Prestadores de serviço que atuam como promotores de vendas entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar situações de constrangimento e supostos abusos ocorridos no mercado atacadista Mix Mateus, em Juazeiro, no norte da Bahia. Segundo os relatos, os trabalhadores teriam sido impedidos de acessar o estabelecimento após um bloqueio determinado pela gerência da unidade.
De acordo com os promotores, a medida teria sido adotada porque o grupo não apresentou diretamente ao gerente da loja um relatório das atividades realizadas no dia anterior. Os trabalhadores, no entanto, afirmam que não possuem vínculo empregatício com o Mix Mateus, pois são contratados por outra empresa, para a qual já prestam contas regularmente.
“Nós não temos nenhum vínculo trabalhista com a loja. Somos registrados por outra empresa e já entregamos relatórios e tudo o que é exigido para ela”, afirmou um dos prestadores.
Os promotores relatam ainda que, mesmo sem vínculo formal, a gestão da loja costuma impor ordens diretas, o que, segundo eles, ultrapassa os limites da relação entre empresa contratante e prestadora de serviços.
“Eles querem mandar, dizer como a gente deve trabalhar, controlar horário e ainda impedir a gente de entrar na loja. Isso não é função deles, porque não somos funcionários da loja”, disse outro trabalhador.
Segundo os relatos, a ameaça de impedimento de acesso ao mercado já ocorria em gestões anteriores, mas nunca havia sido efetivada.
“Esse tipo de cobrança já existia antes, mas nunca chegaram ao ponto de bloquear ninguém. Esse novo gerente chegou agora e já fez isso”, relatou um promotor.
Após serem impedidos de acessar a loja, os trabalhadores afirmam que o gerente enviou um recado solicitando que todos se dirigissem a uma sala da loja para explicar o motivo da decisão.
“Depois de todo o constrangimento, ele mandou recado pedindo para a gente ir para uma sala aguardar. A categoria se reuniu e decidiu não ir”, contou um dos prestadores.
Em seguida, um novo comunicado teria sido feito, informando que apenas quem se dirigisse individualmente à mesa do gerente seria liberado para retornar às atividades.
“Ele disse que quem quisesse ser liberado tinha que ir até a mesa dele. Foi humilhante”, desabafou.
Os promotores também afirmam que as exigências impostas pela loja configuram subordinação direta, prática que pode caracterizar vínculo empregatício, embora isso não seja reconhecido formalmente.
“Eles exigem relatório direto para a gerência, controlam entrada e saída, repreendem, dão broncas e avaliam nosso desempenho. Isso é subordinação, e a gente já faz tudo isso para a nossa empresa”, destacou um trabalhador.
Diante da situação, o grupo informou que já entrou em contato com o sindicato da categoria para buscar orientações.
Estamos encaminhando o caso ao Mix Mateus e aguardamos um posicionamento.
Redação PNB