
Com a bíblia não mão, falando em “nome de Deus” e argumentando “defesa da família e das crianças de Petrolina”, o vereador evangélico Elias Jardim (PHS) conseguiu aprovar na manhã de hoje (7), o projeto de lei nº 132/2017, que proíbe as atividades pedagógicas que visem a reprodução de conceito de Ideologia de Gênero na grade de ensino de escolas públicas municipais e particulares de Petrolina.
Numa sessão de debates acalorados e com a presença de representações do movimento de mulheres e da comunidade LGBT, a maioria dos vereadores aprovou a proibição de atividades pedagógicas que visem a reprodução de conceito de ideologia de gênero, ou seja, os alunos não poderão apreender conteúdos que levem a uma reflexão sobre os papeis sociais, como um produto histórico-cultural desenvolvido pela sociedade e construção da própria identidade, entre outros assuntos que vão cercear a atuação dos professores em sala de aula.
Alguns manifestantes que acompanharam a votação na tribuna da Casa Plínio Amorim, mostraram indignação e reagiram ao discurso do vereador evangélico, chamando-o de “fascista”, ou seja, adepto de um regime autoritário que defende a exclusiva autossuficiência do Estado e que atua contra as liberdades individuais.
“ Um absurdo, um retrocesso que envergonha Petrolina. Mas não vamos aceitar assim fácil. Nossa mobilização continua e vamos procurar o prefeito Miguel Coelho, na tentativa de que ele não sancione essa lei excludente e desrespeitosa com as pessoas, com as famílias”, declarou Eduardo Rocha, da Associação Sertão LGBT.

O projeto foi aprovado em segunda discussão por 12 votos a favor e 2 contra.
Os vereadores Gilmar Santos (PT) e Cristina Costa (PT), se manifestaram veementemente contra o projeto.
Gilmar Santos questionou o objetivo do projeto: “controlar corpos, impor a moral cristã neopentecostal, censurar liberdades, fortalecer o projeto político de setores evangélicos em nome da família e dos “bons” costumes”?
A vereadora Cristina Costa protestou também contra a crítica de um colega vereador que repreendeu a roupa que ela usava na sessão ” Foi dito que eu não poderia colocar minha opinião apenas porque não usava um blazer ou” uma roupa social”.
Em protesto, a única vereadora do legislativo feminino, vestiu um paletó e questionou. “O que vale mais? Um discurso de desrespeito ao próximo ou a roupa que se usa?” , disse Cristina referindo- se ao projeto aprovado.
Três vereadores se abstiveram, Gabriel Menezes, Aero Cruz e Zé Nildo do Alto do Cocar.
O vereador Major Enfermeiro não ficou até o final da votação e os vereadores Elismar, Paulo Valgueiro, Domingos de Cristália e Edilsão do Trânsito não compareceram a sessão.
Da Redação por Sibelle Fonseca


