Barro Vermelho: um povoado de gente grande na cultura.

Barro Vermelho: um povoado de gente grande na cultura.

Sobre o Memorial Maestro Filemon, Barro Vermelho.

Passando alguns dias juninos no distrito de Barro Vermelho, em Curaçá, distante pouco mais de cem quilômetros de Juazeiro, na Bahia e com cerca de cinco mil habitantes, me encantei com o lugarejo. No sertão brabo, meio de caatinga, vi que recentemente o povoado ganhou água do São Francisco, estrada e conserva um casario de arquitetura centenária e algumas das suas tradições estão bem vivas, o São João, por exemplo.

Um reduto cultural, que tem na música seu traço forte. Podemos até afirmar que a bossa nova de João Gilberto pegou alguma influência do lugar, pois o papa do estilo musical que ganhou o mundo, tem também suas origens no Barro Vermelho.

Jaqueline Martins, carioca e sobrinha de João Gilberto, também visitando o distrito nos festejos juninos, me revelou que o tio costumava passar dias de sua infância e adolescência em terras curaçaenses,
“Os meus tios mais antigos contam que ele (João Gilberto) passava férias na casa de meus bisavós em Sítios Novos e aqui na região, onde temos muitos parentes da família Martins”, disse Jaqueline.

Mas a grande referência da música do Barro Vermelho é um filho legítimo. Nascido, criado e reverenciado até os dias de hoje: o maestro Filemon Gonçalves Martins, que não por acaso nasceu em junho, mês do padroeiro do lugar.

O Maestro Filemon deixou um legado na música, que atravessou gerações. Músico por excelência, dedicou-se a iniciar e formar novos músicos.

Filemon foi maestro da Filarmônica 15 de Março de Barro Vermelho, fundada em 1917. Muitos jovens foram educados por sua musicalidade. Um deles, o filho também Maestro Joacy, que formou outros músicos, sedimentando o barro musical do chão do Barro Vermelho.

Parte desta história está guardada no Memorial da Música, inaugurado no centenário do Maestro Filemon no ano de 2104.

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Memorial Maestro Filemon, Barro Vermelho.

No acervo do memorial, muitas fotos do músico, de seus alunos, objetos pessoais, instrumentos musicais da sua época e tantas outras recordações que Barro Vermelho faz questão de preservar.

A iniciativa de fundar o Memorial foi de pessoas da própria comunidade que não queriam ver a história do músico, que é também a história cultural do distrito, perdida.

Diferente do filho legítimo de Juazeiro, João Gilberto, o Maestro do Barro Vermelho tem uma casa que abriga sua historia para o bem da memória de todo o lugar. Porque é assim que se faz. Fiquei pensando na grandeza daquele povo que valoriza seus referenciais, sua cultura e desejei ser grande também…

Sibelle Fonseca

5 Comentários


  1. Obrigado cara amiga Sibele pela sua sensibilidade e habilidade com as palavras. Sou mais um filho dessa terra que gosta de arte como quem gosta de gente.

    SÓ LEMBRANÇAS

    Uma algaroba no terreiro
    Paredes azuis
    Reboco branco
    Janelas nas laterais
    Calçada de pedras
    Porta de bandas a frente
    Umas cadeirinhas na varanda
    Redes armadas
    Esteiras de palha pelo chão
    Bolinhas de gude
    Carreteis de linhas vazios
    Tampinhas de garrafas
    Caixinhas de fósforos
    Carro de latinhas com rodinhas de chinelos
    Gaiolas de macambiras
    Taliscas de coqueiros
    Bola de meia, pula corda
    Bambolês, cavalos de pau
    O cheiro de cuscuz
    Fumaças nas panelas
    Hora boa era aquela
    Voz suave dava o sinal.
    Casinha de meus pais
    Meninos em todos os cantos
    Muitos risos, poucos prantos
    E aquele vestidinho
    Surrado de flores…
    Meus pais,meus irmãos
    Minha mãe, meus amores.

    Sergio Luiz Souza Ferreira

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  2. landamenezes2408@gmail.com

    Sibele, faço de você minha porta voz para os moradores de Barro Vermelho – se assim desejarem – colocando-me à disposição para colaborar com a organização do Memorial da Música.
    Sempre defendi a museologia popular e me emociono quando a comunidade assume o papel de guardiã de sua historia.
    Estou pronta.
    Landa Menezes

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  3. É emocionante ver as pessoas cuidando da memória coletiva, guardando suas histórias, preservando seus personagens.

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  4. Esta reportagem só falou mentiras troco nomes e invento histórias eu odeio jornalistas

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  5. Boa tarde povo de Barro Vermelho, para os que me conheceu em 1988, Teté e Seu Zé, deixo meu abraço com carinho, desculpa por não lembrar os nomes dos demais amigos e amigas, pessoal do hotel desta data meu abraço sincero, saudações a todos, para os que lembra de mim, José Carlos, o toquinho que trabalhou na NATIVA, quero um contato para que eu possa aparecer e matar saudades

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