Preto no Branco

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“Até hoje eu espero pelo SAMU”, reclama professor, em Juazeiro

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O professor Edilton Mendes, leitor do Preto No Branco, entrou em contato com nossa redação para reclamar do Samu, em Juazeiro.

Segundo ele, na manhã de segunda-feira (19) uma senhora de 63 anos, vinda de Santa Maria da Boa Vista – PE, sentiu-se mal na rua e pediu ajuda a quem passava pelo local. O professor ligou para o SAMU na tentativa de conseguir que uma unidade fosse prestar socorro a idosa.

“Falei com a atendente, que passou para um médico, com voz embolada, parece que falando espanhol. Eu descrevi a situação da paciente, o médico perguntou se ela estava fria, suando e eu confirmei que sim. Pelo telefone mesmo ele disse que podia ser hipoglicemia e que eu  providenciasse uma bala de açúcar, o que fiz de pronto, e aguardasse a ambulância”, contou Edilton.

O professor, que também é um profissional da área de saúde, com conhecimento em terapias alternativas, disse que prestou assistência a senhora, na esperança de que o Samu fosse socorrê- la, o que não aconteceu.

“Até hoje eu espero pelo SAMU. O médico mexicano, peruano, cubano, portunhol ou sei lá o que, não designou uma ambulância para atender a idosa. Pergunto: pra que serve a SAMU, em Juazeiro Bahia? A mulher poderia morrer no meio da rua, caso eu não a atendesse. Eu a hidratei, dei abrigo, fazendo a minha parte, mas ela precisava de um atendimento especializado. Depois ficam alegando serem eficientes. São irresponsáveis!”, desabafou o professor.

Encaminhamos a reclamação do professor para a assessoria da Secretaria de Saúde.

Da Redação

Sebrae Bahia participa de reunião, em Brasília, para articular derrubada do veto

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Brasília - Sessão plenária Congresso Nacional para votar vetos presidenciais e o projeto que abre crédito especial para os ministérios da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento Social (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Após reunião entre a Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa com lideranças do Sebrae, entre elas o superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, e o presidente da instituição, Guilherme Afif Domingos, o presidente do Senado e do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), se comprometeu a colocar em votação o veto ao programa de refinanciamento das dívidas tributárias (Refis) para as micro e pequenas empresas na próxima sessão do Congresso, no dia 6 de março.

O Refis, que foi vetado pelo presidente Michel Temer, em 5 de janeiro deste ano, criava condições diferenciadas de refinanciamento de dívidas dos pequenos negócios. Na prática, ele pode ajudar as empresas que tiveram dificuldades durante o período de recessão e possuem dívidas tributárias com a União, ao facilitar a renegociação, com mais parcelas e redução expressiva de juros e multas.

“A derrubada do veto é de extrema importância nesse momento de recuperação econômica pelo qual passa o país. As pequenas empresas são as maiores geradoras de emprego do Brasil e precisam de atenção total e tratamento diferenciado”, afirmou Jorge Khoury.

Agência Sebrae de Notícias Bahia

Foto: Agência Brasil

Dupla que tatuou “Eu sou ladrão e vacilão” em adolescente é condenada em SP

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A história de dois homens que tatuaram “Eu sou ladrão e vacilão” na testa de um adolescente que havia roubado uma bicicleta ganhou mais um capítulo. A dupla, presa desde 9 de junho de 2017, foi condenada pelos crimes de lesão corporal gravíssima e constrangimento ilegal, não podendo responder em liberdade.

Segundo o G1, um dos autores da tatuagem, Maycon Wesey Carvalho dos Reis, 28 anos, recebeu pena de três anos de reclusão em regime inicial semiaberto pelo crime de lesão corporal gravíssima e de quatro meses e 15 dias de detenção em regime inicial semiaberto pelo crime de constrangimento ilegal.

Já Ronildo Moreira de Araújo, 30, pagará a pena de três anos e seis meses de reclusão em regime inicial fechado lo crime de lesão corporal gravíssima e de cinco meses e sete dias de detenção em regime inicial semiaberto pelo crime de constrangimento ilegal.

“As penas são baixas para um caso que se tornou emblemático. Infelizmente a Lei dos Crimes de Tortura não foi aplicada”, opinou o conselheiro do Condepe, Ariel de Castro Alves, acrescentando que a progressão de pena, na tortura, precisa cumprir 2/5 para conseguir progredir de regime fechado pra semi aberto, por exemplo. ” Nas lesões corporais, basta cumprir 1/6 da pena, para poder ter progressão de regime”, disse.

G1

Migração da Polícia Federal para Ministério da Segurança Pública preocupa delegados

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O anúncio do presidente Michel Temer de que será criado o Ministério da Segurança Pública trouxe preocupação para os delegados da Polícia Federal. O motivo é a possível migração do órgão do Ministério da Justiça para a nova pasta.

A medida foi criticada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Para o presidente da entidade, Edvandir Paiva, a decisão se configura uma jogada de marketing do governo. “Parece ser uma daquelas medidas criadas para passar à sociedade a ideia de que algo está sendo feito. Não sei se é só marketing, mas a PF não pode fazer parte de marketing. A princípio, não nos agrada”, afirmou Paiva, conforme reportagem do portal Uol deste domingo (18).

Além da Polícia Federal, projeto do Palácio do Planalto prevê que a Polícia Rodoviária Federal e a Secretaria Nacional de Segurança Pública também sejam abraçadas pelo novo ministério.

“É complicado ficar passando a PF de um ministério para o outro. A PF tem reflexo na segurança pública, mas vai além”, pondera Edvandir Paiva, que completa: “Preferiríamos que o governo estivesse anunciando medidas de fortalecimento da PF. Não vi nenhuma nesse momento, muito pelo contrário”.

BN

Vídeo íntimo atribuído ao apresentador do Jornal Nacional vaza; jornalista contrata advogados

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Neste sábado (17), foi divulgado nas redes e aplicativos de chat um vídeo íntimo em que o protagonista supostamente seria o jornalista Rodrigo Bocardi, da Rede Globo. Por causa do vídeo, o nome do profissional está desde a noite deste sábado entre os assuntos mais comentados da rede social Twitter.

Amigos de Bocardi ouvidos pelo UOL acreditam que o vídeo possa ser uma montagem (misturando imagens reais e falsas) para prejudicá-lo. Bocardi, de 42 anos, casado e com dois filhos, é um dos destaques da Rede Globo, onde apresenta o “Bom Dia SP” e, eventualmente, o Jornal Nacional.

Ainda de acordo com o Uol, o jornalista e já entrou em contato com advogados ontem mesmo para estudar medidas a serem tomadas a partir desta segunda. Seja verdadeiro ou falso, o tal vídeo não é uma novidade. “Prints” de supostas imagens extraídas desse vídeo caseiro já circulam desde ao menos 2016.

BN

“Precisamos de uma intervenção que nos traga a vida e não a morte”, diz nota da Faferj

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A Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) emitiu nota pública, neste sábado (17) em repúdio à intervenção militar na esfera da segurança pública, decretada pelo governo Temer na última sexta-feira( 16).

A entidade lembrou que foi criada nos anos 60 para proteger as populações vulneráveis dos morros fluminenses e cariocas, faz uma leitura das intervenções do Estado nas comunidades, como as UPPs e reivindica  intervenção social, com políticas públicas voltadas para o desenvolvimento humano e econômico das favelas e seus moradores.

“Precisamos de uma intervenção que nos traga a vida e não a morte”, diz a nota, reproduzida abaixo na íntegra.

A Federação de Favelas do Rio é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1963 para lutar contra as remoções do governo Lacerda e a implantação da ditadura militar no Brasil em 1964. Dessa forma, alertamos que essa nova intervenção militar não começou ontem, anteriormente tivemos as UPP’s (unidades de policia pacificadora), as operações respaldadas sob a GLO ( Garantia da lei e da ordem) e PLC 464/2016 que passa para a justiça militar a responsabilidade de julgar as violações cometidas pelos integrantes das forças armadas em suas intervenções.

Essas mesmas forças intervencionistas estiveram recentemente em missões de paz no Haiti e favela da Maré onde podemos observar que grande parte das ações foram marcadas por violação de direitos humanos.

Nesse processo vale salientar que os investimentos em militarização superam os investimentos em políticas sociais.

A ocupação da Maré custou 1,7 milhões de reais por dia perdurando por 14 meses envolvendo 2500 militares, tanques de guerra, helicópteros, viaturas, sem apresentar resultados efetivos tanto para as comunidades quanto para o país. Em contra partida nos últimos 6 anos só foram investidos apenas 300 milhões de reais em políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social.

Apesar de todo esse aporte financeiro investido na intervenção militar na Maré podemos observar que essa ação foi totalmente ineficaz, pois lá as facções criminosas ainda lutam pelo controle da região oprimindo os trabalhadores e trabalhadoras que lá vivem.

O que a favela precisa na verdade é de uma intervenção social, que inclusive contaria com a participação das forças armadas. Precisamos de escolas e creches, hospitais, projetos de geração de emprego e renda e políticas sociais voltadas principalmente para juventude. Precisamos de uma intervenção que nos traga a vida e não a morte. O exército é uma tropa treinada para matar e atuar em tempos de guerra. As favelas nunca declararam guerra a ninguém.

A favela nunca foi e nem jamais será uma área hostil. Somos compostos de homens e mulheres trabalhadoras que com muita garra e dignidade lutam pelo pão de cada dia. Somos a força de trabalho que move a cidade e o país. A ocupação de uma parcela das comunidades por marginais ocorre justamente pela ausência do estado em políticas públicas que possam garantir o desenvolvimento de nossas favelas.

Nos últimos 54 anos a FAFERJ vem lutando por democracia nas favelas do Rio. Lá a ditadura ainda não acabou. Ainda vemos a polícia invadindo residências sem mandados, pessoas sendo presas arbitrariamente ou até mesmo casos de desaparecimento como o caso Amarildo que repercutiu mundialmente.

Para finalizar gostaríamos de reafirmar que as intervenções militares são caras, longas, e ineficazes até mesmo do ponto de vista da segurança pública. Sugerimos que essas tropas sejam movimentadas para patrulharem as fronteiras do Brasil, pois é de conhecimento notório que é de lá que chegam as armas e as drogas que alimentam o comercio varejistas de entorpecentes nas comunidades cariocas. Sugerimos também que se faça uma grande intervenção social nas favelas do Rio de Janeiro. Precisamos apenas de uma oportunidade para provar que somos a solução que o Brasil tanto precisa para se desenvolver e tornar-se um país mais justo para todos e todas.

Favela é potência! Favela é resistência!

Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro

Da Redação

Juazeirense e Jequié se enfrentam hoje (18) em uma partida marcada por homenagens ao jogador Danilinho.

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Acontece neste domingo (18), às 17 horas, no Estádio Adauto Morais, em Juazeiro, partida válida pela 6ª rodada do Campeonato Baiano, entre a Juazeirense e o Jequié.

O Cancão de Fogo lidera o Baianão com 13 pontos e o adversário é o quarto colocado, com 10 pontos.

O jogo de hoje será de muita emoção e homenagens ao meia Danilo Caçador, que morreu semana passada, vítima de uma enfarto, após um treino da equipe.

Segundo informações da direção do clube, em todas as partidas deste domingo, haverá um minuto de silêncio, em memória do jogador.

Os atletas do Cancão de Fogo entrarão em campo com uma camisa e uma faixa alusiva a Danilinho. O clube também solicitou a FBF que seja respeitado outro minuto de silêncio, no 10º minuto da partida, em alusão à camisa 10 que foi usada pelo atleta na única partida em que atuou pelo clube.

No time mandante, o técnico Luiz Antônio Zaluar terá o desfalque do lateral-direito Capone. O jovem lateral Lucas e o volante Patrick brigam por essa vaga em aberto. Diante da grande campanha que o time vem fazendo, a base do time titular deve ser mantida, com: Tigre; Patrick (Lucas), Emilio, Eron e Deca; Waguinho, Junior Gaúcho, Jussimar e Bruno; Rayllan e Salatiel.

Já o Jequié deve manter a escalação do time que venceu o Atlântico pelo placar de 2 a 0 na última rodada do estadual: Gustavo; Flávio, Correia, Railon e Arnold; Luis Henrique, Gianlucas, Diego Teles e Tity; Fabiano Tanque e Marcelo Pano.

Da Redação

Sempre Aos Domingos, por Sibelle Fonseca: “Vou aproveitar esta quaresma para me abster de posts idiotas”

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Vou fazer uma confissão. Tenho, frequentemente, me sentido mal com o que vejo e também faço nas redes sociais, cada dia mais anti-sociais.

Nos tornamos ridículos. Patéticos. É muita baboseira, muita bizarrice e comportamentos toscos, muito ego inflado, muitos intelectuais de merda, um sem fim de bobos da corte e muita palhaçada; Filósofos de plantão têm as tuias, síndrome de celebridade, desfile de vaidades, enxurradas de imbecilidades, escritores e comentaristas com opinião formada sobre tudo, fajutos formadores de opinião, rosários de frustrações, indiretas chulas, muito ódio, lavação de roupa suja, futrica de vizinhos, felicidade e notícias falsas, discursos sem fundamento, vômitos, em jato, de opiniões, fotos e fatos desumanos, fiéis endiabrados, conservadores odiosos, desabafos tolos, “esquerdistas” armados, tolerâncias burras e intolerâncias mais burras ainda, humor de ácido corrosivo, “maria-e-joão” vão com os outrxs.

Nos transformamos numa manada ensandecida que posta, como quem faz bosta. Substrato das vaidades.

Pesquisei a minha, e outras timelines e fiquei foi com vergonha de mim e com vergonha alheia também.

Que post mais idiota aquele meu querendo mostrar ao mundo que estou de bem com a vida! Pra que isso? Segura teu encantamento aí dentro, mulher. E que coisa mais sem graça aquele outro mostrando o que fez ou o que vai fazer! Quem, realmente, quer e precisa saber da sua vida, tá perto de você, pessoa.

Tem muito post mentiroso, assim como têm sorrisos falsos e armados para a hora do click. Tem que parecer felicidade. E tome-lhe fotos de biquinho, de peitão, fotos de comida, de família feliz, de gente “partiu academia”, de gente “sextou nos bares” e uns #Tbts usados de segunda a segunda por quem nem procura saber o que é isso mesmo.

E as imagens de estropiados, feridos, mortos, expostos, acidentados, hein? A dignidade humana foi pra o ralo. Tudo é espetacularizado. Tudo vira meme. Tudo vira bosta.

Tem muita besteira. Uma profusão de crueldades, ódios e frustrações disseminados. Tem a covardia do anonimato dos fakes de plantão, que cara a cara não tem coragem pra nada, mas que se escondem atrás de pseudônimos para expressar seu mal caratismo.

Tem muita informação sem conhecimento, o que ao meu ver, tá mais para desinformação e desserviço.

Tem garoto de 16 anos defendendo a volta da ditadura militar, sem saber pn dos anos de trevas. Tem adulto cristão defendendo mito que recomenda a violência como solução pra tudo.

Troca de farpas e de ripas, tem aos montes também!

Tá feio! Paremos, que tá feio! O mundo tá um caos generalizado. No virtual e no real, um caos só.

Estava certo Umberto Eco quando disse que as redes sociais davam acesso à palavra a uma ”legião de imbecis”, cujas conversas – antes restritas à mesa de bar – são agora lançadas ao mundo, de forma irresponsável e contagiosa.

Não me excluo desta legião não. Por isso, me prometi que vou aproveitar esta quaresma para me abster de posts idiotas. Vou acionar o ícone do bom senso, coisa que recomendo aos imbecis como eu.

Eu até poderia passar a régua e fechar minha conta. Volta e meia, penso nisso. Mas ainda não posso. Por ofício ou vício, necessidade, prisão, precisão ou imposição, vai saber…

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

 

“Trata-se de uma fatalidade”, diz Secretária sobre acusação de negligência contra a maternidade de Juazeiro

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Na tarde de ontem (17) foi sepultado no cemitério central de Juazeiro, o corpo da recém-nascida Ana Liz, que morreu no Hospital da Mulher, em Juazeiro.

Segundo familiares de Luíza Evandra da Silva, mãe do bebê, Ana Liz morreu ainda na barriga da mãe, depois de ter esperado por mais de 24 horas para que o parto fosse realizado.

Ainda de acordo com familiares, Luíza Evandra teve uma gravidez tranquila e fez todo o pré-natal. Na última quinta-feira( 15), já sentindo as dores, ela foi internada na maternidade, mas o parto só foi realizado na sexta (16) à noite, após mais de 24 horas.

Ainda segundo a família, mesmo com os sinais de parto, a médica que atendeu a gestante informou que teria que esperar a evolução do trabalho de parto, para que o procedimento fosse realizado e somente após perceber que o coração da bebê já não batia mais, a gestante foi submetida a uma cesariana, como relataram familiares que acompanhavam Luíza Evandra.

Abalada, a família da jovem acusa a médica e o hospital de negligência.

Nós conversamos com Fabíola Ribeiro, Secretária de Saúde e Diretora Médica da Maternidade Municipal e ela nos informou que “o prontuário da paciente está todo muito bem documentado. A paciente já havia sido submetida a uma cesariana anteriormente e foi internada, na tarde de quinta, com 4 cm de dilatação. Somente por volta da 22 horas chegou a dilatação completa. Uma evolução dentro do habitual. No momento final foi percebida desaceleração de ausculta fetal e ela foi encaminhada direto para a cesariana. Na cirurgia a médica detectou que o útero estava rompido e automaticamente quando isso ocorre, o bebê vai a óbito por falta de fluxo para o feto”, afirmou a secretária.

Fabíola Ribeiro também ressaltou que desde ” o último episódio que tivemos em agosto já foram realizados na maternidade mais de 800 partos e não houve nenhum óbito”.

Por meio de nota enviada a nossa redação, a secretária detalhou o atendimento prestado a paciente.

Veja a nota na íntegra:

Venho por meio desta, prestar esclarecimentos com relação ao caso da paciente Luiza Evandra Silva de Brito. A Sra Luiza deu entrada na triagem obstétrica do Maternidade Municipal de Juazeiro-BA às 10h do dia 15/02/2018, foi atendida e mantida em observação, pois ainda estava em pródromos de trabalho de parto ( tinha colo uterino
com 4 cm de dilatação, ainda sem contrações ativas).

Tal fase (pródromos) antecede o trabalho de parto propriamente dito e se caracteriza por incômodos em baixo ventre, devido a contrações fracas e não ritmadas, com dilatação do colo menor que 5 cm. Esta fase pode durar algumas horas ou até dias, e não é indicação de internamento. Mesmo não estando internada, a Sra Luiza foi avaliada pela equipe de plantão. Em todas as avaliações todos os parâmetros estavam dentro da normalidade. No dia 16/02/18, as contrações aumentaram de intensidade, e a Sra Luiza foi internada às 11h, já iniciando
trabalho de parto.

Conforme registro de prontuário, o trabalho de parto evoluiu satisfatoriamente, dentro da normalidade: aumento progressivo da intensidade e frequência das contrações, aumento da dilatação do colo, frequência cardíaca fetal
sempre normal e sinais vitais maternos também dentro da normalidade.

As 22h, a dilatação estava completa e o trabalho de parto em sua fase final (período expulsivo). Neste momento, não se conseguiu auscultar os batimentos cardíacos fetais, sendo indicada cesariana de urgência e prontamente encaminhada ao centro cirúrgico.

Durante a cirurgia, observou-se que o feto não estava mais com vida. Observou-se que havia descolamento placentário e área de ruptura uterina no local onde a placenta estava inserida. Havia ainda ruptura do cordão umbilical. A explicação mais plausível para tal fatalidade, é que o cordão umbilical curto tenha tracionado a placenta no momento da expulsão fetal.

Consequentemente à esta tração, houve o descolamento placentário. A área da parede uterina onde estava a placenta ficou fragilizada e rompeu. Todos estes eventos aconteceram de maneira abrupta e rápida, por isso não apresentou sinais clínicos prévios que pudessem sugerir a iminência de tais acontecimentos. O restante da cirurgia aconteceu sem intercorrências, sendo realizada a sutura da área uterina rompida. Foram realizadas manobras de reanimação neonatal, sem sucesso.

Após a cirurgia, a Sra Luzia Evandra permanece estável, e segue aos cuidados da equipe do hospital sem sinais de gravidade. A rotura uterina é uma complicação grave, que pode ocorrer durante o trabalho de parto,
apesar de pouco frequente.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (2011) relata que “sua prevalência é 0,03 a 0,08% de todos os partos, porém de 0,3 a 1,7% entre pacientes com cicatriz uterina”. O local em que o útero rompe com maior frequência é onde há uma cicatriz anterior (ex: no local de uma cesariana prévia).

No caso da Sra Luiza, a ruptura ocorreu no local da inserção da placenta (achado mais raro).O local da cicatriz da
cesariana anterior estava íntegro. O descolamento prematuro de placenta também é outro evento raro e de alta morbimortalidade fetal. Acontece em cerca de 0,4 a 7 % das gestações e é mais comum em mulheres com doenças hipertensivas, como pré eclampsia.

Na maioria dos casos, tanto o descolamento placentário quanto a ruptura uterina apresenta manifestações clínicas, como sangramento genital intenso, alterações no padrão de contração uterina e alterações na frequência cardíaca fetal.

No caso da Sra Luzia, não houve nenhum dos sinais que pudessem predizer tais acontecimentos.

Diante de tais achados, pode-se concluir que o caso em questão evoluiu de forma atípica e que trata-se de uma fatalidade: concomitância de 02 complicações graves numa mesma paciente, que aconteceram subitamente e sem sinais clínicos evidentes, culminando com o rápido óbito fetal.

A direção da Maternidade Municipal de Juazeiro-Ba deixa claro que ao tomar conhecimento do óbito fetal, procurou imediatamente apurar os fatos com os profissionais envolvidos no atendimento e avaliando os registros no prontuário, chegando a tais conclusões já relatadas.

A Maternidade realiza por mês, em média,  450 partos. Destes, cerca de 25-30% são cesarianas. No mês de janeiro, realizamos mais de 1800 atendimentos na emergência obstétrica. Nossa taxa de mortalidade é baixíssima,
chegando a números próximos de zero.

Esperamos ter esclarecido as dúvidas referentes ao caso, do ponto de vista obstétrico.
Desde já, nos colocamos à disposição para prestar os esclarecimentos que ainda acharem necessário.

Dra Fabíola Nunes Leite
Diretora Médica Maternidade Municipal de Juazeiro-BA

Da Redação