultados observados.
“Esses dados mostram que a desigualdade socioeconômica em conjunto com fatores biológicos impacta diretamente na saúde e desenvolvimento do bebê”, disse a pesquisadora Qeren Hapuk.
Para ela, os achados indicam que tais fatores de agravamento são evitáveis ou modificáveis. Intervenções em educação materna, planejamento reprodutivo, nutrição e, principalmente, acesso ao pré-natal são fundamentais para a prevenção de anomalias congênitas.
Oitocentos e setenta e um estudantes universitários estão sendo chamados pelo governo baiano para atuar em suas unidades localizadas na capital e interior do Estado. Trata-se da 3ª convocação promovida pelo Edital de Abertura de Inscrições no 001/2025, do Programa Partiu Estágio, que oferece a alunos de cursos do ensino superior a oportunidade de obter experiência de trabalho na Administração Pública Estadual.
Os selecionados têm de 28 de julho a 08 de agosto para entrar em contato, por email ou telefone, com as unidades de Recursos Humanos dos órgãos onde irão atuar. A lista completa dos convocados pode ser consultada o endereço https://www.ba.gov.br/administracao/. Em paralelo, cada convocado receberá uma mensagem via whatsapp, informando alteração do seu status no site do BA.GOV.BR (https://www.ba.gov.br). No endereço eletrônico, podem ser encontradas também informações sobre procedimentos, prazos e a forma da entrega da documentação.
A 3ª convocação do Edital no 001/2025 do Programa Partiu Estágio está beneficiando 538 universitários residentes em Salvador e 333 de outras 52 cidades do interior do Estado. Além da capital baiana, os municípios com maior número de beneficiados são Feira de Santana (57 estudantes) e Vitória da Conquista (37).
Os estagiários vão atuar em 52 diferentes órgãos estaduais, com destaque para as Secretarias de Educação, com 273 selecionados, Saúde (73) e Polícia Civil (62). Já entre os 70 cursos contemplados, a maior parte das vagas foi para os cursos de Administração, Direito e Pedagogia, com respectivamente 210, 170 e 89 convocados.
Com o atual chamamento, o número total de estudantes convocados este ano pelo Estado, por meio do Edital nº 01/2025 do Programa Partiu Estágio, chegou a 5.383 incluindo 1.475 selecionados no último mês de junho e outros 3.037 em maio.
Sobre o programa
Com carga horária de 4 horas diárias e 20 semanais, o estágio tem duração máxima de um ano, sem possibilidade de prorrogação, exceto no caso de pessoa com deficiência. Na seleção, o programa concede prioridade aos candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Também são prioritários estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou aqueles que estudaram com bolsa integral na rede privada. Além disso, 10% das vagas são reservadas para estudantes com deficiência, conforme estabelece a Lei Federal nº 11.788, de 25 de setembro de 2008.
Quase 1 milhão de famílias deixarão de ser beneficiadas pelo Bolsa Família, mas por um bom motivo: tiveram sua renda aumentada, superando a pobreza. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, no mês de julho foram 958 mil famílias, o que corresponde a 3,5 milhões de pessoas.
Entre os motivos para essa saída, segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, estão empregos estáveis ou melhora da condição financeira como empreendedores.
“A maioria delas, 536 mil, cumpriu os 24 meses na regra de proteção. Elas atingiram prazo máximo de recebimento de 50% do valor que têm direito por terem alcançado uma renda per capita entre R$ 218 e meio salário mínimo”, disse o ministro nesta terça-feira (22), durante o Bom Dia, Ministro, programa produzido pela Empresa Brasil de Comunicação(EBC).
Renda de trabalho
Segundo Dias, a ajuda a essas famílias foi oferecida por meio de vários programas. “A gente dá a mão para essas pessoas, para que possam se qualificar e para que possam estruturar um pequeno negócio. E por meio da renda de trabalho, como aconteceu com essas famílias, 3,5 milhões de pessoas que saíram da pobreza de janeiro deste ano para cá”, acrescentou.
De acordo com o ministro, mais de 8,6 milhões de pessoas superaram a pobreza desde o começo do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula iniciado em 2023. “São pessoas que saíram do Bolsa Família a partir da renda. Estamos falando de quase 24 milhões de brasileiros saindo da pobreza”, disse.
Educação x preconceito
O ministro lamentou as muitas situações de preconceito contra os beneficiários do programa, segundo ele, falsamente acusados de se acomodarem, deixando de buscar emprego.
Dias ressaltou que, para ter direito ao benefício, as famílias têm de cumprir algumas obrigações.
“Temos três blocos de ações. O primeiro é a educação: quem recebe o Bolsa Família precisa estar matriculado, estudando, frequentando escola, sendo aprovado. O segundo é uma parceria com estados, municípios e setor privado, com foco em qualificação profissional. E o terceiro é o apoio ao pequeno negócio, por meio de programas como o Acredita, o Pronaf e o Agroamigo”, elencou o ministro.
Ele acrescenta que, na medida em que se abre a condição de trabalhar, ganha-se condição de sair do Bolsa Família. “Muitos estão indo para classe média, que está crescendo com [a entrada de] boa parte do público do Bolsa Família, que está ascendendo”, relatou.
Roda de São Gonçalo, partilha, inclusão e diversão.
No sertão do Vale do Salitre, em Juazeiro, no norte da Bahia, a 600 km de Salvador, existe um caminho que não se mede em quilômetros, mas em histórias, afetos e resistência.
Salitre significa terra fértil, boa pra plantar, como se fosse um tipo de adubo natural. São áreas que têm bastante sal no solo, por isso o nome. Esse nome veio desde a época das tribos indígenas que viviam ali há muitos anos. Lugar onde tem um rio que não seca, cercada por uma mata bem densa. E daí veio o nome do distrito, lugar que representa resistência, com um povo feliz, solicito e forte. Atualmente, essa região abrange cerca de 10 comunidades rurais, onde vivem famílias que preservam tradições culturais, modos de vida e uma profunda ligação com a terra e as águas do Rio Salitre..
Uma rota que começa com abraços
A Rota do Carrapicho não está em mapas turísticos comuns. Ela começa em abraços sinceros, na hospitalidade de quem transforma a própria casa em abrigo e o cotidiano em experiência. Nas comunidades , a cerca de 40 km de Juazeiro, as conversas se desenrolam nos terreiros. Em outros espaços, como na comunidade do Umbuzeiro, mulheres produzem trabalhos artesanais, como esteiras feitas com palha de taboa, planta típica das margens dos rios, além da tradição da festa de São Gonçalo, que é mantida viva e transmitida entre gerações. Ali pulsa uma memória ativa, marcada pela luta pela permanência no território.
“Quem chega aqui não é turista, é visita. E visita a gente acolhe como parente”, diz Judite Ferreira, moradora da comunidade de Alfavaca, que recebe em casa turistas trazidos pela rota. Enquanto prepara um café com beiju e cuscuz, ela se emociona: “A gente acolhe esses meninos e meninas e acaba se apegando. Eles passam o dia aqui como se fossem da família. Eu mesma sempre choro ao me despedir.” Desabafa.
Atualmente, o valor médio cobrado nas hospedagens varia conforme a logística e o roteiro escolhido. Em 2024, o custo médio por pessoa foi de aproximadamente R$ 450 para um final de semana completo, incluindo hospedagem, todas as refeições, guia turístico e participação nas vivências da comunidade. O transporte, nesse valor, é pago à parte. A rota já chegou a receber até 30 pessoas de uma só vez, e há capacidade para grupos ainda maiores, desde que a logística de hospedagem seja organizada com antecedência.
A Rota do Carrapicho é organizada coletivamente, com agendamentos feitos pelo coletivo de comunicação Carrapicho Virtual, um grupo de jovens do Salitre que atua conectando iniciativas culturais, roteiros turísticos e fortalecimento comunitário através da comunicação popular. Surgido da vontade de contar as histórias do Salitre e do semiárido com suas próprias vozes, o Carrapicho também produz vídeos, fotos e textos para as redes sociais, desenvolve projetos voltados às comunidades e no interesse do povo, além de participar da articulação dos roteiros turísticos.
“A gente acredita que turismo de verdade é aquele que se constrói com o território. A rota é uma ponte entre a gente que vive aqui e quem quer conhecer. Uma troca onde todo mundo aprende”, explica Érica Daiane, idealizadora do projeto Carrapicho e da Rota.
“O Carrapicho surgiu da vontade de comunicar nossa história com nossas próprias palavras, nossas imagens e sentimentos. Com o tempo, virou mais que comunicação: virou articulação, rota, pertencimento”, completa Érica. “A juventude daqui está vendo que pode transformar a realidade com o que tem em mãos: saber, afeto e território.”
Momento de entrevista durante a roda de São Gonçalo.
Turismo que gera renda e pertencimento
A Rota do Carrapicho percorre de oito a dez comunidades da região do Salitre, entre locais de hospedagem e visitação, e envolve diretamente cerca de 10 famílias em cada roteiro. De 2021 até agora, mais de quatro grupos já vivenciaram experiências como hospedagens, produção de esteiras, rodas de conversa, caminhadas ecológicas, festas e celebrações.
Segundo a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada ao Governo do Estado daBahia, o programa Pró-Semiárido já mobilizou mais de R$ 500 milhões para ações de fortalecimento da convivência com o semiárido em 32 municípios baianos, incluindo Juazeiro. Esse apoio inclui iniciativas ligadas ao turismo comunitário, comunicação popular, agroindústrias e intercâmbios entre comunidades. A Rota do Carrapicho é uma das beneficiadas pelo programa, com apoio a oficinas, articulação em rede e fortalecimento da juventude local.
Para Carla Dias, turista da comunidade de Campos, localizada no distrito de Itamotinga, que visitou a rota no ano passado, a experiência foi transformadora: “Eu nunca imaginei que pudesse aprender tanto em tão pouco tempo. Conviver com essas famílias me fez repensar sobre várias coisas e quebrar preconceitos a respeito do Salitre. O acolhimento foi tão grande que me senti em casa.” Conclui Carla, entusiasmada.
Junior Silva, outro visitante, resume: “Foi uma experiência única, muito incrível. Me senti muito bem acolhido, aprendi muito sobre o dia a dia das famílias locais. A atividade que mais me marcou foi a roda de conversa, sem dúvida alguma. Foi lá que conheci realmente a realidade e a história das comunidades. Vi que o Salitre é uma região rica em culturas, culinárias e pessoas acolhedoras. Sim, eu recomendaria e viveria essa experiência outras vezes.”
O turismo comunitário movimenta a economia local de forma ampla. As famílias que hospedam recebem diretamente pela estadia. Muitas compram produtos no comércio local para preparar os alimentos. Durante as noites culturais, moradores vendem comidas, bebidas e artesanatos. Jovens atuam como guias, produtores de conteúdo e comunicadores do projeto Carrapicho Virtual recebendo por isso e assumindo protagonismo local.
Para Amanda Clara, jovem integrante do Carrapicho Virtual, a rota é uma chance concreta de futuro. “A renda que entra com o turismo ajuda, sim. Com o que ganho, faço várias coisas. Mas o mais importante é o que isso tudo ensina pra gente. A gente aprende a valorizar nosso lugar, nossa história. Aprende que não precisa sair pra encontrar um futuro.”
A evasão de jovens é um desafio histórico no semiárido. Mas a Rota do Carrapicho tem mostrado que é possível viver da e com a comunidade. Amanda não esconde a satisfação e o sentimento coletivo: o de que o turismo comunitário é ferramenta de transformação, pertencimento e autonomia.
Casa de família na comunidade de Alfavaca, onde visitantes se hospedam e vivenciam a rotina local.
Cultura viva em cada gesto
Na comunidade de Umbuzeiro, a 2 km da comunidade de Alfavaca, a produção de esteiras de palha de taboa, que antes era uma atividade doméstica cotidiana para uso próprio e geração de renda, hoje também integra as vivências turísticas. Visitantes participam do processo de produção das esteiras, vivenciando um saber ancestral transmitido pelas mulheres da comunidade. Mais do que ensinar uma técnica, essas oficinas reafirmam a importância da cultura material do sertão, onde cada esteira simboliza a resistência e a permanência das pessoas no território.
Para Mauro Adriano, que participou de um dos intercâmbios e teve a experiência de praticar a produção de esteiras na casa de Dona Luz, a atividade foi marcante: “Achei a prática de fazer esteiras top! Algo novo para mim. O intercâmbio foi muito rico, aprendi demais.”
Mauro Adriano, colocando em prática a produção da esteira.
Outras atividades incluem:
• Samba de Velho e Bumba meu boi: celebrações tradicionais com música, dança e figuras folclóricas como o boi, a mulinha, a ema e os caretas, perpetuadas nas festas de reisado, especialmente em janeiro.
• Festas de São Gonçalo: expressão de fé e cultura popular.
• Produção de doces artesanais com as mulheres do grupo “Sabor do Salitre”: com frutas nativas como tamarindo, acerola, maracujá e uva.
• Mão na Massa: fábrica de bolachinhas na comunidade de Pau Preto, mostrando o potencial empreendedor feminino.
Placa de entrada da Cachoeira do Salitre.
• Visitas à Cachoeira do Salitre e aos paredões da Cerca de Pedra.
Como acessar:
A Rota do Carrapicho está localizada no Salitre. O acesso é feito por meio de agendamento com o coletivo Carrapicho Virtual ou pela agência Chocalho.
Doce de tamarindo, produzido pelas mulheres do grupo Sabor do Salitre.
Para Rosangela Pereira, moradora de Alfavaca, o turismo afetivo transforma relações: “Eu gosto quando a gente senta junto pra comer, pra conversar. Já teve visitante que virou amigo, virou família. Tem gente que voltou só pra passar uns dias com a gente de novo. e a gente fica feliz com o dinheiro que recebe, mas o amor que a gente cria por eles, não tem preço.”
Apesar dos avanços, os desafios persistem: estradas precárias, falta de sinalização, estrutura de apoio e maior apoio institucional. É necessário melhorar a infraestrutura das estradas, fortalecer a formação de guias locais, principalmente entre os jovens, e ampliar o conhecimento sobre o território e seu potencial.
“A gente precisa de infraestrutura, de estradas melhores para garantir segurança no deslocamento dos grupos. Mas também precisamos fortalecer o papel da juventude como guias, como protagonistas. Jovens que conhecem suas comunidades, que sabem contar sua história. E preparar melhor as casas para receber os visitantes com conforto. Não que esteja ruim, porque as pessoas elogiam muito. Mas sempre dá pra melhorar”, reforça Érica Daiane.
Potencial reconhecido
Para o gestor de turismo de Juazeiro, Jomar Benvindo, o projeto é estratégico:
“A Rota do Carrapicho articula cultura, natureza e comunidade. É um exemplo de como o turismo pode ser desenvolvido com respeito às tradições e com inclusão social. Juazeiro tem muito mais do que o rio e a música: tem sertão, tem memória, tem diversidade.”
Ele também pontua a importância da valorização dos saberes locais: “É preciso reconhecer que os saberes tradicionais são diferenciais estratégicos. Só aquela comunidade tem aquele jeito de fazer, aquele conhecimento sobre a terra, aquela culinária, aquele modo de acolher. Isso é valor cultural, social e econômico. Precisamos fortalecer isso com políticas públicas integradas.”
Mais do que um destino, uma vivência
Os Caretas, no Samba de Velho e Bumba meu Boi.
A Rota do Carrapicho é, portanto, um convite à escuta, ao cuidado e ao encantamento. Um mergulho em um sertão que não quer ser olhado de longe, mas vivido de perto. Onde resistir é uma forma de amar. E onde o turismo, quando guiado pela comunidade, pode ser ponte entre mundos, gerações e sonhos.
Uma moradora do bairro Antônio Guilhermino, em Juazeiro, no Norte da Bahia, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para reclamar de um esgoto a céu aberto na Rua 2. Segundo ela, o problema persiste há 15 dias.
“O esgoto está vazando há 15 dias. A gente já ligou para o SAAE, já fomos lá, eles identificaram o problema, disseram que viriam resolver, e até agora nada. O carro do SAAE até veio aqui, mas não fizeram nada, só olharam e disseram que voltariam no outro dia. Já faz quase oito dias e nada. Já fomos lá, já ligamos, e até agora, nada. O mau cheiro está insuportável”, relatou a moradora.
Ela afirma que o esgoto está sendo prejudicial à saúde dos moradores.
“O esgoto está prejudicando os moradores. Tem crianças pequenas na rua que gostam de brincar, mas o cheiro está insuportável. Estamos todos abandonados. A situação está complicada para nós”, disse ela.
Um morador do bairro Piranga também relatou ao PNB a dificuldade de contato com a autarquia responsável pela rede de esgoto do município.
“Liguei para o SAAE para desentupir o esgoto, mas está dando como número inexistente. O esgoto estourou na Rua Lafaiete Coutinho. Queria abrir um chamado, mas não consigo completar a ligação. Toda vez que passa um carro, o mau cheiro aumenta, já está entrando em casa. Liguei ontem, mas o número não chama”, contou o morador.
Encaminhamos as reclamações para o Serviço de Água e Saneamento Ambiental de Juazeiro. Em nota, o SAAE orientou que “para que o serviço seja realizado o mais rápido possível, o SAAE orienta aos usuários que faça a solicitação no balcão de atendimento ou ligue para o número 36149800, para que o pedido seja colocado no cronograma de atendimento. O SAAE está com as equipes na rua diariamente, mas obedece à rota estabelecida de acordo com os pedidos”.
O deputado Eduardo Bolsonaro, participa de sessão solene em alusão ao Dia Nacional de Valorização da Família. na Câmara dos Deputados.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) corre o risco de ter o mandato cassado caso mantenha sua permanência nos Estados Unidos. A licença de quatro meses solicitada por ele chegou ao fim no último domingo (20), e, com o retorno das atividades parlamentares previsto para 4 de agosto, qualquer nova ausência passará a ser contabilizada oficialmente pela Câmara.
Segundo a coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o cenário de perda de mandato se tornaria viável a partir de novembro, caso Eduardo ultrapasse o limite permitido de faltas não justificadas — o equivalente a um terço das sessões ordinárias do ano legislativo.
Com a média de três sessões semanais e um calendário que vai de fevereiro a dezembro, descontando os recessos, a Câmara deve realizar 129 sessões em 2025. O limite de faltas, portanto, é de 43.
Permanência nos Estados Unidos
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já havia declarado a intenção de permanecer nos Estados Unidos mesmo após o fim da licença, o que acelerou os debates sobre sua situação no Congresso.
Um pedido de suspensão cautelar do mandato foi protocolado na segunda-feira (21) pelo líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ). O parlamentar alega que Eduardo tem promovido “campanhas contra o Brasil” no exterior, incluindo articulações por sanções comerciais e financeiras contra o país.
A legislação atual permite que a Mesa Diretora da Câmara declare a perda de mandato em caso de faltas excessivas, mediante solicitação de partidos ou parlamentares. Apesar disso, aliados de Eduardo já estudam caminhos para garantir que ele mantenha o cargo.
Alternativa para Eduardo Bolsonaro
Entre as alternativas em discussão, estão projetos que flexibilizam as regras de presença no Congresso. Um deles, apresentado por Evair Vieira de Melo (PP-ES), propõe que deputados possam participar remotamente das sessões, mesmo estando fora do país.
Outro, de autoria do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), busca viabilizar uma nova licença para Eduardo, agora por mais 120 dias.
Também circula nos bastidores a possibilidade de que o deputado assuma uma secretaria estadual em algum governo aliado, o que lhe permitiria seguir no exterior sem prejuízo ao cargo político.
A partir de agosto, o destino político de Eduardo Bolsonaro entrará em contagem regressiva. Se não retornar ou conseguir respaldo legal, a possibilidade de cassação se tornará cada vez mais concreta.
Depois de três dias intensos de degustações, debates, lançamentos, trilhas naturais, muita música e poesia, foi encerrado na noite de domingo (20), em Jaguarari-BA, a 3ª edição do Ecofestival do Café da Serra dos Morgados
O evento, que cresceu mais de 30% com relação as edições anteriores, reuniu um público de mais de 5 mil pessoas. Gente de várias partes do país, que participou de oficinas, seminários, conferências, aulas de campo, capacitações para produtores e produtoras rurais e apresentações culturais com atrações, a exemplo dos artistas Maciel Melo, Nilton Freitas, Glícia França, Tico Seixas, Mariano Carvalho, Banda Por Um Três, Cicinho, Samba da Beira e Maviael Melo.
De acordo com o professor e coordenador do Ecofestival, Juracy Marques, foram momentos mágicos que ficarão na história da Serra, em meio a Cordilheira do Espinhaço, que já tem mais de 200 mil pés de café plantados. “Espaço dedicado à formação cultural do cafezinho nosso de cada dia, o Ecofestival ampliou o foco esse ano na capacitação dos produtores da agricultura familiar. Além dos especialistas de várias partes do Brasil, que trouxeram seus conhecimentos no cultivo e comercialização da fruta, nossos produtores tiveram excelentes oportunidades de negócios, com a venda de mais de mil pacotes de café artesanais e 300 pacotes de café especiais torrados. O grupo de 120 pequenos empreendedores, que participou da Feirinha, também vendeu praticamente todo o estoque de artesanato e outros produtos da agricultura familiar”, ressaltou.
Vinda de São Paulo-SP, a psicoterapeuta e mentora de negócios, Kátia Tomoko, ficou maravilhada com os encantos da Serra e atrativos do Ecofestival. “Creio estar participando de uma nova rota turística do interior da Bahia, aqui a aproximadamente 980 metros do nível do mar e este clima gostoso. Amei as exposições de arte e fotografias, os shows, lançamentos de livros e a gastronomia, mas o que mais me emocionou foi a apresentação de ópera com a cantora Ingrid Torres, totalmente demais”, acrescentou a turista.
Ainda completando o balanço geral do evento, Juracy Marques, garante que a próxima edição promete superar esta. “Já estamos pensando alguns nomes para as capacitações e shows, mas podemos adiantar que teremos uma ópera mais bela ainda, o Projeto Ópera Café, na Cachoeira da Serra, em meio a natureza, ao som de músicos virtuosos e a voz magnífica de Ingrid Torres”, concluiu.
A devolução dos descontos indevidos feitos por entidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas começará a ser feita a partir do dia 24 de julho para quem tiver aderido, até esta segunda-feira (21), ao acordo proposto pelo governo federal.
O prazo de adesão vai até 14 de novembro, e o reembolso será feito na conta em que o benefício é pago, por ordem de adesão – quem aderiu primeiro, receberá primeiro. O pagamento será em parcela única, com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país.
Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de 600 mil aposentados e pensionista já aderiram ao acordo.
Semana passada, o Ministério da Previdência Social contabilizava 1,4 milhão de pessoas aptas a receber o ressarcimento pelos descontos indevidos feitos pelas entidades associativas.
Vantagens da adesão
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), na semana passada, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou algumas vantagens para quem aderir ao acordo.
A primeira delas é não ser necessário, ao aposentado, gastar dinheiro com advogado. Outra vantagem é a possibilidade de o aposentado entrar com ações contra as associações que fizeram a cobrança indevida.
“[Ao aderir ao acordo,] ele se compromete a não entrar na Justiça contra o governo, mas ele pode entrar contra as associações. Por exemplo, se ele acha que merece receber uma ação por dano moral, ele pode entrar regressivamente contra as associações para receber esse dinheiro”, disse ele durante o programa.
Ele explica que o governo está apurando para diferenciar as entidades associativas que são idôneas, das que não são. “Essas associações [não idôneas] só voltarão a funcionar após o pente fino que estamos fazendo. Vamos atrás de cada centavo dessas associações que fraudaram o INSS, para ressarcir o Tesouro. Inclusive já bloqueamos R$ 2,8 bilhões dessas associações, por meio de ações judiciais na justiça”.
Quem pode aderir?
Podem aderir ao acordo os aposentados e pensionistas que contestaram os descontos indevidos e não receberam resposta da entidade ou associação após 15 dias úteis. Atualmente, mais de 3,2 milhões de pedidos de 1,9 milhão de pessoas já superaram o prazo para receber resposta das associações e entidades que representam aposentados, por isso, podem aderir ao acordo.
A adesão é gratuita e, antes de assinar o acordo, os aposentados e pensionistas podem consultar o valor que têm a receber. A adesão pode ser feita exclusivamente pelos seguintes canais:
– Aplicativo ou site Meu INSS;
– Agências dos Correios em mais de 5 mil municípios;
A central telefônica 135 está disponível para consultas e contestações, mas não realiza adesão ao acordo.
Como aceitar o acordo pelo aplicativo Meu INSS?
1- Acesse o aplicativo Meu INSS com CPF e senha;
2- Vá até “Consultar Pedidos” e clique em “Cumprir Exigência” em cada pedido (se houver mais de um);
3- Role a tela até o último comentário, leia com atenção e, no campo “Aceito receber”, selecione “Sim”;
4- Clique em “Enviar” e pronto. Depois, basta aguardar o pagamento
Como funciona o processo até a adesão ao acordo?
1- O beneficiário registra a contestação do desconto indevido;
2- Aguarda 15 dias úteis para que a entidade responda;
3- Se não houver resposta nesse prazo, o sistema abre a opção para adesão ao acordo de ressarcimento.
Margeadas pelo rio São Francisco e unidas pela história, as cidades irmãs Juazeiro-BA e Petrolina-PE, vão receber, de 31 de julho a 02 de agosto, o International Coop Semiárido (ICS), como parte das comemorações do Ano internacional das Cooperativas, proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A programação do evento, realizado pela WEX com apoio das instituições do Sistema OCB, em Pernambuco e Bahia, inclui palestras, seminários, dinâmicas paralelas (workshops) e painéis de discussão. O ICS vai acontecer no Complexo Multieventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, em Juazeiro.
Para receber um público de pesquisadores, investidores, representantes governamentais e especialistas em recursos hídricos, agricultura, energia renovável e desenvolvimento sustentável de vários países, os prefeitos das duas cidades se uniram em um abraço interestadual. De acordo com o prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, é um orgulho sediar um evento da magnitude do International Coop Semiárido, que vai debater temas fundamentais como tecnologia, sustentabilidade, inovação e mudanças climáticas. “Uma grande oportunidade de fortalecer as cooperativas, gerar oportunidades, mostrar as potencialidades da nossa região, além de valorizar e fortalecer o turismo e a cultura”, ressaltou.
O prefeito de Petrolina, Simão Durando, destacou ainda, o teor das discussões, que também vão evidenciar tópicos, como educação, desenvolvimento econômico e social, soluções inovadoras e sustentáveis para a região. “O Semiárido não é só resistência, é também inovação, ciência e produtividade. Parabenizo os organizadores e reafirmo nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável, a valorização do conhecimento e o fortalecimento das nossas cooperativas e produtores. Sejam todos muito bem-vindos! Serão dias de muito aprendizado e caminhos novos para o futuro do nosso Sertão”, concluiu. Site para Inscrições e mais informações: Www.ics.coop