
(foto: Zelito Rodrigues/divulgação)
“As redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade” , afirmou o escritor e filólogo italiano Umberto Eco.
E não é que ele tem razão? Chegou ao meu conhecimento um texto que de tão ruim, não podia ser pior. Nem falo da estética, falo do conteúdo e da intenção. Um texto feito por gente ruim, de alma ruim, de intenções ruins e, certamente de vida muito ruim.
Graças a Deus não conheço o escriba que saiu dos quintos dos infernos para espalhar coisa ruim.
O texto fala do Festival Edésio da Canção deste ano. O gente ruim só conseguiu ver coisa ruim no espetáculo de música e poesia. Quanta amargura, “Jisus”! Como é costumeiro nesta gente ruim, o texto continha mentiras. Afirmava que houve predileção por temas que falavam do Rio São Francisco, o que não se admitiria em um festival nacional. Certeza que nem lá pisou o pé ou se informou muito mal, e com alguém da sua iguala, até porque o prêmio de melhor música local foi para a canção “subjetivíssima” de Alan Cleber, só para se ter uma ideia, por exemplo. E além do mais, o rio da Unidade Nacional, pode e deve ser cantado em prosa e verso, agora mais do que nunca.
Mais adiante atacava os participantes, os músicos e intérpretes, reduzindo-os a figurinhas carimbadas de festival e criticando aqueles que têm o direito de competir quantas vezes queiram e ganhar quantas vezes mereçam. A cantora petrolinense Fabiana Santiago e o compositor Zé Beto foram campeões tantas vezes, por talento e merecimento, só para lembrar.
Noutro trecho, mais uma mentira. Diz o infeliz que a menina que arrebatou o festival, levando três prêmios, tinha sido a contratada como atração para cantar no festival do ano passado. Mentira! Esses “mitomaníacos” nem se dão ao trabalho de prevenir uma desmoralização. É tão fácil apurar, checar uma informação. Nós, jornalistas, sabemos disso. A vencedora deste ano, foi concorrente também ano passado. Que mico, meu caro!
Daí por diante, um monte de merda em forma de letras. O gente ruim julgou e atacou uma garota de 20 anos, talentosa, dona de uma voz maravilhosa e de uma presença de palco impressionante. Desqualificou a cantora de corpo franzino e uma gigante no palco, que ganhou a arquibancada, em peso, ganhou os jurados e fez a Arena do João Gilberto arrepiar.
Ela cantou o direito da mulher de escolher, sentir e se livrar de algemas. Cantou a luta da mulher por igualdade e respeito, e usou a força do refrão para dizer que o machismo que espanca, mata, destrói a família e a sociedade, não passará. Que os machistas NÃO PASSARÃO!
Ô, seu menino, a expressão “não passarão” tornou-se célebre na história das grandes batalhas, viu? Não é coisa de esquerdista não, muito menos do PCdoB. Desde a Primeira Guerra Mundial o termo é usado, seu bobinho. “On ne passe pas”, na Batalha de Verdun; “No pasarán”, na Guerra Civil espanhola e por aí vai. Significa “a ação de sobreviver, de continuar a viver apesar de algo ou de alguém”. Exemplo: Tipos ruins, não passarão. Fascistas, machistas, racistas, homofóbicos, não passarão. Ok?
De forma invasiva, inconveniente e maldosa, o dono do texto ruim foi fuçar as redes sociais da cantora e criticá-la por ser uma profissional que vive da sua arte e é requisitada para eventos. Inclusive, de atos políticos alinhados com os seus ideais.
Metendo os pés pelas mãos e obrando pelos dedos, o autor fala em agenda ideológica, mete o prefeito pelo meio, fala num tal marxismo cultural, na lei Rouanet, blá blá blá e só faltou falar no Kit Gay, numa completa demonstração de ignorância, demência e defesa censura.
Para atacar a gestão municipal, o senhor redator, com idade de ser pai ou avô, chama os jovens e sonhadores músicos que participam do festival, de “moleques existenciais”, “inteligentinhos” que vão descobrir o inferno de Dante “cedo cedo”, de “meninos mimados da internet”, de “artistas atrofiados intelectualmente”.
Quanto ódio no texto ruim! A música autoral e vencedora, aplaudida de pé pelo público e atestada pelos jurados (pessoas conhecedoras de música), foi chamada de “rasa e insossa” por quem não tem talento nem para ser cover.
Não entendi bem tanto ódio. Ficou confuso o texto ruim. Se quis atingir a gestão municipal, Cuba, a Ursal ou a Venezuela, eu não sei. Eu só sei é que o ódio cega e emburrece, mesmo.
O ódio não tem pudor, é tão perverso que nem respeita o sonho de uma garota que cantou linda e fortemente “Não Passarão” pedindo, pelas mulheres, respeito e dignidade e exibindo seu potencial.
Quem sabe não tenha sido isso que incomodou o escriba raivoso? Uma mulher ganhou o festival e saiu logo foi com três prêmios. A mulher ganhou o festival. A voz da mulher foi ouvida por uma plateia repleta. O seu grito ficou na mente do público que, pelos aplausos, entendeu a mensagem.
Os machistas doentes se doem com isso. Com tantos sentimentos encubados, eles ficam em cólicas e a raiva toma conta.
Anote aí, senhor escriba: “Não passarão o ódio, a misoginia e a arrogância de gente ruim”.
Os imbecis, não passarão! Os emasculados (pusilânimes, caguinhas, covardes, fracos, segundo dicionário), não passarão!
Volto a dizer: Graças a Deus não conheço o escriba que saiu dos quintos dos infernos para espalhar coisa ruim.
Deve ser um senhor mal resolvido consigo mesmo, ranzinza, de expressão feia, miolo deteriorado, circunferência abdominal doentia, abdômen avantajado e glúteos moles (de não tirar da cadeira para produzir o bem).
Destes capazes de afirmar que uma mulher tem apenas “força ginecológica”, quando na verdade são eles que possuem apenas débeis e tímidos pintos. Estes também não passarão!
E viva o Festival Edésio Santos da Canção!
Sibelle Fonseca