
Na semana passada o Portal Preto No Branco denunciou uma prática ilegal que vem acontecendo, normalmente, nos bares da orla e em outros pontos da cidade de Juazeiro (BA): o trabalho infantil. De mesa em mesa, nos finais de semana, crianças e adolescentes vendem amendoim, devidamente uniformizados com um colete amarelo que leva a marca de uma empresa da cidade.
Um crime que se arrasta por alguns anos, sem que os órgãos de proteção à criança e ao adolescente tomem providências.
Na reportagem, questionamos se o trabalho infantil em Juazeiro teria sido descriminalizado e provocamos a sociedade, a Justiça, o Ministério Público e o Conselho Tutelar.
Uma resposta veio do Juiz Titular da Vara da Infância e Juventude, José Carlos Rodrigues do Nascimento que, demonstrando interesse em resolver o problema, falou com o PNB sobre o assunto.

O magistrado esclareceu que a Vara especializada foi criada em agosto de 2015, mas somente em janeiro de 2016 passou a funcionar e ainda assim com algumas limitações no que diz respeito a sua estrutura de pessoal. A vara conta apenas com três servidores e onze agentes de proteção para atuarem em todo o município. Um número insuficiente devido à falta de interesse de pessoas da comunidade de trabalharem voluntariamente na proteção de crianças e adolescentes. Para aumentar este número, o juiz José Carlos lançou um edital e conseguiu arregimentar 27 pessoas, que agora estão aptas a fazer parte da rede de proteção, desenvolvendo um trabalho preventivo e fiscalizador.
José Carlos Rodrigues reconheceu que é competência primordial da Vara da Infância e Juventude atuar no combate ao trabalho infantil e que já tinha conhecimento da realidade destas crianças e adolescentes que comercializam em Juazeiro. “Em primeiro lugar, a Vara tem que atuar efetivamente para coibir essas crianças a prestarem esse tipo de serviço. Isso é absolutamente proibido. Evidentemente nós temos que montar uma estrutura, porque não é só tirar essas crianças das ruas. Temos que entender que esse é um problema social e envolve todos os segmentos da sociedade de Juazeiro”.

Aguardamos agora uma resposta concreta dos demais órgãos que fazem parte da rede de proteção à criança e ao adolescente de Juazeiro, ou seja, Secretária municipal da Assistência Social, Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do. Adolescente- CMDCA e Ministério Público. E esperamos que a sociedade também faça a sua parte no cumprimento do Estatuto da criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990, que assegura os direitos e deveres de crianças e adolescentes reconhecidos como sujeitos de direitos. O ECA estabelece que a família, o Estado e a sociedade são responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes, pessoas que estão vivendo um período de intenso desenvolvimento físico, psicológico, moral e social.
Proteger a criança e o adolescente DIGNIFICA o homem e a mulher!








