Preto no Branco

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Governo edita decreto que amplia prazo para suspensão de contratos de trabalho e redução da jornada

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Carteira de Trabalho, Carteira assinada, Emprego. Brasilia, 03-09-2018. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

(foto: reprodução)

O governo federal editou decreto que amplia o prazo do programa que permite a redução de jornada e de salário e a suspensão de contratos de trabalho, medidas que foram anunciadas em meio à pandemia do novo coronavírus como forma de evitar uma perda maior de empregos.

O decreto foi publicado no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (14), com assinatura do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A medida provisória inicial, que foi sancionada no último dia 6 e transformada em lei, previa a suspensão dos contratos de trabalho por até dois meses e a redução da jornada e de salários em até 70% por até três meses.

Com o decreto publicado nesta terça, fica permitida a redução da jornada e do salário por mais 30 dias, completando quatro meses (120 dias) desde que a medida foi anunciada. Para a suspensão dos contratos, o prazo foi ampliado em 60 dias, e também passa a completar quatro meses (120 dias).

A suspensão do contrato de trabalho poderá ser efetuada de forma fracionada, em períodos sucessivos ou intercalados, desde que esses períodos sejam iguais ou superiores a 10 dias e que não seja excedido o prazo de 120 dias.

O empregado com contrato de trabalho intermitente terá direito ao valor de R$ 600 também pelo período adicional de um mês, contado da data de encerramento do período de três meses.

O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda prevê que o trabalhador permanecerá empregado durante o tempo de vigência dos acordos e pelo mesmo período depois que o acordo acabar.

De acordo com o Ministério da Economia, mais de 12 milhões de contratos já foram assinados desde a implantação do benefício emergencial para preservação do emprego.

As alterações nos prazos já vinham sendo anunciadas pelo governo nos últimos dias, mas não havia uma data definida.

G1

Covid-19: 27 dos 40 leitos públicos de UTI de Petrolina estão ocupados

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No boletim desta segunda-feira (13), onde confirmou 87 novos casos da covid-19, subindo assim para 1.588 diagnósticos positivos para a infecção causada pelo novo coronavírus, e mais um óbito pela doença, a Secretaria de Saúde de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, atualizou a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e intermediários para a covid-19 na rede pública e privada da cidade.

A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade é de 68%, segundo a atualização de ontem da Secretaria Municipal de Saúde. A maioria dos pacientes são de outras cidades da Bahia e do Pernambuco.

A divulgação dos números cumpre uma determinação dos Ministérios Públicos Federal e dos Estado da Bahia (MPBA) e de Pernambuco (MPPE) expedida no dia 5 de junho, Em documento enviado para as Secretarias estaduais de Saúde, aos dois municípios, Central de Regulação Interestadual de Leitos (CRIL) e para o Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), os MPs recomendaram a divulgação diária do número de infectados e da quantidade de leitos ocupados por pacientes contaminados com covid-19 nos municípios da região do Vale.

Leitos de UTI

No que se refere aos internamentos nas UTI’s em leitos públicos, os dados mostram que no Hospital Universitário, que possui 20 leitos exclusivos abertos pela prefeitura, 6 pacientes de Petrolina (5 confirmados e 1 em investigação), 1 de Juazeiro (confirmado), 1 de Orocó-PE (confirmado), 1 de Paulo Afonso-BA (confirmado), 2 de Cabrobó-PE (1 confirmado e 1 em investigação) e 1 de Lagoa Grande-PE (em investigação) estão internados. Com 12 leitos ocupadosa taxa de ocupação na unidade é de 60%.

No Hospital Memorial, dos 5 leitos, 4 estão ocupados, sendo 1 paciente de Petrolina (em investigação), 2 pacientes de Juazeiro (1 confirmado e 1 em investigação) e 1 de Sobradinho-BA (descartado)No Neurocardio, dos 5 leitos disponíveistodos estão ocupados por 1 paciente de Juazeiro (em investigação), 1 paciente de Casa Nova-BA (confirmado), 1 de Ipubi-PE (descartado), 1 paciente de Uauá-BA (confirmado) e 1 de Campo Formoso-BA (confirmado).

Na Unidade de Pronto Atendimento Especializada (UPAE), dos 10 leitos disponíveis, 6 estão ocupados por 4 pacientes de Petrolina (2 confirmados e 2 em investigação), 1 de Juazeiro (confirmado) e 1 de Afrânio-PE (em investigação). A taxa de ocupação, portanto, é de 60%.

No que se refere aos leitos da rede privada, a prefeitura divulgou que na unidade da UNIMED, 6 pacientes de Petrolina (3 confirmados, 1 em investigação e 2 descartados), 1 de Curaçá-BA (confirmado) e 1 de Juazeiro (em investigação) estão internados. O Neurocárdio terminou o dia de ontem com 4 pacientes, sendo 3 de Petrolina (em investigação) e 1 de Juazeiro (em investigação), internados. Já o Hospital Geral e Urgência (HGU) possui 4 internamentos, sendo 3 pacientes de Petrolina (confirmados) e 1 paciente de Pilar-BA (confirmado).

Memorial não possui nenhum internamento, enquanto a Promatre possui 1 internamento, de paciente de Petrolina (confirmado).

Leitos intermediários

Sobre os leitos públicos intermediários, segundo a secretaria, até ontem (13), no Hospital de Campanha Monte Carmelo, que possui 100 leitos, 11 pacientes de Petrolina (4 confirmados e 7 em investigação) estão internados. Com isso, a taxa de ocupação é de 11%.

Na UPAE, dos 12 leitos disponibilizados, 7 estão ocupados por 4 pacientes de Petrolina (3 confirmados e 1 em investigação), 1 de Juazeiro (confirmado) e 2 de Lagoa Grande-PE (1 confirmado e 1 em investigação). A taxa de ocupação, portanto, é de 58%.

Já no Hospital Dom Malan, nos leitos infantis, 11 estão ocupados por 9 pacientes de Petrolina (2 confirmados, 6 em investigação e 1 descartado), 1 de Mirandiba-PE (confirmado) e 1 paciente de Paulo Afonso-BA (confirmado). Nos leitos mulher, 7 estão ocupados por 5 pacientes de Petrolina (2 confirmados e 3 em investigação), 1 de Juazeiro (confirmado) e 1 de Itiúba-BA (em investigação).

No Hospital Regional de Juazeiro não há paciente de Petrolina internado. O Hospital Restauração de Recife possui ainda 1 paciente de Petrolina (confirmado) em internação.

Na rede privada, segundo a secretaria, a situação é a seguinte:

Hospital Geral e Urgência (HGU)
– nenhum internamento;

UNIMED
– 5 pacientes de Petrolina (3 confirmados e 2 em investigação);
– 3 pacientes de Juazeiro (2 confirmados e 1 em investigação);

Neurocardio
– 2 pacientes de Petrolina (1 em investigação e 1 descartado);
– 2 pacientes de Juazeiro (1 confirmado e 1 em investigação);

Hospital Memorial
– nenhum internamento.

Casos em Petrolina

87 novos casos foram confirmados nesta segunda-feira, com isso, Petrolina contabiliza 1.588 registros até o momento – destes, 168 são detentos da Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes. Do total de positivados, 1.222 foram confirmados por testes rápidos da prefeitura e 366 diagnosticados através de exames laboratoriais. As curas clínicas aumentaram para 609.

Petrolina recebeu um exame do Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE) confirmando covid-19 em um paciente de 67 anos que faleceu no Hospital Universitário (HU), no dia 9 da julho. Agora, o total de óbitos subiu para 37.

*imagem ilustrativa

Da Redação

Auxílio Emergencial: Caixa termina liberação de saques da 1ª parcela para beneficiários do 3º lote

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A Caixa Econômica Federal libera a partir desta terça-feira (14) os saques e transferências da primeira parcela do Auxílio Emergencial para os aprovados inscritos no aplicativo e site dentro do terceiro lote, e que aniversariam entre outubro e dezembro – um total de 1,2 milhão de trabalhadores. Ao todo, o lote inclui 5,9 milhões de beneficiários.

Com isso, estão liberados os saques e transferências da primeira parcela do auxílio a todos os beneficiários do terceiro lote. Esses trabalhadores tiveram o dinheiro liberado na poupança social digital entre os dias 16 e 17 de junho.

A segunda parcela para os aprovados deste terceiro lote, no entanto, ainda não tem data definida.

Balanço
Segundo a Caixa, 65,2 milhões de beneficiários já receberam o Auxílio Emergencial dentro das parcelas 1, 2 e 3, totalizando R$ 121,1 bilhões.

Dos 109,1 milhões de cadastros no programa, 107,8 milhões foram processados. Cerca de 860 mil ainda esperam por reanálise, todos inscritos no app e site do auxílio, enquanto cerca de 1,3 milhão ainda estão em primeira análise.

Os trabalhadores podem consultar a situação do benefício pelo aplicativo do auxílio emergencial ou pelo site auxilio.caixa.gov.br.

G1

MEC divulga hoje resultado do Sisu do segundo semestre deste ano

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resultado do Sisu, educação. MEC

O Ministério da Educação (MEC) divulga hoje (14) o resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do segundo semestre de 2020. Para saber se conseguiu ou não a vaga desejada, o candidato deve acessar o site oficial do Sisu, informando o número de inscrição e a senha. O período para matrícula da chamada regular será de 16 a 21 de julho.

Ao todo, mais de 814 mil inscrições foram feitas. Segundo o MEC, mais da metade desses estudantes – 424.991 mil – disputam 51.924 mil vagas ofertadas em 57 instituições públicas de educação superior do país.

Pela primeira vez, o Sisu oferece vagas na modalidade ensino a distância (EaD). Além de ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2019, os candidatos não podem ter zerado a redação. Quem fez o exame na condição de treineiro não pode participar.

De acordo com o edital do programa, a ordem dos critérios para a classificação de candidatos é a seguinte: maior nota na redação, maior nota na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias; maior nota na prova de matemática e suas tecnologias; maior nota na prova de ciências da natureza e suas tecnologias e maior nota na prova de ciências humanas e suas tecnologias.

Lista de espera
Quem não for selecionado nesta primeira chamada, deverá manifestar o interesse em participar da lista de espera, por meio da página do Sisu na internet, entre hoje e 21 de julho.

A partir daí, a convocação começa a ser feita no dia 24 de julho pelas instituições para preenchimento das vagas em lista de espera. Os selecionados devem observar prazos, procedimentos e documentos exigidos para matrícula ou para registro acadêmico, estabelecidos em edital próprio da instituição, inclusive horários e locais de atendimento por ela definidos.

Agência Brasil

Bolsonaro diz que fará novo teste de covid-19 nesta 3ª feira

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(foto: arquivo)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta 2ª feira (13.jul.2020) que vai ser novamente testado para a covid-19 na 3ª feira (14.jul) para constatar se ainda hospeda o coronavírus.

“Amanhã vou fazer novo teste PCR para saber se ainda estou com o vírus. A resposta deve sair em poucas horas. Aguardo com ansiedade o resultado porque não aguento essa rotina de ficar em casa. Estou me sentindo bem”. Disse em entrevista à CNN Brasil.

O diagnóstico positivo foi confirmado em 7 de julho e Bolsonaro diz que tem se tratado com a hidróxicloroquina –medicamento cuja eficácia contra a covid-19 mão foi comprovada cientificamente até o momento.

Bolsonaro afirmou que não sentiu falta de ar ou perda de paladar, sintomas característicos da covid-19. O chefe do Planalto disse que sentiu febre de 38ºC na 2ª feira passada (6.jul), mas que isso não voltou a ocorrer.

A rotina do presidente inclui caminhadas pelo jardins do Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência. Ele diz que “apesar de não recomendarem que faça isso”, está tomando todos os cuidados para não infectar os demais funcionários do local.

O presidente disse que os integrantes da equipe mais próxima a ele são os que já contraíram a covid-19 e, portanto, já teriam anticorpos contra a doença. “Preciso saber se ainda estou com o vírus. Enquanto não estiver livre do vírus, fico aqui”, afirmou.

Poder 360

Covid-19: Brasil chega a 72,8 mil óbitos e 1,88 milhão de casos

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Com 733 novas mortes por covid-19 registradas nas últimas 24 horas, o Brasil chegou ao total de 72.833 óbitos em função do novo coronavírus. A atualização diária foi divulgada pelo Ministério da Saúde no início da noite desta segunda-feira (13). O número de casos confirmados desde o início da pandemia chegou a 1.884.967. O sistema do Ministério da Saúde contabilizou 20.286 novos casos desde o balanço de ontem (12).

De acordo com o boletim do ministério, 657.297 pessoas estão em acompanhamento e 1.154.837 se recuperaram da doença. Há ainda 4.011 mortes em investigação.

O aumento foi de 1%, tanto do número de mortes quanto do número de casos confirmados da doença se comparado com os dados de ontem (12). Mas na última semana, o número de mortes cresceu 11,2% e o número de casos confirmados, 16,1%.

Aos sábados, domingos e segundas-feiras, o número registrado diário tende a ser menor pela dificuldade de alimentação dos bancos de dados pelas secretarias municipais e estaduais. Já às terças-feiras, o quantitativo em geral é maior pela atualização dos caso acumulados aos fins de semana.

A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 3,9%. A mortalidade (quantidade de óbitos por 100 mil habitantes) atingiu 34,7. A incidência dos casos de covid-19 por 100 mil habitantes é de 897.

Covid-19 pelo Brasil
Os estados com mais mortes são: São Paulo (17.907), Rio de Janeiro (11.474), Ceará (6.947), Pernambuco (5.652) e Pará (5.293). As Unidades da Federação com menos falecimentos pela pandemia são: Mato Grosso do Sul (167), Tocantins (259), Roraima (397), Acre (430) e Amapá (478).

Os estados com mais casos confirmados desde o início da pandemia são: São Paulo (374.607), Ceará (137.206), Rio de Janeiro (132.044), Pará (126.509) e Bahia (106.891). As Unidades da Federação com menos pessoas infectadas registradas são: Mato Grosso do Sul (13.461), Tocantins (15.307), Acre (16.260), Roraima (22.627) e Rondônia (27.050).

Agência Brasil

Estatuto da Criança e do Adolescente completa 30 anos

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Alunos saindo de escola na Estrutural, no Distrito Federal

No Brasil de 1990, uma em cada cinco crianças e adolescentes estava fora da escola, e uma em cada dez, entre 10 e 18 anos, não estava alfabetizada. A cada mil bebês nascidos vivos no país naquele ano, quase 50 não chegavam a completar um ano, e quase 8 milhões de crianças e adolescentes de até 15 anos eram submetidas ao trabalho infantil.

Para pesquisadores e defensores dos direitos dessa população, o país deu um passo importante para mudar esse cenário naquele ano, quando foi publicado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completa 30 anos hoje (13).

Passadas três décadas, o percentual de crianças e adolescentes fora da escola caiu de 20% para 4,2%, a mortalidade infantil chegou a 12,4 por mil, e o trabalho infantil deixou de ser uma realidade para 5,7 milhões de crianças e adolescentes.

O estatuto considerado parte desses avanços é fruto de um tempo em que a concepção sobre os direitos das crianças e adolescentes mudou no país e no mundo. O coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mario Volpi, conta que o Brasil participou ativamente das discussões internacionais que culminaram, em 1989, na Convenção Sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), assinada por 196 países.

Mesmo antes de esse acordo ter sido ratificado no Brasil, em 1990, os conceitos debatidos na ONU contribuíram para a inclusão do Artigo 227 na Constituição Federal de 1988. A partir dele, tornou-se “dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Aprovado dois anos depois da Constituição, o ECA parte do Artigo 227 e consolida todo o debate que o antecedeu, declarando crianças e adolescentes sujeitos de direito, aos quais devem ser garantidas a proteção integral e as oportunidades de desenvolvimento em condições de liberdade e de dignidade.

“Foi um processo muito complementar. Em 1988, a Constituição. Em 1989, a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU. E, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente. Existe um alinhamento conceitual bastante coerente nesses três documentos jurídicos que estabeleceram essa mudança bastante radical na forma como a infância passa a ser vista pelo país”, explica Volpi. “O ECA é considerado uma das melhores leis nacionais que traduzem a Convenção sobre os Direitos da Criança, e foi usado como referência para a maioria dos países latino americanos, uma referência histórica”.

A mudança conceitual destacada pelo coordenador do Unicef se dá em relação ao Código de Menores, de 1979. Volpi explica que o texto anterior, revogado pelo ECA, estava inteiramente concentrado na repressão a crianças e adolescentes em situações irregulares, como crianças órfãs, pobres, em situação de rua ou em conflito com a lei.

“Existia uma visão de que, para toda a situação de irregularidade nas pessoas menores de idade, deveria haver uma ação repressiva do Estado para proteger a sociedade”, resgata Volpi. “Criou-se essa divisão entre as pessoas com menos de 18 anos conhecidas como crianças e adolescentes, porque estavam em situação de normalidade, e as que eram chamadas de menores, que era como se referiam a uma criança pobre, desvalida. Ninguém dizia que tinha em casa dois menores, dizia que tinha duas crianças ou dois filhos. Mas, quando se referiam às famílias das crianças mais pobres, diziam que a família tinha dois menores”.

(foto: reprodução)

Medidas socioeducativas
Ao substituir o Código de Menores na legislação brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente mudou a Doutrina da Situação Irregular para a Doutrina da Proteção Integral, que distribui a toda a sociedade a responsabilidade por assegurar os direitos das crianças e adolescentes com prioridade absoluta, citando explicitamente que esse é um “dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público”.

A mudança produziu transformações, mas não apagou a mentalidade enraizada no Código de Menores. “Não fizemos ainda uma total mudança das práticas sociais. A lei veio trazendo novas visões, mas a prática social demora muito mais para mudar do que a lei. Nesses 30 anos, houve um grande trabalho de divulgação da lei, de conhecimento, de aplicação, de mudanças positivas, mas existe uma parcela da sociedade que resiste em entender esse conceito de infância como um sujeito de direito”, avalia Volpi, que usa como exemplo o sistema de medidas socioeducativas para crianças e adolescentes em conflito com a lei, apesar de ponderar que há boas experiências no país.

“O país não fez ainda um investimento significativo para transformar o que era esse sistema penal de crianças e adolescentes em um sistema educativo”, afirma ele, que lembra que o objetivo das medidas socioeducativas é afastar das práticas criminais os cerca de 26 mil adolescentes que cumprem medidas socioeducativas atualmente no país, e que, para isso, precisam melhorar sua escolaridade, capacitação profissional e seu modo de se relacionar e respeitar outras pessoas. “O sistema socioeducativo está muito focado em punir os adolescentes pelo ato cometido, mas essa é só uma dimensão”.

Para o coordenador da Infância e Juventude da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Azambuja, o ECA sofreu duas crises, ao longo de seus 30 anos: uma de implementação de suas políticas por parte dos governos e outra de interpretação de suas regras por parte dos juristas e da Justiça, de modo a sonegar direitos.

Azambuja também é coordenador da Comissão Especializada de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Nacional dos Defensores Públicos-Gerais (Condege) e contesta a ideia de que as medidas socioeducativas são insuficientes porque têm menor duração temporal.

“Nas questões policiais, o ECA muitas vezes é visto como sinômimo de impunidade. Mas as pessoas que falam isso são adultas, e não se lembram de como o tempo é relativo e passa de maneira diferente para as crianças e adolescentes. Se você se imaginar com 12, 13 ou 14 anos, longe da sua mãe e preso, o quão infernal isso poderia ser? Esses meninos são bem responsabilizados, mas isso adequado à realidade e idade deles”.

Apesar das dificuldades, o ECA também serviu de instrumento para reivindicar direitos para esses adolescentes, lembra ele, citando a decisão do Supremo Tribunal Federal que obrigou, no ano passado, o estado do Rio de Janeiro a soltar adolescentes apreendidos em unidades superlotadas, até que se atingisse a lotação máxima de 119% da capacidade de internos. Azambuja também cita que, durante a pandemia de covid-19, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro cobrou que o governo do estado garantisse educação à distância aos adolescentes apreendidos e videochamadas com as famílias.

“As unidades deveriam se assemelhar a escolas, mas ainda vemos esses espaços como pequenas prisões, com todos os malefícios que isso gera, como uma subcultura criminal, incutindo neles o ideal de que são perigosos, prisioneiros, e moldando a personalidade deles de acordo com essa ideia, o que contraria toda a lógica do Estatuto da Criança e do Adolescente”, analisa o defensor.

Agência Brasil

Projeto vai desenvolver agricultura familiar em municípios do Baixo São Francisco

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(foto: divulgação/Embrapa)

A cooperação entre a Embrapa Semiárido e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) fez chegar um conjunto de inovações tecnológicas a milhares de pequenos agricultores. Nas propriedades de muito deles, atividades que apenas lhes garantiam a subsistência, adquiriram nova dinâmica produtiva e passaram a gerar volumes de renda que repercutem na qualidade da vida das suas famílias e comunidades rurais.

Um impacto que as duas instituições, mais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pretendem promover em 12 municípios dos estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe, localizados no entorno das Barragens do Complexo de Paulo Afonso e das Usinas Hidro Elétricas de Itaparica e Xingó. Com este objetivo e integrados às prefeituras, órgãos dos governos estaduais e entidades da sociedade civil vão executar até abril de 2022 o projeto “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários e estudantes dos Lagos do São Francisco”.

Diversidade – De acordo com Rebert Coelho Correia, pesquisador da Embrapa Semiárido, com estratégias de responsabilidade social aliada a metodologias de construção de conhecimentos e de transferência de tecnologias, o projeto, que possui 10 planos de ação, tem posto em operação uma rede de instituições públicas e organizações da sociedade civil para alcançar metas como a formação e capacitação de, no mínimo, 4 mil agricultores, técnicos e estudantes de escolas rurais.

A área de atuação se estenderá por Pariconha, Olho D’Água do Casado, Delmiro Gouveia e Piranhas, em Alagoas; Paulo Afonso, Rodelas e Glória, na Bahia; Petrolândia e Jatobá, em Pernambuco; e Canindé do São Francisco, Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória, em Sergipe.

“A quantidade de planos reflete a diversidade agrícola, econômica e ambiental da região”, explica. Os pesquisadores, professores e técnicos que compõem as equipes dos planos de ação já enfrentam o desafio de elevar as produtividades da olericultura (cebola, tomate e melancia), bovinocultura (leite e carne), caprinovinocultura, avicultura, apicultura, fruticultura de sequeiro (umbu e maracujá, principalmente), e dos cultivos alimentares (milho, feijão e mandioca).

A atuação é estendida à fruticultura irrigada (manga, goiaba, coco, banana e citros), à recuperação de mata ciliar do rio São Francisco e ao beneficiamento de produtos da agricultura familiar (leite e frutas).

Assertividade – A execução do projeto tem avançado com visitas dos profissionais dessas equipes a comunidades, propriedades e escolas rurais para avaliação, junto com agricultores e gestores, oportunidades econômicas e apoio técnico ao estabelecimento de sistemas agrícolas produtivos e sustentáveis.

Segundo o pesquisador da Embrapa que, também, coordena a execução do projeto, este é um “método que dá maior assertividade a atuação das equipes e ajuda a compor objetivos comuns com os agricultores e as instituições que atuam para fomentar o desenvolvimento rural”. Ele já foi experimentado em outros dois projetos executados junto com a Chesf – “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários e pescadores do território do entorno da Barragem de Sobradinho-BA”, Casa Nova, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho; e o “Eólicas de Casa Nova” – “com resultados muito satisfatórios”, assegura.

Por um lado, explica, já existe um conjunto de conhecimentos técnicos e tecnológicos que permite responder de forma rápida às demandas dos agricultores. Um exemplo, relata, foi a providência que adotaram diante da elevada carência de forrageiras que diagnosticaram na região. De forma rápida, destinaram cerca de 60 mil raquetes de palma (Orelha de Elefante) e mais de 10.000 mudas de gliricídia.

“Com as mudas e a doação de outras 70.000 sementes dessa planta, que fizemos ao longo do ano passado, as plantas já puderam ser cortadas e armazenadas na forma de silagem. Os agricultores têm um importante alimento para dieta dos seus rebanhos no período seco”, afirma Rebert.

Em outra iniciativa, foram distribuídas cerca de 10 toneladas de sementes de feijão (Marfin), milho (Gorotuba) e sorgo (Ponta Negra). Trata-se de cultivares frutos de pesquisa da Embrapa e adaptada ao ambiente quente e seco do semiárido nordestino.

Alternativas – Por outro lado, o foco em formação e capacitação irá implementar processos que aproximam a participação da inovação. Isto, “em boa medida”, vai acontecer em torno de pequenas áreas de demonstração ou de experimentação técnica, os chamados Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Na localização desses campos estão envolvidos os órgãos de assistência técnica e de desenvolvimento, “sob um critério fundamental: “devem ficar sob a responsabilidade de agricultores ou de entidades com perfil agregador e multiplicador”, confirma o pesquisador.

O projeto Lagos do São Francisco irá fomentar a apropriação de alternativas tecnológicas, valorizar os recursos naturais e o empreendedorismo. por meio de um arranjo institucional local e interestadual que envolve Prefeituras Municipais e organizações da sociedade civil no território do Médio São Francisco.

O arranjo ainda terá a participação do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater-AL), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicutura (BA), da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (SE), da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), de Cooperativas, Associações e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Agricultores Familiares dos 12 municípios.

Do mesmo modo será a presença de gestores, professores e técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB) e da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) na equipe dos Planos de Ação.

*com informações da Embrapa

Da Redação

5 ou 17? Boletins das Secretarias Municipais de Saúde apresentam divergência no número de pacientes de Juazeiro internados com a covid-19 em Petrolina

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O chefe do médico da UTI, Everton Padilha Gomes, examina uma radiografia de tórax de um paciente em um hospital de campo criado para tratar pacientes que sofrem da doença por coronavírus (COVID-19) em Guarulhos, São Paulo

As Secretarias Municipais de Saúde de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e de Juazeiro, na Bahia, divulgam, diariamente, os boletins epidemiológicos da covid-19, com os números atualizados das respectivas cidades. Também desde o inicio de junho, as secretarias cumprem uma determinação dos Ministérios Públicos Federal e dos Estado da Bahia (MPBA) e de Pernambuco (MPPE), que recomendou a divulgação diária da quantidade de leitos ocupados por pacientes contaminados com covid-19 nos municípios.

Entretanto, a diferença no que diz respeito ao número de internamentos de pacientes da cidade baiana nos hospitais da cidade de Petrolina, vem chamando atenção. Nos boletins divulgados neste domingo (12), por exemplo, os números apontados pelas respectivas secretarias são diferentes.

No boletim divulgado por volta das 15h30 de ontem, a SESAU de Juazeiro informou que dois pacientes da cidade estavam internados no Hospital Neurocardio de Petrolina, sendo um internado em um leito privado de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais outro em um leito intermediário, também privado. O boletim também apontou que no Hospital Memorial, também de Petrolina, dois pacientes de Juazeiro estavam internados em leitos de UTI do SUS.

Mais tarde, por volta das 19h30, a Secretaria de Saúde de Petrolina trouxe a atualização do dia. Entretanto, o boletim trouxe uma quantidade maior de internamentos de pacientes da cidade baiana. No Hospital Neurocardio, por exemplo, o órgão informou a internação de um paciente na UTI do SUS e mais dois em UTI’s privadas. A cidade não trouxe nenhum internamento por paciente em leito intermediário da referida, diferente do que apontou a SESAU de Juazeiro.

No Hospital Memorial, a secretaria de Petrolina informou a internação de três pacientes de Juazeiro em leitos de UTI do SUS, um a mais que o divulgado pelo órgão da cidade baiana. No boletim da SESAU de Petrolina constam outros três pacientes em UTI’s privadas da unidade, informações que não constam no boletim baiano.

Petrolina aponta ainda a internação de um paciente de Juazeiro na UTI/SUS do Hospital Universitário e mais um em UTI/SUS na Unidade de Pronto Atendimento Especializada (UPAE), além de um terceiro paciente de Juazeiro em UTI privada da UNIMED. Também consta no boletim, o internamento de um paciente da cidade baiana, em leito intermediário, na UPAE, uma paciente no leito mulher (público) do Hospital Dom Malan e mais três nos leitos intermediários privados da UNIMED. Essas informações não constam no boletim de Juazeiro.

Dessa forma, enquanto Juazeiro informou que 5 pacientes estavam internados em unidades de Petrolina, a cidade pernambucana divulgou que 17 pacientes do município baiano estavam internados em leitos, públicos e privados, da cidade.

O PNB procurou as Secretarias de Saúde das respectivas cidades. A SESAU de Juazeiro negou que não há conflito de informações e nem sequer inconsistências nos boletins apresentados. “Sobre os dados, estes são divulgados conforme recebimento da SESAU pelo Núcleo Regional de Saúde, que chegam todos os dias por volta de 12h e são divulgados diariamente até o fim da tarde”, diz a nota.

A SESAU de Juazeiro disse ainda que, como tem sido rotina, os dados da cidade de Petrolina são divulgados no início da noite, e que “até lá pode haver transferência e/ou saída de pacientes dos leitos pertencentes à rede PEBA e também em unidades hospitalares da rede privada”, finalizou.

Apesar da resposta, o PNB verificou que os dados apontados pela Secretaria de Saúde de Juazeiro praticamente não sofrem alterações já há alguns dias. Na quinta-feira (9), o boletim trazia 1 paciente de Juazeiro internado em leito de UTI SUS e 2 em leitos de UTI privados no Neurocardio, e 2 pacientes de Juazeiro internados em leitos de UTI SUS no Memorial, mesma informação que contava no boletim do sábado (11), por exemplo.

Os números, assim como os dados de ontem, estão abaixo da realidade do divulgados diariamente pela Prefeitura de Petrolina, que recebe os números da 8ª Gerência Regional de Saúde sempre no final da tarde. A Secretaria de Saúde da cidade pernambucana informou que não vai se pronunciar.

*imagem ilustrativa

Da Redação