O Hospital Sote não mais prestará o serviço de atendimento das Cirurgias Ortopédicas encaminhadas pela Central de Regulação da Rede PE/BA(Pernambuco/Bahia). O motivo, segundo a equipe Gestora do Hospital, que enviou nota à imprensa, foi que “de forma unilateral, o Governo do Estado da Bahia encerrou a relação de formalidade entre o Sote e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia-SESAB.
A medida já está valendo e a partir deste mês o serviço de cirurgias está suspenso, ficando garantidas as revisões aos pacientes que realizaram cirurgias na unidade hospitalar.
Confira nota na íntegra:
Por meio do presente, a Equipe Gestora do Hospital Sote Juazeiro comunica à população regional que, a partir de janeiro de 2019, não prestaremos mais o serviço de atendimento das Cirurgias Ortopédicas encaminhadas pela Central de Regulação da Rede PE/BA(Pernambuco/Bahia), uma vez que, de forma unilateral, o Governo do Estado da Bahia encerrou a relação de formalidade entre o Sote e a Secretaria de Saúde do Estado
da Bahia-SESAB.
Ressaltamos, no entanto, que estão garantidas as Revisões e as Reabordagens à todos os pacientes/clientes que realizaram Procedimento Cirúrgico em nossa Unidade.
Desde já agradecemos a população pela confiança ao longo dos anos, na certeza da,nossa responsabilidade com a mesma. O Hospital Sote, referencia em Ortopedia e Traumatologia a mais de 40 anos na Região do Vale do São Francisco, continuará da mesma forma, cuidando da saúde dos seus movimentos.
Os 54 senadores eleitos em outubro passado tomaram posse nesta sexta-feira (1º) no Plenário. Eles representam dois terços da composição da Casa e terão oito anos de mandato.
A reunião preparatória estava marcada para as 15h, mas começou com 34 minutos de atraso. O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) presidiu os trabalhos. Quarto suplente de secretário, ele é o único integrante da Mesa remanescente do período anterior.
O juramento de posse foi lido em Plenário pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele é o parlamentar mais idoso eleito pela Bahia, o primeiro estado criado no Brasil.
— Prometo guardar a Constituição federal e as leis do país, desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador que o povo me conferiu e sustentar a União, a integridade e a independência do Brasil — declarou Jaques Wagner.
De acordo com o Regimento Interno, os outros senadores não precisariam repetir o juramento completo. Mas senador Davi Alcolumbre introduziu “uma inovação” no rito de posse. Ele convidou para também ler o termo o mais novo entre os parlamentares eleitos em outubro, o senador Irajá (PSD-TO).
— Vivemos momentos de renovação da política nacional. Por ser o mais jovem, convido o senador Irajá para fazer o juramento em nome da juventude brasileira, que acredita em um país com menos injustiças e mais respeito a seu povo e sua gente — afirmou Alcolumbre.
Em seguida, os outros 52 parlamentares eleitos foram chamados a prestar o juramento e a repetirem, um a um: “Assim o prometo”.
A reunião durou 30 minutos. Além de familiares e convidados dos novos senadores, autoridades dos três Poderes acompanharam a cerimônia no Plenário. Entre elas, os ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Bento Albuquerque (Minas e Energia); o governador João Dória (São Paulo); o ministro Vital do Rego, do Tribunal de Contas da União; os ex-senadores Mauro Benevides e Rodrigo Rollemberg; o ex-governador Ciro Gomes (Ceará); e o ex-prefeito Gilberto Kassab (São Paulo).
A Secretaria de Gestão de Pessoas (SEGESP) divulgou no Diário Oficial do Município desta quinta-feira (31), o 29º edital de convocação dos candidatos aprovados no processo seletivo referente ao edital Nº 002/2017 da Secretaria de Administração (SEAD). Esta será a última convocação deste processo.
Os candidatos convocados devem entregar a documentação solicitada no setor de RH da Secretaria da Saúde, localizado à Rua 15 de Julho, nº 32, Centro – Juazeiro (BA), na próxima terça-feira (05) de fevereiro, das 08h30 às 12h e das 14h30 às 18h.
A notícia do encerramento das atividades do Hospital Nair Alves de Souza (HNAS), em Paulo Afonso, no Vale São-Franciscano da Bahia, deixou a população local apreensiva. A falta de repasses da prefeitura, que recebe recursos do Ministério da Saúde, seria o principal motivo indicado em um ofício enviado pela direção da Gestão Corporativa da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) ao Município.
Por meio nota, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que “foi surpreendida” com o anúncio. “A unidade hospitalar, que vem sendo mantida por meio de convênio entre a Chesf e a Prefeitura de Paulo Afonso desde a sua fundação, configura-se hoje como o principal equipamento hospitalar da região, que abrange municípios da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco”, diz trecho da nota da secretaria.
“Com a decisão anunciada de forma unilateral, sem consultar os entes envolvidos, a Chesf descumpre acordo iniciado em 2015 e firmado em agosto de 2018, com a participação dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, Governo da Bahia, Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, UNIVASF e EBSERH, através do qual a unidade seria federalizada e transferida para gestão universitária, após investimentos de R$ 45 milhões na reforma e ampliação da unidade”, salienta.
A companhia afirma que é substancialmente onerada pelos custos da unidade, com cifras que se aproximam de R$ 50 milhões por ano. Procurada pela reportagem, a assessoria da prefeitura rebateu as acusações e afirmou que a Chesf “é devedora do município em R$ 56.939.284, 16 referente a Imposto Sobre Serviço (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), taxa de fiscalização e funcionamento, licença ambiental, entre outras taxas”.
A assessoria da prefeitura rebateu as acusações e afirmou que a Chesf “é devedora do município em R$ 56.939.284, 16 referente a Imposto Sobre Serviço (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), taxa de fiscalização e funcionamento, licença ambiental, entre outras taxas”.
A situação é acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF), que recomendou a suspensão do procedimento adotado pela empresa para encerrar ou diminuir a carga de atendimentos no hospital Nair Alves de Souza. A Chesf tem um prazo de 10 dias para aceitar ou não o proposto pelo procurador.
Segundo publicação da edição do Diário Oficial do Estado (DOE), desta quinta (31), houve uma série de exonerações e nomeações em cargos da Polícia Militar em diversas cidades da Bahia.
Entre as alterações, está a mudança no comando da 96ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) em Sobradinho.
O major Cláudio Luiz Pitta, que comandava a unidade, foi exonerado do cargo e nomeado para o cargo de Coordenador II, símbolo DAS-3, do Comando de Policiamento da Região Norte.
A 96ª CIPM será comandada agora pelo Major Manuel de Araújo Perdiz Filho, morador de Sobradinho, exonerado do cargo de Coordenador II, símbolo DAS-3, do Comando de Policiamento da Região Norte, da Polícia Militar.
A 96ª CIPM é responsável pelo policiamento dos municípios de Sobradinho e Sento Sé.
A data da posse do novo comandante ainda não foi divulgada.
Na tarde desta quinta-feira (31), o Secretário de Governo de Juazeiro, Clériston Andrade, prestou queixa na Delegacia de Juazeiro, contra duas pessoas que nas redes sociais usam os perfis de Cléber Jesus e Augusto Justo, também conhecido como “Erry Justo”, por ofensa à honra e à imagem.
Segundo o boletim de ocorrência, o secretário relatou que os dois, passaram a comentar e compartilhar suas postagens nas redes sociais, com ofensas e mensagens de ódio. De acordo com a denúncia, Cléber Jesus teria publicado mensagens, acusando-o de intolerância religiosa, machismo e comparando-o com um ser “satânico, arbitrário e perverso”.
(Reprodução Facebook)
Já o internauta, também acusado,”Erry Justo”, teria chamado Clériston Andrade de “babaca ameaçando-o implicitamente quando diz que “torce pela volta do DOI-CODI( órgãos de inteligência e repressão do governo brasileiro durante a ditadura militar, acusado de torturas durante o regime) dizendo que faria parte da “catança”, deixando registrado também que tem “asco de comunista”, sendo que o secretário é membro do Partido Comunista do Brasil.
(Reprodução Facebook)
O PNB conversou o Clériston Andrade, que nos relatou estar sendo, constantemente, perseguido nas redes sociais pelos dois acusados, que representam um grupo que se intitula de “Conservadores”, apoiadores de Jair Bolsonaro e que faz uma oposição “rasteira e irresponsável” ao governo que o secretário representa, utilizando os “sub-mundos” da redes sociais para atacar entes da gestão e o próprio gestor, se referindo aos grupos de WhatsApp.
“Tudo tem limite, até mesmo a liberdade de expressão. Uma coisa é expor uma opinião, outra é atacar a pessoa, com termos chulos, carregados de ódio e ofensivos. Sou servidor público e estou aberto as criticas e julgamentos, mas, antes de tudo sou um cidadão, um profissional, tenho família e um nome a zelar. Não é de agora que pessoas desse grupo, e seus simpatizantes, me patrulham, perseguem e ofendem. Até então, mantive minha serenidade e compreendi a ira dos raivosos, mas o direito deles de me ofender, esbarra no meu direito de buscar a lei, porque confio nas instituições”, enfatizou o secretário.
Ele disse também que até mesmo sua filha, de 16 anos, foi atacada por outro integrante do mesmo grupo, um professor universitário, porque a adolescente fez uma postagem em sua página pessoal, criticando quem utiliza a rede, para “espalhar um monte de mentiras, influenciando ódio na vida das pessoas”, considerou.
“Vejam até que ponto chegaram os ataques a mim. Usaram minha filha para me atingir, envolvendo uma menina em questões ‘politiqueiras’, pessoais e expondo uma adolescente.”
De acordo com o secretário, o professor reconheceu o erro e se retratou, também pelas redes sociais, após ser repudiado por alguns colegas de profissão, como consta no pedido de desculpas, confessando que “errar é comum ao ser humano”.
A retratação convenceu o secretário, que desistiu de incluí-lo na lista dos acusados prestada na polícia.
“Recebi e aceitei o pedido de retratação do professor.Vida que segue. Os demais casos estão entregues à Polícia Civil. Que amadureçamos e preservemos a democracia como um valor inegociável”, arrematou Clériston Andrade.
O PNB entrou em contato com Cléber Jesus, que afirmou não ter conhecimento sobre a queixa crime e se declarou inocente. “Não agredi ninguém. Não houve agressão da minha parte”, disse.
O outro internauta acusado de ofensa e ameaça, Erry Justo, não foi localizado por nossa reportagem.
A Polícia agora vai apurar os fatos e encaminhar o caso à Justiça.
O Secretário Clériston Andrade publicou um texto sobre o ocorrido, em sua página de Facebook.
Veja na íntegra
Na vida e na política, divergências são saudáveis. É a partir delas que se constrói um ambiente democrático. Todavia, os espaços para quem tem opinião vêm sendo minados no Brasil da “nova era. Ela tem a merca da visão única de mundo, da intolerância e da rejeição violenta às críticas.
No país que emergiu das urnas, ataques “ad hominem” viraram moda. Ninguém discute mais ideias, mas pessoas e, nesta onda, gente de índole duvidosa foi empoderada e saiu das cavernas da maldade.
Nos últimos dias, venho sendo alvo de pessoas com este perfil. Nas redes sociais, já fui xingado, caluniado e acusado até de ter posses com as quais nunca sonhei.
Um professor universitário, um recruta da Polícia Militar, um radialista e três músicos encabeçam os ataques, por vezes, escondidos sob uma sigla dita conservadora. Eles distorcem palavras, isolam frases e atacam, atacam, atacam com o ódio que os caracteriza.
Hoje, o nível mais baixo foi atingido. Minha filha de 16 anos teve suas publicações compartilhadas por um professor de idade já avançada, bolsonarista, que questiona sua educação.
Sara é minha maior dádiva. Ela tem opinião própria e não tem medo de expressá-la, assume posições políticas e, como é próprio de uma adolescente, por vezes se excede. Mas a criei para a liberdade, para não deixar se subjugar por ser mulher e não se intimidar diante de quem ousa gritar com ela. E ela é assim e me orgulha por ser assim.
Não para por aí. Estas pessoas, de maneira desonesta, tentam reinterpretar uma charge que postei e que faz clara ironia com o governo atual, envolto em problemas com a justiça e pelas suas relações com milicianos. Tentaram passar a impressão de que eu fazia piada com vítimas de Brumadinho, mas só revelaram a incapacidade de interpretação de texto, somada à uma má-fé que caracteriza a ultradireita brasileira.
Tais “conservadores, defensores dos valores cristãos” deviam estar em Marte quando o seu “mito” desejou que a ex-presidente Dilma morresse “de câncer ou enfartada”. Tão solidários e humanos, nada disserem quando se exaltou a memória de Ustra, um homem que torturava mulheres colocando ratos em suas vaginas.
Sempre me posicionei. Não tenho e não terei medo de continuar me posicionando contra o que considero reacionário, ultrapassado e injusto.
Mas tem mais desonestidade intelectual. A história da ministra no pé de goiaba, vocês se lembram, foi ridicularizada no país inteiro. Só depois se revelou o episódio do abuso sexual que sofrera na infância. Ocorre, porém, que os prints já haviam sido feitos e eles os usam sem explicar contextos.
Damares tem minha oposição porque nada nela lembra o verdadeiro Evangelho. Suas práticas e mensagens, revelam profundo desprezo pela verdade das Escrituras. Como ministra, propõe políticas absurdas, propaga preconceitos e alimenta ideias completamente desconexas da realidade. Não posso fazer oposição? Tenho que ficar calado só porque ela é evangélica e eu sou protestante?
Sobre outros ministros do atual governo, tenho divergências flagrantes e, como a democracia ainda não foi oficialmente revogada, as expresso. Mas eles se ofendem porque estão abraçados com um projeto de poder autoritário e se convenceram que, a partir de 1 de janeiro, se tornaram donos do país. Ledo engano.
Existe também o âmbito local. É por ele que muitas coisas se explicam. Não me odeiam pelas minhas ideias, mas porque têm sede de poder e acumulam derrotas consecutivas para o grupo que pertenço. Tal problema não deveriam tentar resolver comigo, mas com as urnas.
Do alto da pseudo-moralidade conservadora, eles se abraçam e mergulham na própria hipocrisia. Tem de tudo entre eles, até quem já seja condenado por um ato odioso!
O que fizeram não ficará impune. Procederei queixa-crime contra todos e, espero, que a justiça os faça lembrar que vivemos num estado democrático de DIREITO, não DE DIREITA.
Recebi e aceitei o pedido de retratação do professor. Vida que segue.
Os demais casos estão entregues à Polícia Civil.
Que amadureçamos e preservemos a democracia como um valor inegociável.
A busca pela sonhada estabilidade profissional levou quase 27 mil pessoas a se inscrever para o concurso da Prefeitura de Petrolina que oferece 370 oportunidades em diferentes níveis de escolaridade. A seleção, lançada em novembro de 2018, disponibiliza 334 vagas para a área da Saúde e profissionais que atuarão na Administração Municipal e ainda 36 vagas para professor de Libras e Braile da Secretaria Municipal de Educação.
Além do grande número de inscritos, outro dado chama atenção no concurso público da prefeitura: quase 9 mil pessoas foram contempladas com a isenção na taxa de inscrição e farão a prova sem custo algum. As vagas são para médicos, auditor fiscal I, enfermeiro, odontólogo, farmacêutico, auxiliar de laboratório, assistente social, bibliotecário, museólogo, técnico agrícola, técnico em laboratório, técnico de enfermagem, entre outras.
O maior número de inscrições foi para o cargo de agente comunitário de saúde que recebeu 5.274 inscritos. A seleção está sendo coordenada pelo Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco (Iaupe) e as provas serão realizadas no dia 24 de fevereiro. Devido ao grande número de inscritos, as provas precisaram ser divididas e serão aplicadas nos turnos da manhã e tarde.
Os candidatos deverão acompanhar os informes sobre o andamento do concurso, assim como locais de provas, turnos e horários, através do site da organizadorawww.upenet.com.br. O resultado da seleção está previsto para ser divulgado no dia 18 de março.
Na manhã desta quinta-feira, trinta e um (31) de fevereiro o Comando de Policiamento da Região Norte (CPRN) reuniu os capitães e tenentes que serão empregados na Operação Carnaval de Juazeiro 2019. Os oficiais atuarão, durante a festa, principalmente, nas chefias de Postos de Comando e Posto de Reunião de Tropa e tem como função principal gerir o policiamento na área, adequando-o a realidade da folia em seu perímetro.
A reunião teve como objetivo orientar os oficiais quanto as ações que devem ser desenvolvidas pela Polícia Militar da Bahia (PMBA) durante o período momesco municipal, esmiuçando suas funções e daqueles que estarão sob sua tutela. As principais orientações foram referentes a distribuição das patrulhas no circuito, atentando para que estas estejam equitativamente divididas para que não existam locais mal policiados, os chamados clarões; orientou-se, ainda, o fomento às abordagens a fim de evitar a posse de materiais ilícitos e/ou letais.
No encontro, o Comandante do CPRN, coronel Anselmo Bispo, também conclamou os participantes a manterem o equilíbrio e comprometimento com a causa pública de modo a permitir que o folião de bem tenha uma festa tranquila, mas que aqueles que estão mal-intencionados não logrem êxito em seus planos maléficos.
Índios da aldeia Kamayurá, localizada no centro da reserva indígena do Xingu, no norte do Mato Grosso, afirmaram à revista Época que a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, levou Kajutiti Lulu Kamayurá, à época com seis anos, irregularmente da tribo. Damares apresenta Lulu, hoje com 20 anos, como sua filha adotiva, mas a adoção nunca foi formalizada legalmente, conforme a própria ministra já admitiu em entrevista à TV Globo.
Segundo os índios, Lulu deixou a aldeia levada pela amiga e braço direito de Damares, Márcia Suzuki, sob o pretexto de fazer um tratamento dentário na cidade, mas nunca mais voltou. Márcia fundou, junto com Damares, a ONG Atini, cuja bandeira é salvar crianças indígenas do infanticídio. “Márcia veio na Kuarup (festa tradicional em homenagem aos mortos), olhou os dentes todos estragados (de Lulu) e falou que ia levar para tratar”, contou Mapulu, pajé kamayurá e irmã do cacique.
Em resposta a questionamentos da revista, a ministra afirmou que a família biológica da filha adotiva a visita regularmente. Perguntada porque a criança não voltou à aldeia após o tratamento dentário, Damares disse que Lulu retornou ao Xingu para visitas. “Ela deixou o local com a família e jamais perdeu o contato com seus parentes biológicos.” Os índios, por sua vez, dizem que a primeira visita de Lulu só aconteceu há cerca de dois anos. A questão sobre não ter adotado formalmente a menina foi ignorada pela ministra.
Segundo a revista, para estar de acordo com a lei, a adoção de uma criança indígena precisa passar pelo crivo da Justiça Federal e da Justiça comum. A adoção, ou mesmo a guarda ou a tutela, também dependem do aval da Funai. No processo, uma equipe de estudos psicossociais deve analisar se há vínculos entre a criança e o adotante e se a família mais extensa corrobora a adoção. No caso dos indígenas, deve ser ouvida a aldeia.
Os relatos dos índios contam que a mãe biológica da criança não tinha condições de cuidar dela e que Piracumã, o tio da menina, teve a ideia de deixá-la aos cuidados da vó paterna, Tanumakaru. A aldeia, no entanto, sofria com escassez de comida e remédios, e Lulu chegou a ficar desnutrida. À época, chegou a ser levada de avião por servidores que cuidam da saúde dos indígenas na região. Depois se recuperou, mas ficou com a dentição torta pelo uso de mamadeira.
“Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?”, disse, em tupi, a avó, hoje quase octogenária. Questionada sobre se sabia, no momento da partida de Lulu, que ela não mais retornaria, respondeu: “Nunca”.
Em diversas ocasiões, a ministra fez críticas aos costumes indígenas. Em 2013, em um culto, Damares disse que além de Lulu ter sido salva do infanticídio e ter sido maltratada pela miséria dos kamayurás, a menina seria escrava do próprio povo.
As acusações de infanticídio e maus-tratos feitas pela ministra são rebatidas pelos kamayurás. “Quem sofreu mesmo, quem ficava acordada fazendo mingau, era a vovó Tanumakaru, não a Damares. Ajudei a buscar leite nessa época”, disse a pajé Mapulu.
Os índios, porém, não negam que sacrificavam crianças no passado. No caso de Lulu, foi Piracumã, o tio da criança, quem insistiu para a mãe não enterrar o bebê. “Antigamente, tinha o costume de enterrar. Hoje, a lei mudou”, completou Mapulu.