Preto no Branco

26679 POSTS 18 COMENTÁRIOS

Influência política? Prefeitura de Juazeiro autoriza construção de quiosque em espaço público para mulher de ex-vereador

3

(foto: PNB)

No último dia 19, o PNB publicou uma matéria sobre a construção de um quiosque em frente ao Hospital da Unimed, na Rua do Paraíso, no bairro Santo Antônio, em Juazeiro. Em uma via pública de muita movimentação, onde, além do hospital, estão localizados o campus da Univasf/Juazeiro e uma faculdade particular, a construção vem chamando a atenção de quem passa pelo local.

Segundo um leitor do Preto No Branco, que pediu para não ser identificado, e nos sugeriu a pauta, trata-se de um quiosque particular, para venda de lanches, construído em uma área de espaço público. “O uso do espaço público, para um comércio particular, pode? Quem está construindo? Com que recurso? E quem será o contemplado para explorar o quiosque?”, questionou.

Ainda de acordo com o leitor, o quiosque seria cedido a um familiar de um aliado da gestão municipal.

Para esclarecer a questão, o PNB procurou a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (SEMAURB), responsável pelo uso do solo, que informou se tratar de “um termo de permissão de uso, não podendo o permissionário vender ou realizar qualquer intervenção sem o conhecimento e autorização do município”.

O órgão também afirmou que a construção é regular, custeada com recurso do futuro permissionário e que  “todo o processo foi acompanhado pelo corpo técnico da secretaria para assegurar que não haja obstrução do passeio público pós-conclusão da intervenção”.

A nota da secretaria, entretanto, não respondeu sobre como se deu o processo de cessão para o permissionário que irá explorar o local como comércio. Procuramos novamente a prefeitura, que acrescentou na nota que “se trata de um ato administrativo, discricionário, precário, prescindindo de procedimento licitatório, adstrita a lei 8666/1993”.

Ou seja, todos os bens públicos são passíveis de uso por particulares, desde que a utilização seja consentida pela administração pública. O mais intrigante é que, por ter natureza precária e discricionária, a permissão pode ser revogada a qualquer tempo pelo município. Acontece que a construção que está sendo feita é de natureza definitiva, e não temporária.

Além disso, diversas outras pessoas utilizam o mesmo espaço para comercializar os mais diversos produtos. Por que a permissão só foi concedida a uma delas? Os outros comerciantes também vão poder construir?

Outro fator importante é que a construção está sendo erguida no meio de um passeio, onde a principal função é o trânsito de pedestres, quando o adequado seria permitir a construção em praças ou em locais mais amplos.

(foto: PNB)

Na manhã de hoje (28), a reportagem do PNB foi até o local e confirmou que o quiosque será explorado por uma comerciante que já ocupa o espaço com um trailer de sorvete. Ela irá montar o seu estabelecimento no quiosque, assim que estiver pronto. Uma funcionária que encontramos no trailer informou que a comerciante é a mulher do ex-vereador Joca Cabeleireiro, que é um aliado da gestão municipal.

Será que uma pessoa comum, sem nenhuma influência na gestão, conseguiria essa permissão? O critério da concessão seria influência política? favorecimento? privilégio? Os munícipes precisam saber.

Da Redação

 

Eduardo Bolsonaro, que queria ser embaixador nos EUA, ironiza valor do dólar na argentina e vira piada na internet

0

 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) usou o Twitter, nesta segunda-feira (28), para comparar a desvalorização das moedas brasileira e argentina em relação ao dólar americano. “”Para quem reclama que o dólar está R$ 4 aqui no Brasil, imagina na Argentina que está quase 60 pesos!”, escreveu.

A publicação do filho do presidente, no entanto, virou piada. O deputado acertou na cotação, já que, por volta das 15h desta segunda, um dólar americano equivalia a 59,36 pesos argentinos ou a R$ 3,98. Mas, será mesmo que a moeda do país vizinho é quase 15 vezes mais fraca que a brasileira?

O que Eduardo Bolsonaro esqueceu de pesquisar é que o valor absoluto não quer dizer nada, já que o valor de uma moeda leva em consideração outros fatores, a exemplo da própria inflação. Isso significa que a quantidade de moeda que um dólar pode comprar não determina a força econômica de um país.

O que o deputado deve ter feito foi relacionar a queda da moeda argentina, que é notícia desde o início do ano, aliada à forte inflação que cai sobre o país, para escrever a publicação. E os internautas não perdoaram. Um bom exemplo para ilustrar o caso é o Chile, que tem uma economia mais forte e estável do que a Argentina, e um dólar americano corresponde a 723 pesos chilenos.

Um dos internautas até brincou com a cotação da moeda chilena: “E no Chile que tá 725 então?! Deve ser por isso que estão protestando”, escreveu em resposta a Eduardo. Outro disse: “”Análise de poder de compra, impactos da inflação e câmbio de moedas estrangeiras não é o forte do parlamentar”.

Logo após a comparação mal sucedida, o deputado publicou um texto em que demonstra nítida insatisfação com a vitória de Fernandéz nas eleições presidenciais da Argentina. Rival de Macri e representante da esquerda ao lado de Cristina Kirchner, o novo presidente foi eleito em primeiro turno com 48,1% dos votos.

“Na Argentina o novo presidente eleito visitou Lula e pede sua liberdade (…) se isso dar errado?”, escreveu o deputado.

Agência Brasil

Câmara pode votar projeto que amplia porte de armas de fogo no país

0

 

O plenário da Câmara dos Deputados vai tentar votar esta semana o projeto de lei (PL 3.723/2019) que amplia a posse e o porte de armas de fogo no país.

O projeto do Poder Executivo permite a concessão de porte de armas de fogo para novas categorias, além das previstas no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03).

Atualmente, o porte só é permitido para as categorias descritas no Estatuto do Desarmamento, como militares das Forças Armadas, policiais e guardas prisionais. O porte de armas consiste na autorização para que o indivíduo ande armado fora de sua casa ou local de trabalho. Já a posse só permite manter a arma dentro de casa ou no trabalho.

Entre outros pontos, o texto do relator da proposta, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), diminui de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas desde que comprovados alguns requisitos, como bons antecedentes e apresentação de laudo psicológico.

O relator também incluiu em seu parecer que cidadãos poderão obter a licença se comprovarem a efetiva necessidade devido aos riscos da profissão (como transporte de valores e de materiais controlados) ou por terem sofrido alguma ameaça contra si ou seu dependente. A concessão dessa licença exigirá aos menos 25 anos de idade e os mesmos requisitos da posse, como laudo psicológico e bons antecedentes.

A oposição tem divergências com pontos do relatório, como a diminuição da idade para o porte e o porte de armas permanente para quem trabalha com transporte de valores.

MPs

O plenário também pode apreciar as medidas provisórias (MPs) que criam o programa Médicos do Brasil, em substituição ao Mais Médicos (MP 890/2019), e a que institui pensão especial para crianças com microcefalia decorrente do vírus Zika (MP 894/2019).

No dia 1º de agosto, o governo lançou o Médicos do Brasil. O principal objetivo do novo programa continua sendo a interiorização de médicos pelo país, especialmente nas regiões mais remotas e desassistidas.  Uma das principais novidades é a contratação dos profissionais pelo regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Até então, os contratos eram temporários de até três anos.

No dia 4 de setembro, o governo federal editou MP que assegura pensão especial por toda a vida para crianças vítimas de microcefalia decorrente do vírus Zika. Pelo texto do Executivo, o benefício será concedido a quem nasceu entre 2015 e 2018 e cuja família receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio no valor de 1 salário-mínimo concedido a pessoas de baixa renda. Mas o relator da MP na comissão que analisou a proposta, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), incluiu o benefício para as crianças afetadas nascidas até o final deste ano.

Agência Brasil

Palácio do Planalto vai gastar R$ 1,3 milhão na compra de carros para ex-presidentes, inclusive para Lula

0

O Palácio do Planalto abriu licitação para a compra de 12 carros de luxos para ex-presidentes da República, no valor máximo de R$ 1,34 milhão. O pregão, que teve edital publicado nesta sexta-feira (25), está marcado para o dia 11 de novembro e devem ser beneficiados seis ex-chefes de estado.

Entre os nomes estão José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena em Curitiba, Dilma Rousseff, e Michel Temer. Cada ex-presidente terá direito a dois veículos.

De acordo com o decreto 6.381/08, após o fim do mandato de presidente da República, a pessoa terá direito a quatro servidores para segurança privada e apoio pessoal, dois veículos oficiais com motorista e dois servidores comissionados.

O edital prevê que a compra dos carros acontece para “renovação da frota de veículos que atendem aos ex-presidentes da República”. Cada unidade deve custar até R$ 111 mil, em veículos que tenham 150 cavalos e velocidade máxima não inferior a 180 km/h.

Além disso, outras exigências são que os veículos precisam sair de fábrica com película de escurecimento nos vidros, central multimídia e garantia de 36 meses. O edital também prevê que a preferências é por Honda Civic 2.0 16v; Toyota Corolla 2.0 VVT/IE e Chevrolet Cruze 1.4 turbo LTZ 16V.

Agência Brasil

“Me arrependo. Hoje votaria em Ciro ou Haddad”, diz um dos principais ativistas digitais que abandonaram o bolsonarismo

1

(foto: arquivo)

Luciano Ayan é o pseudônimo de Carlos Augusto de Moraes Afonso, um técnico de TI que é dono da página Ceticismo Político. Fazia o que ele define como “guerra política” na internet.

“Guerra política não tem nada a ver com as táticas sujas executadas pela extrema direita no Brasil”, explica.

Ayan ficou famoso em meados de 2018 quando atacou Marielle Franco republicado uma notícia da desembargadora Marília Castro Neves e teve sua conta suspensa no Facebook.

Ex-olavista e próximo da máquina de fake news do bolsonarismo, acabou sendo vítima da “máquina de linchamentos” e atualmente se dedica a denunciar a turma em suas redes.

Sua militância digital começou em 2004 na extinta rede social Orkut.

Usava o pseudônimo “Luciano Henrique” para provocar “neoateus” e fãs de autores como Richard Dawkins.

Foi a partir desses confrontos que teve contato com as ideias de Olavo de Carvalho.

“Só me fez perder tempo, mesmo que tenha servido de inspiração inicial. Me fez ficar cercado de um círculo de fanáticos. É um tipo de gente que, após sua saída, ficam o tempo todo te atazanando e te perseguindo, mesmo que você jamais tenha feito qualquer tipo de acordo com eles. É um grupo claramente perigoso”, disse ao DCM.

A briga se deu a partir de 2014, em torno do golpe.

“Meu primeiro rompimento ocorreu em outubro de 2015. Argumentei em favor do impeachment de Dilma Rousseff e escrevi que Olavo talvez estivesse ressentido por que não davam atenção ao Foro de São Paulo. Também afirmei que requisitar fechamento de partidos do Foro era autoritário”, afirma.

Olavo, com sua categoria habitual, o chamou de “Dr. Pirrôla do jornalismo. Sua missão é confundir, falsificar, macaquear, distorcer, desnortear e fazer-se de gostosão”.

A vida no WhatsApp

“O bolsonarismo é um grupo político autoritário e que depende de intimidação, humilhação e linchamento para se sustentar. Sem isso, eles sucumbem. Não possuem projeto, não possuem base social, não possuem princípios etc. É uma direita ‘vazia’, que leva a lógica de ‘poder pelo poder’ às últimas consequências. Boa parte desse poder é garantido pela intimidação, o medo e quebra da moral das pessoas”, afirma Luciano Ayan.

Ele a fez parte de grupos de WhatsApp e viu de perto o que aconteceu.

“Víamos claramente que a produção de fake news era incessante. Em 2018 notícias sobre urnas fraudadas não paravam de aparecer. Logo depois da facada de Adélio em Bolsonaro, muitas pessoas buscavam ‘culpados adicionais’ pelo atentado”, conta.

“Em alguns casos, apontavam pessoas inocentes. Mesmo que mostrássemos que inocentes estavam sendo acusados, normalmente não se voltava atrás. Essas eleições claramente foram afetadas por fake news e, lamentavelmente, principalmente pelo lado da extrema direita”.

A máquina segue em pleno funcionamento depois da eleição, como se sabe.

“O que se percebe é que Bolsonaro acredita que dominará toda a direita pela via dos linchamentos. É uma tática muito arriscada, pois na época da conexão em massa as pessoas podem se conectar umas às outras e comentarem esses ataques, gerando indignação. Há muitas pessoas com medo de revidar os ataques bolsolavistas. Bolsonaro claramente executa uma gestão por conflitos, valorizando os que mais conseguem destruir os outros moralmente. Nota-se por exemplo como a reputação de Mourão, Bebianno, Santos Cruz e diversos outros foi completamente destruída a partir de dentro”, complementa.

O caso Marielle 

No dia 14 de março de 2018, a vereadora Marielle foi brutalmente assassinada com seu motorista Anderson Gomes.

Ela levou quatro tiros, sendo três na cabeça. Dois das depois, a colunista Mônica Bergamo divulgou declarações da desembargadora Marília Castro Neves sobre ela, afirmando que estava “engajada com o Comando Vermelho” e que tinha proximidade com o traficante “Marcinho VP”.

O blog Ceticismo Político repercutiu a notícia de Bergamo sobre a desembargadora afirmando que acabava com a “narrativa do PSOL”.

“O blog publicou muitas notícias comentadas entre 2014 e 2018. Foi nisso que acabei me estrepando ao citar a declaração da desembargadora Marília Castro sobre Marielle. Não era uma fake news, mas, de fato, foi uma imprudência ter dado voz a algo para o qual a desembargadora não tinha provas. Esse é o tipo de coisa que eu me arrependo”, afirma.

Na época da morte de Marielle, Luciano Ayan chegou a afirmar que a vereadora era “contra a polícia”.

“Se você me perguntasse isso naquela época, sob aquele clima, eu veria de outra forma. Mas passados 18 meses, vejo que não havia motivo sequer para ter feito aquela matéria. Eu não conhecia muito o trabalho de Marielle e não tinha nada contra ela. Depois fui saber que era uma vereadora muito mais moderada do que eu pensava e era respeitada por setores da Polícia Militar. Na época, minhas páginas de Facebook foram derrubadas”.

Quando seu nome passou a ser associado com fake news, ele também passou a se voltar contra a imprensa.

“Por indignação com a mídia, eu ajudei a promover um discurso de acirramento contra os jornalistas. Me arrependo de ter feito parte. Nesse sentido, sem querer, eu contribuí para o clima anti-mídia dentro da direita”, declara.

“Não fui o único responsável, mas um deles. Isso saiu do controle e virou um discurso nitidamente autoritário. O que eu faria diferente, então, era não ter ajudado a impulsionar o esse discurso”.

“Votei no Bolsonaro contra o PT e sou obrigado a ouvir que faço parte de uma conspiração globalista por parte dessas pessoas”, completa.

A rede bolsonarista

Luciano Ayan vê a atuação de facções diferentes na guerrilha virtual bolsonarista: influenciadores, políticos e assessores com cargos, youtubers, perfis que atuam exclusivamente no Twitter, perfis extremos também no Twitter que geralmente são fakes, além de uma mídia própria das milícias.

Para ele, os influenciadores são Olavo de Carvalho, Allan dos Santos, Fernanda Salles, Flavio Morgenstern, Italo Lorenzon, Leandro Ruschel, Claudia Wild, Silvio Grimaldo, Taiguara F. de Sousa, Eduardo Matos de Alencar, Alexandre Pacheco, Filipe Trielli, André Assi Barreto, Ricardo Roveran, Fernando Melo, Diego Garcia e Filipe Eduardo.

Os defensores de cargos públicos são a família Bolsonaro, Caroline de Toni, Gil Diniz, Helio Lopes, Carlos Jordy, Damares, Filipe Barros, Marcio Labre, Filipe G. Martins, Sara Winter, Steh Papaiano, Arthur Weintraub, Fabio Wajngarten, Onyx Lorenzoni, Abraham Weintraub, Roberto Alvim e Ernesto Araújo.

Os youtubers bolsonaristas são Bernardo Kuster, Daniel Lopez, Nando Moura, Lilo VLOG, Fábio ClickTime, Marcelo Brigadeiro, Fernando Melo e Paula Marisa, entre outros. Perfis do Twitter são Isentões, Dona Regina, Tonho Drinks, O Ódio do Bem, Bolsonéas, Patriotas e outros.

E há os perfis extremos na rede, que fazem linchamento e “terrorismo virtual” na opinião de Luciano Ayan: Left Dex, Peruvian Bot e “Deja el Loen te lechar?”. Ele define esses últimos como a “boca do lixo” na internet.

As mídias bolsonaristas nunca trazem jornalistas profissionais. São órgãos como Crítica Nacional (de Paulo Enéas e Otávio Fakhoury), Renova Mídia, Conexão Política, Senso Incomum (onde no passado atuava Felipe G. Martins e pode ser de Flávio Morgenstern) e Terça Livre (do Allan dos Santos).

Essa rede, no entanto, está em crise.

“Setores bolsolavistas não vão querer gente falando em Queiroz, pedindo a CPI da Lava Jota e criticando Augusto Aras na PGR”.

Arrependimentos 

O dono do Ceticismo Político garante que faria muita coisa de diferente. “Goste-se ou não, Lula foi um presidente com uma visão humana das questões políticas. Note a diferença com Bolsonaro, que é quase o inverso. Para Bolsonaro, seres humanos são apenas carne para o moedor”, define.

“É um governo sem humanidade. A direita tem extrema dificuldade de lidar com isso, de modo que Lula é odiado com todas as forças. Não é algo racional”.

Luciano Ayan afirma que o Ceticismo não rendeu monetização nem por seis meses e que a revelação do seu verdadeiro nome trouxe problemas para seu trabalho com tecnologia.

Pretende publicar um livro sobre seitas e como elas se manifestam nessa extrema direita bolsonarista.

Teve uma sociedade com Pedro Deyrot, um dos fundadores do MBL, que afirma que não foi adiante e foi encerrada.

Mantém contato com nomes do MBL. “No entanto, não quero ser confundido com um integrante do grupo deles. Converso com pessoas com opiniões inclusive mais críticas às minhas”.

“Se voltasse no tempo, teria votado em Ciro Gomes ou Fernando Haddad. Por mais que isso possa incomodar algumas pessoas de meu círculo de amizades”, afirma.

“Hoje em dia eu prefiro um candidato de esquerda democrática a um de direita autocrática”.

DCM

Governo vai acabar taxa extra para voo internacional

0

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, confirmou nesta segunda-feira (28) que o governo vai acabar com a taxa extra de US$ 18 cobrada de passageiros que voam para fora do país. De acordo com o ministro, o objetivo é incentivar o setor de aviação civil e a entrada de novas empresas no setor.

“Vou antecipar uma das medidas, que é a eliminação da taxa adicional de US$ 18 para voos internacionais”, afirmou Freitas após participar do Fórum de Líderes da Associação Latino-Americana de Transporte Aéreo (ALTA).

A taxa é uma cobrança adicional feita junto com a tarifa de embarque em voos internacionais nos principais aeroportos do país.

De acordo com o ministro, o fim da taxa será feito em breve.

Agência Brasil

Bolsonaro posta vídeo em que se compara a um leão e ataca instituições e imprensa

0

Mais uma de Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais. Na tarde desta-segunda (28), o chefe da nação postou um vídeo em seu Twitter, em que ele é representado por um leão, rodeador por hienas que o atacam.

As hienas seriam opositores de Bolsonaro, identificados por nomes de instituições e imprensa. Na história do vídeo, o Conservador Patriota é representado por outro leão que “namora” o presidente.

No final do vídeo, aparecem a legenda: “Vamos apoiar o nosso presidente até o fim! E não atacá-lo! Já tem oposição para fazer isso”. Já na legenda da publicação, o presidente da República escreveu: “Chile, Argentina, Bolívia, Peru, Equador… Mais que a vida, a nossa liberdade. Brasil acima de tudo! Deus acima de todos”.

A Organização das Nações Unidas (ONU), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Greenpeace, além de partidos políticos como o PT, PSL, PCdoB e PSOL, dentre outros veículos de imprensa como Globo, Folha de S.Paulo, Estadão e a revista Veja, são os alvos do presidente. Bolsonaro é salvo apenas, quando outro leão, denominado de Conservador Patriota, consegue enfrentar e afugentar as hienas.

No vídeo aparecem 23 hienas que atacam o leão: STF, ONU, PSL, PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSDB, TV GLOBO, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja, Organização dos Advogados do Brasil (OAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Força Sindical, Greenpeace, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Brasil Livre (MBL), Feminismo, Isentão, Lei Rouanet e a Jovem Pan.

 

Veja o vídeo:

Da Redação

Mais um: Homem denuncia ter sido agredido com soco inglês por ordem de Marcell Moraes

0

 

Um caso de agressão envolvendo o deputado estadual Marcell Moraes (PSDB) e o primo dele, seu ex-assessor parlamentar Lucas Carvalho, trouxe à tona outros casos semelhantes envolvendo o tucano. Um nova denúncia, registrada em boletim de ocorrência no início deste ano, reforça o histórico de comportamentos agressivos por parte do parlamentar.

De acordo com o documento, ao qual o BNews teve acesso, um homem teria sido espancado em Salvador, a mando do deputado, que teria assistido a tudo com Vanessa Pontes, sua suposta amante, assessora e sobrinha da mulher do denunciante. O caso foi registrado na 16ª Delegacia Territorial, da Pituba. A vítima recebeu golpes no rosto com soco inglês.

Segundo o relato, o caso aconteceu no dia 13 de janeiro. O homem disse que foi chamado por Marcell para ir até o prédio. Ao chegar, encontrou-o acompanhado de Vanessa e o cumprimentou com um aperto de mão. Logo depois, uma terceira pessoa apareceu no local, agredindo-o fisicamente. Os golpes deixaram a vítima com lesões na boca e na face. Em seguida, eles deixaram o local de carro.

“A partir de então [Marcell] passou a enviar mensagem de acusações caluniosas e ameaças de que essa situação irá continuar”, contou o homem à polícia.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestou as agressões. Conforme o relatório, a vítima teve fratura e deslocamento da mandíbula, com recomendação de cirurgia para corrigir o problema.

Intimada posteriormente a depor sobre o caso, Vanessa negou a versão do homem. A assessora disse acreditar ainda que a acusação foi feita pelo fato de que ela estaria movendo, na época, um processo ele por estupro, algo não aceito pela família.

Agressão ao primo

Em relato sobre o caso feito ao BNews, Lucas explicou que estava no trabalho quando recebeu uma mensagem do deputado pedindo para ele ir até o apartamento, com quem vive com a amante, em Armação. Ao chegar ao local, quatro assessores do parlamentar já estariam na residência. Marcell teria perguntado se Lucas já tinha “ficado” com sua amante.

Lucas contou que Marcel mandou os assessores começarem a lhe bater. Ele foi agredido no rosto e nas costelas até conseguir fugir e pedir socorro na recepção do prédio.

BNews

“As coisas pioraram”, diz Caco Barcellos sobre violência do Estado

0

Caco Barcellos, 68, diz que o nome Profissão Repórter, o programa que idealizou e que acaba de completar 400 episódios na Globo, no último dia 16, tem várias fontes. Uma delas é um livro de Flávio Alcaraz Gomes, repórter de rádio que ele cresceu ouvindo em Porto Alegre, enviado a guerras pelo mundo.

Foi também o título de outro livro de repórter gaúcho, Marcos Faerman, que abriu as portas para Barcellos em São Paulo. E antes houve o filme de Antonioni, de 1975, em que Jack Nicholson, desesperançado, desiste da profissão. Barcellos não é disso.

Em meio à comemoração das 400 edições, ele foi ao morro do Fallet, no Rio de Janeiro, para ouvir a mãe de Roger, 18, e Victor Hugo, 16, dois dos 15 mortos na operação policial de oito meses atrás, que serviu de marco inicial para o governo de Wilson Witzel. “Eles não tiraram só a vida dos meus filhos, tiraram a razão da minha”, falou ela.

Barcellos não desiste da profissão apesar de ver a história se repetir, quase três décadas depois de ter lançado “Rota 66 – A História da Polícia que Mata”, de 1992. Escrito a partir da morte de três jovens em São Paulo, em 1975, o livro-reportagem se tornou referência no desvendamento da violência policial, dando nomes ao esquadrão da morte.

Um dos jovens mortos, Francisco, era namorado da atriz Iara Jamra, então com 20 anos. Ela recorda que foi ao julgamento dos PMs, todos absolvidos, e que o livro de Barcellos foi a única resposta à injustiça contra Francisco, os amigos João Augusto e Carlos e com ela própria. “Agora está igual ou pior”, acrescenta, com desalento.

O jornalista também pensa assim. “As coisas pioraram”, afirma Barcellos. “A violência do Estado tem aumentado muito. Quando lancei o ‘Rota 66’, a polícia de São Paulo atingiu o recorde de 1.500, que o Rio de Janeiro superou no ano passado.”

Entre uma e outra história de mortandade policial, ele conta que foi adquirindo “consciência do pouco poder, da pouca influência” que tem como jornalista. “Hoje, quando conto uma história assim, de natureza negativa, eu tenho apenas essa esperança de que as pessoas se deem conta da tragédia que é”, diz.

Imagina ou fantasia “convencer o causador a parar”, mas evita se mostrar ingênuo. Avisa, por exemplo, contra números sobre queda nos assassinatos. “É falso isso. É análise do homicídio isolado.”

Não levam em conta, diz, as mortes que resultam de operações. “Como se os mortos pela polícia não fossem cidadãos. Outro número que não vai para homicídios é o das milícias. Elas matam e desaparecem com os corpos. A gente viu agora a descoberta de cemitérios no Rio.”

De maneira geral, ele denuncia “uma manipulação dos números, para parecer uma queda, mas é um aumento grande”. O tema é caro para ele, que desconfia até do crescimento nos suicídios, lembrando que “o Brasil já fez muito isso, a ditadura fazia muito”.

Lamenta que persiste “o discurso da violência nos meios de comunicação”, usado até para ganhar voto. Questionado sobre os programas de início de noite, não cita ninguém, mas responde: “Todo mundo precisa pensar bastante sobre isso. De que forma está contribuindo para mais violência. Por que nos tornamos um dos povos mais violentos do mundo”.

Perto dos 70, ele não dá sinal de parar. Para a entrevista na sede da Globo em São Paulo, apareceu de mala na mão, voltando de uma reportagem no Rio, e em seguida saiu para outra em Cidade Tiradentes, bairro no extremo leste de São Paulo. Iria retratar o contraste da expectativa de vida no subúrbio, três décadas menor que na região da avenida Paulista.

Ali Kamel, diretor-geral de jornalismo da Globo, fala dele como “um gigante do jornalismo, suas reportagens, seu programa, seus livros mostram isso”. E conta uma passagem para mostrar que a relevância que alcançou na profissão não levou a “estrelismo”. Foi quando Barcellos viajou a Roma após a morte do papa João Paulo 2º, em 2005.

“Uma fila enorme acabou se formando para ver o corpo. Pedi que acompanhasse, para relatar a experiência de ficar horas na fila, no frio, e mostrar os sentimentos dos fiéis”, diz Kamel. Começou em seis horas, mas foi a 18 e, apesar dos pedidos, “Caco não arredou pé, a reportagem só estaria pronta diante do corpo”. Foram sete minutos no Jornal Nacional daquela noite.

Barcellos, que foi correspondente no exterior, ainda gosta do noticiário internacional. Uma das coberturas que já estava imaginando nesta última semana para o Profissão Repórter era dos conflitos em Santiago, no Chile.

Pensava em retratar a desigualdade na América Latina, mas na conversa acabou se voltando novamente ao Brasil. Cita dados recentes da organização Oxfam que põem o país como terceiro mais desigual na região, só atrás de Colômbia e Honduras.

“A melhor história, entre aspas, está aqui, devido à nossa urgência”, diz. “Desigualdade extrema gera reações extremas. Menos no Brasil. Por quê? É uma grande pergunta, que fico fazendo. Talvez a explosão aqui seja mais de natureza individual. Pega o revólver e vai assaltar.”

No Chile ou em Cidade Tiradentes, o que ele não quer é ficar na Redação. “Eu nunca saí da rua”, diz. Ao formatar o Profissão Repórter, em 2006, fez questão de eliminar figuras como o produtor e o pauteiro, papéis que no seu entender devem ser feitos pelo próprio repórter.

“E agora a gente acha essencial mostrar os bastidores”, diz. “Porque a concorrência produz muita fake news. Qualquer um hoje vai para a rede social e é concorrente. Sem filtro, produz muita coisa falsa.” Para enfrentar a desinformação, quer revelar como se produz a notícia.

Folhapress