
O político petrolinense e atual senador, Fernando Bezerra de Souza Coelho (PSB-PE), é suspeito de receber R$ 1,2 milhão em caixa dois e propina. As acusações foram feitas durante delações de ex-executivos da Odebrecht.
De acordo com os delatores, Fernando Bezerra era denominado como “Novilho”, dentro do sistema mantido no Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht.
Contra o parlamentar foram abertos dois inquéritos, autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das acusações contra FBC foi feita pelos ex-executivos Benedicto Barbosa da Silva Júnior e João Antônio Pacífico Ferreira.
De acordo com eles, Fernando Bezerra teria recebido um pagamento de R$ 200 mil durante campanha eleitoral em 2010, o que caracteriza caixa dois. Eles afirmam ainda que o valor foi repassado ao parlamentar dividido em duas parcelas.
Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o pagamento desse dinheiro ao senador também se enquadra no artigo 350 do Código Eleitoral, conhecido como “falsidade ideológica para fins eleitorais”, já que o político omitiu os valores recebidos na campanha durante a prestação de contas.
A outra acusação teve como base as delações dos ex-executivos Ariel Parente Costa, Alexandre Biselli, Cláudio Melo Filho, Fabiano Rodrigues Munhoz e novamente de Benedicto Barbosa da Silva Júnior e João Antônio Pacífico Ferreira. Eles acusam Fernando Bezerra de ter participado de “tratativas” com empresas que participariam da obra canal do sertão alagoano.
Os acordos teriam ocorridos entre os anos de 2009 e 2010 quando o parlamentar era Ministro da Integração Nacional. Durante a obra do canal, considerado o maior projeto de estrutura hídrica do estado de Alagoas, FBC teria recebido R$ 1,05 milhão (um milhão e cinquenta mil reais) entregues por meio de um intermediário.
Em nota, o senador Fernando Bezerra Coelho declarou que ainda não teve acesso às investigações e que está a disposição das autoridades.
Veja a nota na íntegra:
“A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) diz que “não foi oficialmente comunicada, tampouco teve acesso à referida investigação. Fernando Bezerra mantém-se, como sempre esteve, à disposição das autoridades a fim de prestar quaisquer esclarecimentos que elas possam necessitar.”
FBC e O coronelismo do Clã Coelho:
Fernando Bezerra Coelho faz parte de uma das oligarquias mais longevas do Nordeste, cujo sobrenome está espalhado por toda Petrolina-PE.
Em Janeiro de 2012, a jornalista Julia Dualibi escreveu para o site estadão o texto “O coronelismo do Clã Coelho“, que faz uma crítica a história política e a oligarquia da família Coelho.
De acordo com a matéria, Bezerra foi acusado de burlar decreto antinepostismo na administração pública ao manter o irmão como presidente interino da CODEVASF por quase um ano. Em seu texto, Julia declara que quando assumiu o Ministério da Integração Nacional, Fernando Coelho indicou integrantes da sua família para exercer funções ligadas a sua pasta.
Julia afirma ainda que o estado mostrou ainda, que os primos do ex-Ministro, todos com o sobrenome Coelho, receberam do ministério cerca de R$ 1 Milhão pela desapropriação de terra na Bahia em 2011.
Da redação Por Yonara Santos



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