“Nunca fui presa por tráfico ou homicídio”, diz mulher-trans vítima de violência policial no carnaval de Juazeiro

"Nunca fui presa por tráfico ou homicídio", diz mulher-trans vítima de violência policial no carnaval de Juazeiro

“Eu e minha família estamos apavoradas com as ameaças e mentiras que estamos sofrendo”, esse foi o desabafo de Lorrane de Souza, a mulher-trans que foi agredida por um policial militar no sábado de carnaval de Juazeiro-BA, perante o representante da Corregedoria do Comando de Policiamento da Regional Norte.

A ação do policial foi flagrada por um anônimo que registrou, em vídeo, o momento em que Lorrane toma um soco e cai desmaiada na orla da cidade, sob a indiferença da patrulha que circulava pela avenida.

Somente ontem (06) Lorrane procurou a Corregedoria para registrar a denúncia. O Portal Preto No Branco acompanhou o depoimento da vítima ao Capitão José de Alencar.

“Na semana após o carnaval, eu compareci a delegacia de polícia e fui ouvida pela delegada, que me encaminhou para fazer o exame (de corpo de delito). Fui orientada a também procurar este setor da PM, para relatar aquele momento terrível que vivi, pois desde o acontecido não tenho tido mais sossego. São mentiras que estão sendo espalhadas sobre mim, áudios e ameaças. Eu vim aqui pedi proteção”, disse Lorrane.

Ela contou que estava no circuito da festa, quando se deparou com policiais militares pedindo passagem e fazendo uma barreira naquele trecho da avenida. Foi quando ela perguntou “se podia passar” e como resposta recebeu um soco na altura do queixo, contou Lorrane.

“Antes do soco, me deram um golpe com o cassetete que deixou uma marca roxa na minha perna. Quando perguntei se podia passar, tomei um soco e não vi mais nada. Só vim saber do ocorrido pelo vídeo que vi depois”, afirmou.

Ela também declarou que em nenhum momento desrespeitou os policiais. “Se eu tivesse desacatado algum deles, eles teriam me levado presa. Eu só pedi pra passar, nada mais”, reafirmou Lorrane.

Lorrane também informou sobre a atitude de alguns componentes da corporação que estariam compartilhando, em grupos de Whatsapp, um vídeo antigo que registra uma briga entre ela e um homem que teria agredido a mulher trans numa via pública. Ela também relatou sobre um áudio que circula nas redes sociais, acusando-a de “traficante” e “homicida”. No documento da Corregedoria ficou registrado também que o vídeo citado por Lorrane, foi enviado ao Portal Preto No Branco, por policiais militares, que desejavam a publicação do mesmo, o que foi negado pela editoria do veículo.

A denunciante pediu providências à Polícia Militar em relação a atitude dos policiais que estariam tentando incriminá-la, maculando a sua imagem e rechaçando-a publicamente quando “distorcem uma situação atual com outra totalmente pretérita”, registra o documento.

“Eu nunca fui presa ou respondi por tráfico ou homicídio. Não devo nada a Justiça. Minha orientação sexual e profissão me deixam exposta a algumas situações de violência. Sofro agressões nas ruas e o vídeo mostra minha reação a ação de um homem. Houve uma confusão entre nós e só. Não tenho envolvimento com crimes”, afirmou Lorrane.

Segundo o Capitão José de Alencar, a denúncia de Lorrane será encaminhada a Corregedoria do Comando Geral da Polícia Militar, em Salvador, para a devida apuração e instauração de processo administrativo.

Lorrane de Souza também está encaminhando a denúncia ao Ministério Público e ao Conselho Municipal de Direitos Humanos.

Da Redação por Sibelle Fonseca  

2 Comentários


  1. Vivemos um verdadeiro Circo, sem contar que este veiculo de comunicação é unilateral, que só faz questão de ir atrás de mimimi, poderia fazer um jornalismo mais sério, maaas, infelizmente qualquer um pode se dizer que é jornalista e faz o que quer, como sei este comentário não será postado, “LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UMA OVA”.

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  2. ‘Liberdade de expressão é uma ova’?
    É por causa da liberdade de expressão necessária à qualquer país democrático que vc pode falar uma absurdo desses. Se toca! Com certeza ès uma viúva da ditadura, lambe coturno, ou algum moleque de 11 anos que apóia palhaços sem graça na política.
    Tbm fui agredido gratuitamente pela polícia de Juazeiro nesse carnaval, não só eu e a vítima da reportagem como várias outras pessoas. O que mais tem é registros na internet, PROVANDO.
    Todo apoio à vítima!
    E que asnos que falam esses absurdos como “Liberdade de expressão é uma ova’ sintam-se coagidos!
    Estamos de olho em vcs!

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