Panorama da Mulher Juazeirense por Queila Patrícia

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Ao longo da história a Mulher sempre foi relegada a papeis menos relevantes, quando não sem nenhuma relevância, considerando-a como ser menos produtivo intelectualmente e fisicamente, de maneira que as suas posições eram sempre as de menor destaque ou nenhum, havendo assim a predominância masculina nos diversos espaços. A muito custo e luta, esse quadro vem mudando, com as inserções, ainda mínimas e por cotas, das Mulheres no mercado de trabalhos e no acesso a escolaridade.

Os salários continuam desiguais, a desvalorização dessas profissionais também é uma constante, de maneira a refletir no aspecto psicológico, causando transtornos quase que irreversíveis, pois atinge sua autoestima, limitando-a a reagir, em muitos casos, vindo a ser vítima de exploração por seus superiores. Há também de se considerar o quesito salário no que se refere à Mulher negra, pois, esta, ganha menos que a branca. Se a Mulher de modo geral ganha menos que o homem, a Mulher negra ganha menos que a Mulher branca, segundo dados do IBGE.

Ainda insuficiente e longe da equidade, há de se dar uma maior atenção às pautas das Mulheres, no que concerne à segurança e o bem viver, temos uma necessidade extrema, que é a questão dos horários de funcionamentos das DEAMs, não se concebe uma delegacia de crimes contra Mulheres ter horário de funcionamento, quando somos mortas a cada hora e meia no Brasil.

Nós estamos sendo dizimadas e ninguém está percebendo essa barbárie. Somos agredidas a cada cinco minutos. Os maiores índices de violência ocorrem nos finais de semana e é quando as delegacias estão fechadas. As assistências nessas delegacias devem ser dadas por Mulheres e Mulheres capacitadas, não por homens ou Mulheres que não tenham o mínimo de consciência ou viés feminista, porque a humilhação a que é submetida à vítima, por pessoas despreparadas, caracteriza outro tipo de violência que é a violência psicológica.
Precisamos urgentemente de uma Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, nós precisamos de legitimidade, se não, não teremos avanços significativos e consolidados. A dominação masculina e o machismo nos matam, nos aleijam e nos calam a todo tempo, se não fizermos algo pétreo, o ciclo vicioso não será interrompido.

As Mulheres negras, 25% da população, sofrem duplamente pelo gênero e pela raça, todo sofrimento é dobrado para nós, carregamos o estigma da escravidão e da inferioridade por sermos pretas e Mulheres.

Segundo o IBGE, dados de 2010, a população feminina de Juazeiro é de 100.880, equivalendo a 50, 96% da população. Em julho de 2014, segundo o IBGE, a população de Juazeiro estava estimada em 216.588 habitantes. Em 2010, segundo o IBGE, as estatísticas referentes ao Município de Juazeiro no que concerne às Mulheres responsáveis pelos seus domicílios, eram as seguintes:

• O total de domicílios particulares permanentes urbanos com mulher responsável pelo domicílio é de 21.384 domicílios.
• O total de domicílios particulares permanentes urbanos com mulher branca responsável pelo domicílio é de 4.965 domicílios.
• O total de domicílios particulares permanentes urbanos com mulher preta ou parda responsável pelo domicílio é de 15.888 domicílios.
• O total de mulheres analfabetas com 15 anos ou mais de idade é de 8.676 pessoas.

Consultamos também o número de Mulheres consideradas arrimo de família, ou seja, Mulheres como responsáveis pela família e seu sustento. Em relação à proporcionalidade, segundo o IBGE (2014):

• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias é 38,8%.
• A proporção de famílias em que a mulher, de cor ou raça branca, era responsável pela família, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias cujo responsável pela família era de cor ou raça branca é de 35,9%.
• A proporção de famílias em que a mulher, de cor ou raça preta ou parda, era responsável pela família, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias cujo responsável pela família era de cor ou raça preta ou parda é de 39,5%.
• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, do tipo casal sem filho, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias do tipo casal sem filho é de 24,1%.
• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, do tipo casal com filho, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias do tipo casal com filho: 22,1%
• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, do tipo responsável sem cônjuge com filho, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias do tipo responsável sem cônjuge com filho é de 88,1%.
• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, em famílias com rendimento familiar per capita até 1/2 salário mínimo, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias com rendimento familiar per capita até 1/2 salário mínimo é de 41,2%.
• A proporção de famílias em que a mulher era responsável pela família, em famílias com rendimento familiar per capita de mais de 2 salários mínimos, nas famílias únicas e conviventes principais, residentes em domicílios particulares, em relação ao total de famílias com rendimento familiar per capita de mais de 2 salários mínimos é de 35,3%

Assim, as Políticas Públicas para as Mulheres devem, de fato, ser monitoradas, vigentes e de eficácia irrefutável, de maneira que possibilite o fortalecimento da sociedade e sua maioria representada e atendida nos seus direitos civis e sociais. Não cabe mais no século em que vivemos, ainda, ocuparmos subespaços ou nenhum espaço de representatividade e atuação em sociedade. Queremos ser vistas, respeitadas nos nossos direitos e respaldadas, de fato, pela nossa constituição brasileira, que garante direitos iguais para todas e todos.

Queila Patricia é Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Pernambuco; Estudante do curso de Ciências Sociais da UNIVASF; Militante Feminista e Militante do Movimento Antirracista do Vale.

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