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Começa a noite e eles vão chegando aos montes. A parada é no cemitério de Juazeiro, ponto de uma gataria formada por dezenas de gatos, que ficam a espera de comida. Gatos adultos, filhotes se espalham por todas as partes do espaço. Eles estão nos muros, na praça ao lado, dentro e na entrada do cemitério. Uma cena que se repete todas as noites. Na noite de terça-feira (26), a equipe do PNB contou mais de 50 gatos no local.
“Eles passaram a vir pra cá, depois que algumas pessoas da vizinhança e ate de outros bairros, passaram a deixar comida. Tem gente que vem de longe trazer comida pra eles. No começo eram poucos, mas a cada dia aumenta o número de gatos aqui no cemitério todas as noites”, disse uma moradora da rua que não quis ser identificada.
Se por um lado, a cena revela uma atitude positiva de voluntários que alimentam os animais de rua, por outro denuncia, maus tratos por parte de quem abandona os animais.
“Já vi muita gente deixar filhotes, gatos doentes, com feridas e com membros quebrados, para se livrar dos animais. Pelo que sei, o abandono de animais é crime também e isso acontece aqui diariamente, sem que ninguém tome providências”, relatou a mesma moradora.
Segundo ela, os felinos reviram as covas e já se observou até restos mortais expostos no cemitério, o que desperta a preocupação dos moradores em relação a contaminação dos animais. Além disso, muitos animais doentes buscam abrigo no espaço, ameaçando a saúde pública.
” Tem cada um de dá dó. Magros, empesteados, doentes e isso nos assusta, porque sabemos que muitas destas doenças, são transmitidas para o ser humano. Nunca vi por aqui o setor de zoonoses da prefeitura, que parece não enxergar essa situação”, reclamou a moradora.
Zoonoses são doenças naturalmente transmissíveis entre os animais e o homem, causadas por diferentes agentes, como mosquitos, parasitas intestinais (vermes e protozoários) e ácaros.
O PNB conversou com a veterinária Vanessa Borges sobre a situação. Veja a entrevista na íntegra:
PNB: Qual sua opinião sobre essa situação?
V.B: Vejo essa situação de duas formas: como uma atitude de pessoas de bom coração pelo fato de ajudarem aqueles animais com alimentação e cuidando dos doentes; e vejo como um “depósito” de animais devido a algumas pessoas que se aproveitam da situação para se livrar dos animais que não querem.
PNB: Há ameaça a saúde pública?
V.B: Sim. Além das zoonoses que são doenças que podem ser transmitidas para o ser humano, esse animais acabam cavando os túmulos onde possue material em decomposição, deixando as pessoas que transitam por ali em exposição.
PNB: 3 . O que poderia ser feito?
V.B: Os órgãos responsáveis poderiam fazer o resgate desses animais para realização de procedimentos necessários e posteriormente dispor esses animais para adoção.
PNB: 4. Sobre a atuação do controle do setor de zoonoses?
V.B: Na cidade de Juazeiro existe o Centro de controle de zoonoses, porém não existe atuação. Com muita burocracia fazem o resgate de alguns animais comprovados com leishmaniose, conhecido como Calazar.
PNB: Abandono de animal é crime?
V.B: Sim. Não só abandonar é crime, como também bater, espancar, não fornecer alimentação e água, não levar ao veterinário quando necessitar. Tudo isso configura maus tratos sob pena de 3 meses a 1 ano de reclusão e multa.
PNB: 6. Eles reviram covas, qual o risco disso?
V.B: Não se sabe do que aquelas pessoas ali enterradas faleceram. Então, o ato de cavar acaba expondo as pessoas ao risco de contágio de doenças através do contato com aquele material desenterrado.
PNB: A proliferação dos gatos poderia ser controlada com a castração?
V.B: A melhor maneira de controlar essa superpopulação de gatos e cães nas ruas é a realização de castrações que podem ser feitas pelos órgãos competentes, pois os mesmos possuem profissionais para isso, só não são atuantes. Se fosse realizado pelo menos um mutirão de castração a cada 6 meses, já ajudaria bastante na redução desses animais vivendo nas ruas.
Da Redação Por Sibelle Fonseca












