Sindicalistas de Juazeiro(BA) falam sobre recuo de Temer na reforma da Previdência

0

Michel Temer anunciou nesta terça-feira (21) que a reforma da Previdência atingirá somente servidores federais e trabalhadores do setor privado. A reforma das previdências estaduais ficará a cargo dos governos dos estados, de acordo com ele.

Excluir os servidores estaduais foi a primeira concessão do governo em relação a reforma. Até então a equipe econômica do governo vinha defendendo a aprovação do projeto original, sem alterações.

Segundo Temer, “Surgiu com grande força a ideia de que deveríamos obedecer a autonomia dos estados. Seria uma invasão de competência, que não queremos levar adiante. Sendo assim, funcionários estaduais dependerão da manifestação do seu governo estadual ou governo municipal”, afirmou.

O projeto de reforma da Previdência atualmente em tramitação na Câmara só exclui militares das Forças Armadas, bombeiros e policiais militares.

Este recuou do executivo teria sido por conta da reação popular nas ruas contra a reforma? Representa uma derrota da equipe econômica? Ou uma manobra para enfraquecer as manifestações, cada dias mais crescentes, das diversas categorias de trabalhadores?

O Preto No Branco ouviu alguns representantes sindicais de Juazeiro(BA) sobre o que Temer diz ser “uma ou outra adequação” a proposta. Ele garante que o governo conseguirá aprovar a proposta no Congresso.

“O Congresso Nacional é o senhor dessa matéria agora. Mas nós vamos aprová-la. Vamos aprová-la com uma ou outra adequação, quem sabe, mas vamos aprová-la”, declarou Temer.

Gilmar Nery, da APLB/Sindicato, que ontem(21) reuniu professores de 22 municípios do norte baiano, em Juazeiro(BA) numa grande manifestação contra a reforma, diz que a manobra pode ser perigosa ” os professores estariam sendo contemplados com a medida dele agora, mas eu acho muito perigoso. Perigoso por que? Porque o governo traz uma medida paliativa. Na verdade é como um cala a boca para aqueles que estavam protestando. No entanto continua sendo uma medida temerosa, que traz prejuízos enormes para os trabalhadores de uma forma geral, os servidores federais, o pessoal do campo, da iniciativa privada. Estávamos todos na mesma luta e não é porque houve um “beneficio” que a gente vai abandonar a luta. A luta é da sociedade, a luta é conjunta. Estamos em greve, defendendo um direito do trabalhador e não podemos agora, apenas porque o governo passou a responsabilidade para os estados, recuar desta luta. Continuaremos juntos com todos os trabalhadores. Vamos aguardar as novas determinações da base da CNTE e da APLB estadual para saber como vamos seguir daqui pra frente. Sexta-feira faremos uma assembleia de avaliação e decidiremos o futuro do movimento. E a greve continua até o dia 24 na Bahia”, declarou Gilmar.

Emerson da Silva, Mitu, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro, considera este recuo de Temer como uma tentativa de enfraquecer o movimento ” Como ele já tinha dito e consta na reforma que quem faltar 10 anos, no caso do aposentado rural, não seria atingido, ele agora recua para tentar desmoralizar, enfraquecer o movimento contra a reforma e demais retrocessos propostos pelo seu governo. Ele e sua equipe, perceberam a revolta do povo que tem ido as ruas. A própria câmara de deputados e o senado estão divididos. A reforma da Previdência não é prejudicial somente para o servidor público municipal, estadual ou só para o aposentado rural. Ela é prejudicial para a sociedade no geral. Para a economia do país. Então é uma tentativa de esfacelar, enfraquecer o movimento. É o velho ditado: enfraquecer para reinar. Mais uma pegadinha deste governo,” declarou Mitu.

Waldenir Brito, da Federação dos Bancários (Bahia e Sergipe) e também Diretor do Sindicato, em Juazeiro, considera dois aspectos da alteração proposta pelo governo ” primeiro, que as mobilizações de rua começam a surtir efeito e que devemos portanto continuar nessa luta e reforçá-la ainda mais. Segundo, essa medida é uma clara tentativa de tentar dividir para conquistar. Tenta tirar os servidores estaduais e municipais da luta imediata, mas que pode ,facilmente, depois de atacar os servidores federais, iniciar o processo contra os estaduais e municipais. Pressionando inclusive os governos estaduais, como vem fazendo agora, para privatizar empresas públicas estaduais. Acredito que os trabalhadores/as, de todas as esferas, tenham percebido essa artimanha. Entendo que não há o que negociar. É barrar esse projeto e exigir que mudanças tão drásticas na vida das pessoas possam ser realizadas, primeiro por um congresso e um governo legítimo e, segundo, com um debate amplo e com a participação de todos os seguimentos de sociedade”, afirmou.

 

Da Redação/ Com informações do G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome