
Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, um dado estarrecedor foi divulgado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, 40% das mulheres que declararam ter sofrido violência física ou verbal de maridos foram de evangélicas.
Os dados apresentados foram coletados de ONGs que ajudam mulheres agredidas. “Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, ressalta o documento. Estranhamente, muitas vezes as vítimas não procuraram imediatamente as autoridades.
A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’ então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, esclarecem as pesquisadoras.
Os números são preocupantes e chamam atenção para a omissão pastoral. Os líderes religiosos não incentivam a denúncia, o que pode justificar esse índice elevado. A postura de muitos pastores evangélicos é recomendar oração, resignação e “entregar nas mãos de Deus”.
Segundo o advogado Antônio Cintra Schimdt, os pastores são importantes nos casos de violência contra a mulher e devem orientar e estimular a denúncia, mas, infelizmente, “é mais fácil mandar embora e dizer que vai orar e Deus vai agir”.
Segundo o material divulgado pelo Mackenzie, “O que era um dever, o da denúncia para fazer uso de seu direito de não sofrer violência, passa a ser entendido como uma fraqueza, ou falta de fé na provisão e promessa divina de conversão-transformação de seu cônjuge”.
Uma parcela da responsabilidade recai sobre as próprias mulheres agredidas. Isso porque que muitas delas têm medo ou vergonha de expor o contexto familiar onde estão inseridas. Elas se calam. Não compartilham a situação de violência com outras pessoas e isso acaba inviabilizando e retardando as ações judiciais cabíveis.
A pesquisa revelou também que, normalmente, as denúncias são feitas por familiares, amigos ou vizinhos da vítima. E quando feita a denúncia, a polícia vem e dali para a frente não tem mais como parar o processo.
A Lei Maria da Penha, que visa garantir a segurança feminina e punir os agressores, é considerada pela ONU uma das três leis que dão maior proteção às mulheres em todo mundo. Ela fala sobre vários tipos de violência: física, psicológica, sexual e patrimonial. Mesmo assim, ainda carece de ser efetivamente aplicada pelos órgãos públicos na maioria das cidades brasileiras.
Com informações do Instituto Jetro


