Com o projeto ‘Uma Vitória Leva à Outra’, ONU Mulheres e COI impulsionam igualdade de gênero no esporte

Com o projeto ‘Uma Vitória Leva à Outra’, ONU Mulheres e COI impulsionam igualdade de gênero no esporte
Com o projeto ‘Uma Vitória Leva à Outra’, ONU Mulheres e COI impulsionam igualdade de gênero no esporte/
Carina Teixeira, 10 anos (esq.), e Mikaele da Costa, 8, praticam ginástica artística na Vila Olímpica da Mangueira Fotos: Larissa Marques/ONU Brasil

Mitos sobre os efeitos dos esportes no corpo feminino e pressões sociais sobre como as meninas “devem se comportar” pesam sobre garotas esportistas, que muitas vezes abandonam os esportes quando chegam à puberdade devido a preconceitos. Novo projeto da ONU Mulheres visa a reverter esse quadro, promovendo a prática esportiva entre meninas para impulsionar a autoconfiança, debatendo formas de superar as desigualdades de gênero. Iniciativa é financiada pelo Comitê Olímpico Internacional e pela Loteria Sueca

Diante de pressões sociais e estereótipos de gênero, metade das meninas abandona as práticas esportivas quando chega à puberdade, um índice seis vezes maior que o dos meninos, mostrou estudo da ONU Mulheres apresentado recentemente ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para tentar mudar essa situação, a ONU Mulheres lançou no Rio de Janeiro, em outubro de 2016, o projeto-piloto “Uma Vitória Leva à Outra”, financiado pelo Comitê Olímpico Internacional e pela Loteria Sueca.

O objetivo é criar espaços seguros para que garotas com idade média de 10 a 14 anos possam praticar esportes em turmas formadas só por meninas nas mais de 20 Vilas Olímpicas municipais e, com isso, melhorar a autoestima, fazer amizades e se libertar de preconceitos de gênero, com o auxílio de oficinas ministradas por psicólogas, pedagogas e assistentes sociais.

“O projeto dá ferramentas e abre um espaço seguro para as meninas não só fazerem esporte e mostrar que podem seguir fazendo esportes, mas falar dessas barreiras que fazem com que elas desistam”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, durante visita ao projeto na Vila Olímpica da Mangueira, zona norte do Rio.

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Luiza Carvalho, diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe (ao microfone) e Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, conversam com meninas durante lançamento de projeto na Vila Olímpica da Mangueira Foto: Larissa Marques/UNIC Rio

No encontro, meninas que já praticam esportes como basquete e ginástica artística na Vila Olímpica da Mangueira disseram às representantes da ONU Mulheres já ter passado por situações em que familiares, amigos e professores desestimularam a prática esportiva.
“Quando falo que jogo basquete, ninguém acredita. Dizem que é coisa de menino”, declarou Jeniffer Oliveira, 17 anos, que pratica a modalidade na Vila Olímpica da Mangueira. “Mas eu acho que esporte não tem gênero, é para todo mundo”, completou.

Brenda Barros, 16 anos e moradora do Méier, zona norte, tem a mesma opinião. “O esporte é visto como uma carreira mais para os homens. Todo mundo me dizia que era difícil de conseguir. Eu não acho que tenha que ser assim”, declarou ela, que joga desde os 10 anos.
Na opinião de Thays Prado, coordenadora do programa, as meninas são menos incentivadas a praticar esportes na adolescência e, dessa forma, acabam privadas dos muitos benefícios da prática esportiva, entre eles autoconfiança, bem estar físico, maior senso de responsabilidade e de trabalho em equipe.

A expectativa dos organizadores é que o projeto atinja 2,5 mil meninas em seus seis meses de duração, sendo que a iniciativa também deverá ser ampliada para outros estados. No centro esportivo da Mangueira, as oficinas temáticas do programa terão início em junho, lembrou a coordenadora da Vila Olímpica, Bárbara Machado.

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Brenda Barros, 16, joga basquete há seis anos e pretende seguir na carreira esportiva, além de fazer faculdade de veterinária. Foto: UNIC/Larissa Marques

Benefícios do esporte – Para o subsecretário de Esporte e Lazer da prefeitura do Rio de Janeiro, Wagner Coe, a quadra esportiva é o local ideal para se aprender valores como igualdade. “Aqui somos todos iguais. Aprendemos a conviver com pessoas com as quais não conviveríamos não fosse pela quadra”, disse.

De fato, entre os valores mais citados pelas meninas como essenciais à prática esportiva estão o trabalho em equipe, o senso de responsabilidade, assim como liderança e disciplina.

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Meninas das modalidades de basquete e ginástica artística da Vila Olímpica da Mangueira Foto: Larissa Marques/UNIC Rio

“Depois que eu entrei no basquete, passei a ter uma rotina de treino-casa, treino-casa. Agora eu vivo para o basquete e os estudos. Minha autoestima melhorou muito com isso”, disse Maria Borja, 16 anos, há seis treinando basquete.
A mesma empolgação é vista entre as mais jovens. Para Carina Teixeira, 10 anos, e Mikaele da Costa, 8 anos, que fazem ginástica artística na Vila Olímpica da Mangueira, o mais legal da prática esportiva é aprender novos movimentos com o corpo. “Também estamos fazendo muitas amigas”, disseram.

O fim da desigualdade de oportunidades entre os gêneros é o objetivo número 5 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) — metas globais estabelecidas pelos Estados-membros das Nações Unidas no ano passado que devem ser atingidas em 2030.

Para Luiza Carvalho, diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, o projeto “Uma Vitória Leva à Outra” encaixa-se perfeitamente na perspectiva de alcançar globalmente a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

“Todo esse projeto reúne as características do ODS 5, de empoderar a mulher, criar as formas de fazê-la crescer e se desenvolver”, disse Luiza. “Para que possa ter uma vida livre de violência, contribua para o movimento de igualdade de gênero, seja reconhecida nos vários papéis que temos na sociedade”, completou.

“São esses os objetivos que queremos para o futuro. Estamos emocionados porque estamos coincidindo não só os ODS, mas trabalhando com meninas que vão estar à frente do mundo em 15 anos”, declarou a diretora regional, que visita o Brasil.

Segundo ela, o projeto também é importante para desconstruir mitos que fazem as meninas desistirem dos esportes quando entram na puberdade. “A menina não tem resistência (aos esportes). São os professores e a família, que muitas vezes com o objetivo de protegê-las, começam a incentivar que ela se recolha, mesmo diante de todos os aspectos negativos (dessa escolha): diminuição de autoestima, perda de oportunidades”.

A intenção da iniciativa da ONU Mulheres é justamente dar às meninas as informações corretas e necessárias para que possam contestar esses mitos e preconceitos, disse a diretora regional. “Para que ela não precise se ausentar de nenhum aspecto de sua vida, muito menos do esporte”, concluiu.

Fonte: ONU Mulheres

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