MP e prefeitura de Juazeiro mandam interditar Centro de Reabilitação: E os internos para onde vão?

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A secretária do Crecir – Casa de Reabilitação Cidade Refúgio de Juazeiro, procurou a redação do Portal Preto No Branco para revelar a sua indignação diante de um ação da SEMAURB, órgão da prefeitura de Juazeiro, que provocado pelo Ministério Público expediu notificação para interditar a instituição.

Segundo Valesca Rodrigues, nesta quarta-feira(19) a diretoria recebeu uma notificação para interdição imediata da instituição que atende a dependentes químicos da região, há quase doze anos. Ela conta que a primeira notificação, deste ano, foi no dia 31 de maio. Depois disso, mais dois autos de infração de 13 de junho e 13 julho. Neste último auto, recebido quinta-feira passada, foi dado um prazo de 15 dias para que a instituição cumprisse algumas exigências e antes de esgotar o prazo, ordenou o fechamento da casa de reabilitação.

” Eles nos cobram um alvará de funcionamento, mas para consegui-lo está cada vez mais difícil, porque as exigências só aumentam e nós, que vivemos de doações, não temos condições financeiras de fazer todas as adequações e contratar um profissional de saúde para assinar pela instituição. Trabalhamos aqui com voluntários, manter um profissional especializado vai nos custar caro. Nós já atendemos algumas exigências, da vigilância sanitária, por exemplo. Mas nos esbarramos, principalmente, nesta contratação que nos exige, sem nos oferecer nada em troca”, desabafou Valesca.

As exigências dos órgãos públicos, também do MP, e a ordem de interditar a instituição, são bastante contraditórias, se formos considerar que a própria prefeitura e a justiça encaminham dependentes químicos para o Crecir e para outras casas de recuperação.

” Nós recebemos encaminhamentos da justiça, do Caps, da Secretaria de Saúde do município para acolhermos pacientes. Como encaminham se não temos condições de atender as estas pessoas, segundo a visão deles? Nós estamos suprindo é uma deficiência do estado. Precisamos de apoio e não de perseguição”, questionou.

Indignada, Valesca questionou as autoridades ” Para onde devemos levar os 15 pacientes que estão internados no Crecir hoje? O município ou o estado oferecem um centro de recuperação em Juazeiro? Qual apoio é dado aos centros de recuperação de Juazeiro que prestam um relevante serviço as famílias e ao próprio Estado, mesmo com tantas dificuldades ?

A instituição é coordenada por um grupo religioso e foi criada em 2005, numa iniciativa voluntária. O Crecir, de acordo com a coordenadora, mantem o trabalho com dificuldades e contando com a ajuda de doações e do suporte de profissionais voluntários. Ela ainda informa que muitos pacientes são atendidos gratuitamente e que a instituição não recebe nenhum suporte financeiros dos órgãos públicos, mesmo já registrando o atendimento de 30 internos em tratamento na instituição.

Da Redação por Sibelle Fonseca

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