O santo de fora não fez milagre. Os de casa salvaram a noite.

O santo de fora não fez milagre. Os de casa salvaram a noite.

Sobre o aniversário de João Gilberto em Juazeiro.

Escultura-João-e-Vaporzinho

Sabe o ditado “Santo de Casa não faz milagre”? Parece que em Juazeiro-BA, como em outros cantos, é bem verdade, o poder público segue essa “máxima” e paga caro pela “exportação” de um produto que aqui tem de sobra: talento. Não estamos falando de nenhum “pop star”. Estes já sabemos que cobram cachês milionários pela fama que conquistaram e ponto e paga quem quer.

A cidade de João Gilberto, também de Ivete Sangalo, Galvão, Edésio, Targino, Mauriçola, João Sereno, Manuca, Nilton Freitas e tantos outros tão bons, tem a musicalidade como marca.

Os santos de casa que ficaram por aqui, operam milagres mesmo com o tímido apoio que recebem. Na cena cultural em Juazeiro, há sempre um Ivan, Joice, Charles, Pilé, Paulo César, Rogério Leal, Alan Cleber, Neto e Mundinho, Radamés, João Energia, Eluran, Péricles … que seguram a onda das noites nos barzinhos e eventos culturais.

Uma riqueza musical cantada nos discursos, mas pouco valorizada na prática. Os 85 anos de João Gilberto, celebrados na noite de sexta-feira (10), uma excelente ideia de parabenizar o juazeirense maior na música, com uma noite embalada de Bossa Nova, teria tudo para ser sucesso. Não foi o esperado.

O evento revelou duas coisas, ou melhor, afirmou mais uma vez:

“Quem é João Gilberto?”

Apesar de João ser um artista fundamental para a história da música brasileira e mundial, conhecido nos quatro cantos do mundo, ainda é possível que você pergunte a um juazeirense quem é João Gilberto e a resposta seja: “Não sei”.

Talvez por isso os convidados não apareceram na festa. O espaço , a estrutura, dignos de João, ficaram enormes diante do pequeno publico.

Os artistas de casa e a artista de fora

A noite começou com apresentações alto nível de Mauriçola, Rogério Leal, Andreza Santos, Paulo César Carvalho e Fred Pontes e o Clube da Bossa, acompanhados por grandes músicos como Edésio César, do contrabaixista Pablo e do pianista Soneca Martins. Aplausos para a moça cantora pronta a encantar em qualquer lugar que se apresente, Andressa Santos. Aplausos para todos os santos de casa! O público seleto queria vê-los mais, mas a festa acabou com a convidada especial de fora. A cantora Hanna encerrou a noite, deixando o público intrigado com a fama e o talento que trouxeram a desconhecida intérprete para a festa. Intrigado e um tanto frustrado.

Ela não estava nos seus melhores dias. Na verdade, não cantou e tampouco emocionou. Afônica e fora do tom, não agradou os convidados para a festa de João Gilberto.

Fomos pesquisar a sua trajetória na tentativa de entender o que aconteceu. Hanna é cantora, compositora e atriz. Atingiu o sucesso de crítica e público após as apresentações do show mais elogiado neste ano no Rio de Janeiro, além de ter o CD “O Amor é Bossa Nova – Uma homenagem a João Gilberto” indicado na categoria de Melhor Álbum pelo Prêmio da Música Brasileira.

Não entendemos. Um histórico digno de uma profissional, mas a Hanna, pela primeira vez na Bahia, atração aguardada no aniversário de João, não agradou.

A expressão de decepção estava na face e comentários do público, que, de imediato, pedia o palco para os artistas locais. Mas já era tarde. Hanna tinha que terminar o show e receber seu cachê. Quanto teria ganho a cantora para fazer aquelas músicas? E quanto os artistas locais ganharam para fazer seus shows? Bateu essa curiosidade.

Disseram por lá que o fiasco da apresentação foi por conta de problemas de saúde. A “atração principal” afônica, fora do tom e sem nenhuma sintonia com a banda deixou o palco.  E o público foi atrás de outros palcos, outras vozes, outros artistas, outros talentos, que por aqui tem de sobra.

Os barzinhos da cidade ficaram lotados. Os santos de casa salvaram a noite.

Por: Redação Preto no Branco

Foto: Reprodução

2 Comentários


  1. Sempre comento e me faço esses questionamentos, há uma super valorização por “anônimos estrangeiros” e uma desvalorização pelo que sabemos que temos e diga-se de passagem, com selo de qualidade mais que comprovado. Sobre a HANNA, lembro-me como se fosse agora que, no momento em assistia a entrevista dela à TV local(no dia do evento referido), comentei com minha mãe: “Quem é essa??!!! Eu desconheço um(a) artista da cidade que não mereça tamanha ênfase que essa senhora está recebendo agora. Não imagino ela cantando nesse estado que ela demonstrou estar agora.”
    Contudo, já podemos comprovar que o cenário cultural em nossa cidade vem numa tímida, mas importante crescente. O que já nos dá uma boa esperança de que a VALORIZAÇÃO por nossos artistas vem ganhando espaço, e por eles, fico muito feliz.

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